2000-2007: A era Fifa

Uma das críticas freqüentes ao formato antigo do Mundial Interclubes era o fato de reunir apenas os campeões de Europa e América do Sul. Como declarar um time “campeão mundial” se apenas dois continentes estavam representados? No fim do século passado, a Fifa decidiu criar seu próprio Mundial, com participantes das seis confederações. A edição inaugural seria disputada em 2000, no Brasil, com jogos em São Paulo e no Rio de Janeiro.

2000 – Final caseira

O primeiro Mundial, no entanto, esteve longe de ser um sucesso. Primeiro, por causa dos critérios não muito claros para a definição dos participantes. O Manchester United entrou como campeão europeu de 1999, mas o Real Madrid, vencedor da Liga dos Campeões no ano anterior, também entrou na disputa, na condição de vencedor da Copa Intercontinental de 1998. No entanto, o Palmeiras, que venceu a Libertadores de 1999, não foi chamado.

Os dois representantes brasileiros eram o Vasco, campeão da Libertadores em 1998, e o Corinthians, representante do país-sede. O time do Parque São Jorge foi bicampeão brasileiro em 1999, mas entrava como campeão de 1998. Necaxa-MEX, Raja Casablanca-MAR e South Melbourne-AUS eram campeões continentais, mas o Al-Nassr, da Arábia Saudita, participou como vencedor da Supercopa Asiática.

Outro problema era a posição do torneio no calendário. O Mundial de 2000 foi disputado na primeira quinzena de janeiro, gerando alguns impasses. O Manchester United, que já havia derrotado o Palmeiras no Japão em dezembro, foi forçado a desistir da FA Cup. A ausência do clube no Mundial teria causado um mal-estar que poderia prejudicar a candidatura da Inglaterra a sediar a Copa do Mundo de 2006.

Os oito times foram divididos em dois grupos de quatro, cada um com um brasileiro e um europeu. Corinthians e Real Madrid fizeram um bom jogo no Morumbi, que terminou empatado por 2 a 2, com destaque para o drible de Edílson em Karembeu. Os paulistas acabaram se classificando para a final na última rodada, por um gol de saldo, ao vencer o Al Nassr por 2 a 0 – já sabendo que precisava do resultado, porque o Real Madrid jogou antes contra o Raja Casablanca.

A participação do Manchester United foi um fiasco. Mais interessados em desfrutar das maravilhas do verão carioca, os Red Devils não passaram de um empate com o Necaxa na estréia, em jogo marcado pela expulsão de David Beckham, e foram facilmente batidos pelo Vasco de Romário e Edmundo no Maracanã. Resultado: terminaram em terceiro lugar no grupo. O Vasco garantiu vaga na decisão ao vencer o Necaxa por 2 a 1, de virada.

A final doméstica entre Corinthians e Vasco pode ter sido empolgante para os brasileiros, mas ajudou a diminuir as atenções do resto do mundo. O jogo não saiu dos 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, e o Corinthians se sagrou campeão nos pênaltis, graças ao erro de Edmundo na última cobrança.

2001 – O Mundial que não houve

A Fifa tinha uma segunda edição do Mundial prevista para julho e agosto de 2001, na Espanha. O torneio seria ampliado para 12 participantes, divididos em três grupos, e a América do Sul seria representada por Palmeiras e Boca Juniors, campeões da Libertadores em 1999 e 2000, respectivamente. Os representantes europeus seriam o Real Madrid, vencedor da Liga dos Campeões em 2000, o Galatasaray, campeão da Copa Uefa, e o Deportivo La Coruña, campeão espanhol.

Em maio de 2001, por causa dos problemas financeiros que levaram à falência da ISL, empresa de marketing parceira da Fifa, a entidade anunciou o adiamento do Mundial para 2003 – e posteriormente o cancelamento definitivo.

2005 – Em novo formato, deu São Paulo

O gigantismo proposto pela Fifa foi um tiro no pé, além da concorrência com a Copa Intercontinental no Japão, que continuava a ser disputada anualmente. A solução encontrada foi repensar o Mundial para substituir a Copa Intercontinental, a partir de 2005. Mantinha-se o país-sede, a semana da disputa, e até o patrocinador, a Toyota. O formato seria mais enxuto, com os campeões de Europa e América do Sul entrando diretamente nas semifinais.

Desde então, a presença dos times de outros continentes têm sido apenas figurativa para os protagonistas, já que nos três anos a final reuniu um europeu contra o sul-americano. Em 2005, o São Paulo passou pelos sauditas do Al-Ittihad, e o Liverpool derrotou o Deportivo Saprissa, da Costa Rica. Na decisão, mesmo pressionado pelos Reds durante boa parte dos 90 minutos, o Tricolor se saiu melhor e venceu por 1 a 0, com gol de Mineiro.

2006 – Inter surpreende o Barcelona

A história se repetiu em 2006 na final entre Internacional e Barcelona, com os gaúchos desafiando o favoritismo europeu e levantando o troféu. Adriano Gabiru foi o herói da conquista. O resultado foi surpreendente, porque nas semifinais o Barça havia passado com facilidade (4 a 0) pelo América do México, enquanto o Inter sofreu para fazer 2 a 1 pelo Al Ahly.

2007 – Milan leva taça para a Europa

O título da Fifa foi para a Europa pela primeira vez em 2007, com a conquista do Milan sobre o Boca Juniors. Os ‘rossoneri’ venceram por 4 a 2 na final, com Filippo Inzaghi marcando duas vezes e Kaká se consagrando como melhor jogador do torneio. Nas semifinais, o Boca venceu o Etoile du Sahel, da Tunísia, e o Milan passou pelo Urawa Red Diamonds, do Japão.

A partir do ano passado, o Mundial reserva uma vaga ao país-sede, que precisa passar por uma fase preliminar contra o campeão da Oceania. No entanto, a vaga não precisou ser utilizada em 2007, porque o japonês Urawa foi campeão asiático, abrindo assim uma vaga para os iranianos do Sepahan, vice continentais.

A atuação do Waitakere United, da Nova Zelândia, na derrota por 3 a 1 para o Sepahan rendeu muitas criticas ao torneio, por causa do fraco nível técnico do representante da Oceania. Muito se questionou sobre a validade de abrir espaço para um time semi-profissional, especialmente depois da saída da Austrália para a confederação asiática.

O futuro do Mundial

Com o Mundial consolidado no calendário, a Fifa decidiu iniciar um rodízio de sedes. Em 2009 e 2010, a disputa será nos Emirados Árabes, acabando com quase três décadas do tão comentado “Projeto Tóquio” para os times brasileiros. Por pouco tempo, já que em 2011 o torneio volta para a Terra do Sol Nascente.

Apresentação dos Clubes

Adelaide United (Austrália)
Al Ahly (Egito)
Gamba Osaka (Japão)
LDU Quito (Equador)
Manchester United (Inglaterra)
Pachuca (México)
Waitakere United (Nova Zelândia)

Sedes

Tóquio – Estádio Nacional
Toyota – Estádio Toyota
Yokohama – Estádio Internacional

História

1960-1979: Tempos clássicos
1980-2004: Oriente Express
2000-2007: A era Fifa

Estatísticas e curiosidades

Os fatos e números que marcaram a história do Mundial

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