1960-1979: Tempos clássicos

Houve um tempo em que os clubes, para ser campeões mundiais, precisavam travar batalhas espetaculares, lutar contra os rivais em seus domínios e ainda sofrer com a pressão da torcida adversária. Isso foi entre 1960 e 79, quando o Mundial Interclubes foi criado para reunir o campeão da Copa Libertadores da América e da Copa dos Campeões da Europa.

Durante esse tempo, as equipes se enfrentavam em pelo menos dois jogos, um em cada continente. Em algumas edições, o desempate só acontecia com um jogo extra. Algo totalmente inverossímil no dias atuais, de calendário apertadíssimo. No entanto, a competição demorou para cair nas graças dos europeus, que em alguns torneios declinaram de enviar seus campeões e obrigaram a mudança do formato.

Viaje no tempo e confira algumas histórias dos tempos clássicos do Mundial Interclubes, muito antes dos japoneses aparecerem.

1960 – Real Madrid x Peñarol

Em 3 de julho de 1960 Peñarol e Real Madrid se encontraram no estádio Centenário, em Montevidéu, para a primeira partida da história do Mundial Interclubes. O 0 a 0 foi decepcionante para os uruguaios. Até porque, dois meses depois, em 4 de setembro, os Merengues arrasaram o campeão da Libertadores com implacáveis 5 a 1. Foi a última temporada do inesquecível time madrileno, que contava com Puskas, Di Stéfano e Gento.

1961 – Peñarol x Benfica

Pelo segundo ano consecutivo os uruguaios chegaram à decisão do Mundial. Desta vez teriam pela frente o forte time do Benfica, do atacante Eusébio. A decisão começou com vitória lisboeta, em casa. O Peñarol deu o troco com sobras, 5 a 0 em Montevidéu. Saldo de gols ainda não existia para o desempate, assim, um terceiro jogo foi jogado, novamente na capital uruguaia: 2 a 1 e título mundial para os Aurinegros.

1962 – Santos x Benfica

O Mundial Interclubes de 1962 ficou marcado para sempre como o primeiro conquistado pelo Santos, de Pelé. O maior time brasileiro de todos os tempos enfrentou na decisão o Benfica, que levou a Copa dos Campeões da Europa pela segunda vez seguida. A vitória por 3 a 2 no Maracanã deu tranqüilidade à equipe da Baixada Santista. Porém, o jogo da volta foi ainda mais tranqüilo, com goleada de 5 a 2 – Pelé marcou quatro.

1963 – Santos x Milan

O confronto entre dois dos maiores times de todos os tempos tornou a decisão do Mundial de 1963 épica. Pelo Santos, Pelé, Coutinho, Pepe, Mengálvio, Gilmar… defendendo o Milan, Altafini, Rivera, Maldini, Trapattoni, Amarildo… Os dois primeiros jogos foram iguais: 4 a 2 para os rossoneri em San Siro e 4 a 2 para os santistas no Maracanã. No jogo-desempate, novamente no Rio de Janeiro, brilhou Almir Pernambuquinho, substituto de Pelé. Bicampeonato mundial para o Santos.

1964 – Internazionale x Independiente

O quinto Mundial Interclubes foi uma dura disputa entre duas grandes equipes que marcaram época em seus continentes. Na América do Sul o Independiente conquistou a primeira de suas sete Libertadores, enquanto a Internazionale levou sua primeira Copa dos Campeões da Europa. Como não poderia deixar de ser, todos os jogos foram equilibrados. Em Avellaneda, vitória do Independiente por 1 a 0. Na Itália, troco da Inter: 2 a 0. O jogo-desempate aconteceu no Santiago Bernabéu, em Madrid, com vitória dos nerazzurri por 1 a 0, na prorrogação.

1965 – Internazionale x Independiente

Mais uma vez Inter e Independiente se encontraram na decisão do Mundial. Desta
vez, no entanto, os italianos tiveram mais facilidade para ficar com o bicampeonato. A vitória por 3 a 0 (dois gols de Mazzola), em Milão, na primeira partida, foi um bom começo. O título veio, então, com um 0 a 0 no estádio Almirante Cordero, em Avellaneda, diante de 80 mil fanáticos torcedores argentinos.

1966 – Peñarol x Real Madrid

Seis anos depois, o Peñarol teve sua vingança contra o poderoso Real Madrid. Após perder a primeira decisão do Mundial Interclubes da história, os uruguaios venceram duas vezes os espanhóis, para evitar qualquer contestação. No primeiro jogo, no Centenário, vitória por 2 a 0, gols de Alberto Spencer, maior artilheiro da história da Libertadores. Em Madrid, outro 2 a 0 garantiu o bicampeonato ao Peñarol.

1967 – Racing Club x Celtic

Passados sete anos da criação do Mundial Interclubes, nenhum time argentino ganhara a competição. A honra coube ao Racing Club, que em três jogos extremamente equilibrados contra o Celtic – 1 a 0 na Escócia, 2 a 1 na Argentina e 1 a 0 para os argentinos no Uruguai. Quis o destino que 1967 fora o ano mais marcante da história dos dois clubes, que nunca mais voltaram a vencer seus principais torneios continentais.

1968 – Estudiantes x Manchester United

O ano que marcou a história do século XX também foi protagonista de uma decisão espetacular do Mundial. O Estudiantes de La Plata conquistou sua primeira Libertadores, assim como o Manchester United levava sua primeira Copa dos Campeões. Jogando em La Bombonera, os argentinos venceram o jogo inicial por 1 a 0. Em Old Trafford, Juan Ramón Verón, pai do atual meia do Estudiantes, marcou logo aos sete minutos. Morgan empatou no final, mas não foi o suficiente para impedir o primeiro e único título mundial do Estudiantes.

