Um mês após acertar de forma definitiva a sua saída do Manchester United, assinando um contrato de três anos com a Internazionale após passar a última temporada emprestado ao clube italiano, Alexis Sánchez deu a sua versão de por que as coisas não deram certo em sua aventura nos Red Devils. Ecoando uma versão já citada por Fred sobre uma falta de união no elenco em certo momento do passado, o chileno revelou que, logo após o primeiro dia de treino, perguntou a seu empresário se não poderia voltar ao Arsenal.

Alexis Sánchez esteve muito perto de se juntar ao Manchester City antes de ir para o rival. Os Cityzens já tinham até mesmo um acordo com o jogador, mas a transferência não seguiu, e o United acabou acertando a sua chegada ao Old Trafford, no início de 2018. Sánchez conta que, logo em seu início em Manchester, começou a perceber coisas que não poderia ter sabido antes de se juntar definitivamente ao ambiente.

“Eu tinha primeiro um acordo com o City, mas caiu por terra, e eu fui para o United, e foi uma proposta sedutora, mesmo, e algo legal para mim. Quando criança, eu gostava do clube. E, bom, eu assinei sem saber o que estava acontecendo nos bastidores. Fui lá e, bom, nos primeiros dias com os companheiros, algumas vezes você não percebe algumas coisas antes de chegar”, disse o chileno em uma publicação em vídeo em seu Instagram, na quinta-feira (3).

“Depois da primeira sessão de treinamento, percebi muitas coisas e, quando voltei para casa, disse ao meu empresário se podia cancelar o contrato e voltar para o Arsenal. Ele riu, e eu disse que tinha alguma coisa de errado, mas eu tinha assinado, estava lá, e os meses passaram e o mesmo sentimento persistiu, não éramos um grupo unido.”

As palavras de Sánchez reiteram algo citado por Fred, em entrevista concedida ao canal De Sola e publicada em janeiro deste ano. Questionado sobre o que faltava para o United decolar, o brasileiro contou à época que o grupo não era muito fechado, acrescentando: “Um pouco de vaidade sempre tem no grupo. A nossa equipe tem bastante, então, a gente tem que parar com isso, parar de falar, porque no vestiário falamos muito, e temos que começar a correr dentro de campo”.

De sua parte, Sánchez confirma esta situação: “Como jogador, você depende de uma união, de o time estar unido como uma família, o que não éramos. E quando alguém precisava ser culpado, sempre era eu. Às vezes eu não jogava ou jogava 20, 30 minutos, mas ainda era minha a culpa”.

O chileno criticou bastante também os jornalistas e ex-jogadores por “falarem sem saber dos bastidores”. “Claro que eu sou autocrítico, dizia a mim mesmo que deveria ter jogado melhor naqueles cinco, dez minutos. Então houve também as lesões, e os jornalistas e ex-jogadores diziam que a culpa era minha. Eles não faziam ideia e continuavam dizendo coisas que não eram verdade.”

Sánchez relembrou uma partida contra o West Ham, em que sequer foi relacionado para o jogo, algo que o deixou sem entender a situação em que se encontrava: “Eu dizia: ‘É impossível, ir de um dos melhores na Premier League para, cinco meses depois, não estar nem no banco’. Eu estava muito triste, bravo, fui para casa e, no dia seguinte, trabalhei em turno duplo como sempre, porque amo o que faço, jogar futebol”.

O chileno então conta que, após a chegada de Solskjaer, pediu para deixar o clube, dando a entender que todo o relato que fez acima dizia respeito ao período com José Mourinho, que em 2018 viveu a transição de sua segunda para sua terceira temporada no United. Como diversos jogadores deixaram transparecer mais tarde, o clima não era dos melhores com o técnico português em sua reta final no Old Trafford.

“No fim da temporada, o novo técnico (Solskjaer) chegou, e eu disse a ele: ‘É melhor se eu respirar novos ares, quero ir para a Inter’. E ele disse que sim, sem problemas, e eu fui. Tudo que tenho a dizer ao United é agradecer por me deixar jogar e vestir o uniforme. Fico irritado que as coisas não tenham dado certo, em parte por causa do clima no entorno. Se tivéssemos sido mais como uma família, poderia ter dado certo. Os jornalistas e os ex-jogadores, que falavam sem saber, também me afetaram”, confessou Sánchez.

“Digo agora que foi um período de aprendizado, como jogador e pessoa. Fico triste, porque adoraria ter jogado e vencido tudo, feito os torcedores felizes. Não aconteceu por causa das coisas que estavam rolando na época e que não cabiam em um time do tamanho do United”, completou.

Decepção no United, Sánchez conseguiu reencontrar parte de seu bom futebol na Internazionale, contribuindo com quatro gols e dez assistências, mesmo tendo sofrido lesões que o tiraram de 14 jogos da temporada 2019/20. Mesmo longe de seu ápice técnico visto no Arsenal, o chileno parece ter ainda o que contribuir em alto nível no futebol europeu.