A despedida de Vagner Love

“Não se vá! Eu já não posso suportar esta minha vida de amargura. Não se vá! Estou partindo porque sei, que você já não mais me ama…” Provavelmente Vagner Love não gosta de Jane e Herondy, mas certamente canta esta música em seu inconsciente. Não que o CSKA Moscou não o ame mais, mas a vida de amargura na Rússia já o consumiu.

Neste final de semana, pela primeira vez, o presidente do clube, Evgeni Giner, falou abertamente sobre a saída do atacante brasileiro. E desta vez em definitivo.

“Agora estamos de olho em um atacante que parece ser muito promissor. Não acho que isso precise ter alguma conexão com Vagner Love. Nós precisamos de quatro atacantes no elenco de qualquer maneira, já que jogamos com dois. Mas realmente nós pretendemos deixar o Vagner ir. Depois de oito anos passados em um lugar distante é preciso mudar de time. As negociações começarão em novembro, quando entenderemos tudo, quais jogadores estão saindo, o que precisamos mudar e quais problemas teremos que resolver”, garantiu o dirigente.

Há pouco tempo entrevistei o jornalista Grigory Telingater, que cobre o cotidiano dos clubes moscovitas pelo Sport-Express e confidenciou que o CSKA sempre fez de tudo para Vagner Love querer jogar na Rússia – apesar da sua manifestada vontade de ficar no Brasil nos últimos anos, incluído aí o período emprestado a Palmeiras e Flamengo entre 2009 e 2010, e a história de folhetim envolvendo o Corinthians.

Tudo porque Vagner tem moral no clube. Chegou em 2004 e conquistou tudo pelo CSKA. Uma Copa da Uefa, dois Campeonatos Russos e cinco Copas da Rússia. Já são 235 jogos, com 112 gols marcados. Nesta temporada não está tão bem, mas mesmo assim é adorado pela torcida.

Não aprovo muitas das atitudes do atacante brasileiro. Como, por exemplo, aparecer na apresentação de Ronaldinho Gaúcho no Flamengo como um torcedor qualquer – algo que ele não é, afinal, é um jogador profissional. De qualquer modo, é totalmente compreensível o desejo dele em mudar de ares. Seu contrato vai até o final de 2014 ainda, portanto, será preciso negociar a provável saída, mas a mudança de postura do CSKA é um bom indício para Vagner, um dos maiores jogadores da história do clube.

O CSKA realmente precisa de mais atacantes. Conta hoje no elenco somente com o protagonista deste texto, Seydou Doumbia e o lesionado Tomás Necid. Tropega no Campeonato Russo muito por conta das poucas opções à disposição do técnico Leonid Slutsky, e como a competição só terminará em meados de 2012, é provável que Vagner Love nem fique até lá. Aí sim ele poderia cantar: “o nosso amor não é mais o mesmo. É melhor que eu vá embora…”

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Equipe Trivela

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