1969 – Milan x Estudiantes

Foram precisos dez anos para que um dos maiores clubes do mundo se sagrasse campeão mundial pela primeira vez. Em 1969, o Milan enfrentou o Estudiantes, que mais uma vez estava na decisão. Em San Siro, vitória rossonera por 3 a 0. Aquele torneio seria decidido, pela primeira vez, com o placar agregado das duas partidas, assim, os italianos viajaram para a América do Sul mais tranqüilos. Mesmo com a derrota por 2 a 1, em La Bombonera, o Milan ficou com a taça.

1970 – Feyenoord x Estudiantes

No ano que o Brasil conquistou o tricampeonato mundial, o Estudiantes igualou o feito na Libertadores. Teria pela frente o Feyenoord, campeão europeu. O primeiro jogo, na Argentina, empate em 2 a 2. Na segunda partida, com um gol de Joop van Daele, os holandeses conquistaram o Mundial, sob o comando do histórico técnico austríaco Ernst Happel.

1971 – Nacional x Panathinaikos

Pela primeira vez, os clubes europeus demonstraram de forma oficial seu descontentamento com a competição. O campeão da Copa dos Campeões, Ajax, preferiu não disputar o torneio. Assim, o Panathinaikos, vice, foi mandado para enfrentar o Nacional, que quebrara a seqüência de títulos do Estudiantes. Empate em 1 a 1 na Grécia e vitória uruguaia por 2 a 1, em Montevidéu – todos os gols do Nacional marcados por Luis Artime, assim como Filakouris marcou os tentos do Panathinaikos.

1972 – Ajax x Independiente

Bicampeão europeu, em 72 o Ajax não recusou o convite e decidiu lutar por seu primeiro título mundial. Enfrentou o Independiente, que iniciou uma seqüência impressionante de títulos na Libertadores. Em Avellaneda, um duro empate em 1 a 1. Em Amsterdã, no entanto, o talento de Cruyff e companhia se fez mais forte e os holandeses venceram fácil por 3 a 0, gols de Neeskens (2) e Rep.

1973 – Independiente x Juventus

Ajax tricampeão da Europa. Mais uma vez se recusou a disputar o Mundial. Assim, a solução encontrada pelos organizadores foi fazer um único jogo entre o Independiente, campeão da Libertadores, e a Juventus, vice européia. O jogo, disputado no estádio Olímpico, de Roma, terminou com vitória Argentina por 1 a 0 e o primeiro título mundial do multicampeão Independiente.

1974 – Atlético de Madrid x Independiente

O conflito entre europeus e sul-americanos se intensificava sobre a realização do torneio. Em 74, foi a vez de o Bayern optar por não disputá-lo. O Atlético de Madrid, vice-campeão, encarou então, nas decisões, o Independiente. A equipe madrilena perdeu a primeira, na Argentina, por 1 a 0, mas se recuperou e fez 2 a 0 no Vicente Calderón, tornando-se, assim, o primeiro campeão mundial sem ter levado a taça continental.

1975 – Não foi disputado

Bayern de Munique e Independiente, campeões continentais, não entraram em acordo em relação às datas da realização do Mundial Interclubes.

1976 – Bayern de Munique x Cruzeiro

Depois de 13 anos, um clube brasileiro retornava ao Mundial Interclubes. A façanha coube ao Cruzeiro de Raul, Dirceu Lopes e Piazza, que no entanto, teve o “azar” de enfrentar o Bayern, tricampeão europeu e que recusara a participar nos dois anos anteriores. Desta vez os bávaros jogaram decididos a ser campeões. Em Munique, vitória por 2 a 0, gols de Gerd Muller e Kapellmann. No Mineirão, o 0 a 0 garantiu a conquista ao Bayern, para decepção dos cruzeirenses que lotaram as arquibancadas.

1977 – Boca Juniors x Borussia Mönchengladbach

Sob a ditadura argentina, o Boca Juniors conquistou sua primeira Libertadores da América. No Mundial, não precisou enfrentar o Liverpool, que optou por ceder seu lugar ao Borussia Mönchengladbach, vice europeu. Em La Bombonera, os argentinos foram surpreendidos com um 2 a 2. Na Alemanha, no entanto, o Boca fez fáceis 3 a 0 e levantou seu inédito título de campeão do mundo.

1978 – Não foi disputado

O Liverpool, campeão europeu, se recusou a enfrentar o Boca Juniors na decisão do Mundial por não encontrar espaço em seu calendário para os jogos.

1979 – Olimpia x Malmö

A última edição do Mundial Interclubes no formato de jogos em ida e volta reuniu dois times sem tanta expressão nos próprios cenários continentais. Na América do Sul os paraguaios do Olimpia venceram a Libertadores, enquanto na Europa o Nottingham Forest bateu o Malmö na decisão e venceu a Copa dos Campeões. Os ingleses, porém, também não quiseram jogar o torneio, abrindo a possibilidade para os suecos. Melhor para o Olimpia, que venceu na Suécia por 1 a 0 e no Defensores del Chaco por 2 a 1.

Apresentação dos Clubes

Adelaide United (Austrália)
Al Ahly (Egito)
Gamba Osaka (Japão)
LDU Quito (Equador)
Manchester United (Inglaterra)
Pachuca (México)
Waitakere United (Nova Zelândia)

Sedes

Tóquio – Estádio Nacional
Toyota – Estádio Toyota
Yokohama – Estádio Internacional

História

1960-1979: Tempos clássicos
1980-2004: Oriente Express
2000-2007: A era Fifa

Estatísticas e curiosidades

Os fatos e números que marcaram a história do Mundial

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Equipe Trivela

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