Depois de Deloitte e KPMG divulgarem seus relatórios financeiros em relação ao futebol europeu, foi a vez de a Uefa apresentar a sua própria compilação de dados, mas relativos a 2018. E o recorte da federação também foi diferente, apontando para um problema no panorama geral do futebol europeu: a discrepância financeira entre os principais clubes e o restante é uma ameaça ao sucesso do futebol no continente. O relatório aponta que os 30 clubes mais ricos geraram basicamente o mesmo que os outros 682 juntos.

Segundo a Uefa, o rendimento dos 712 clubes das elites nacionais ultrapassaram € 21 bilhões, um aumento de € 1 bilhão em relação aos números de 2017. Falando em lucro, a soma combinada entre eles foi de € 140 milhões. Porém, 75% deste lucro foi gerado pelas cinco grandes ligas: Premier League, La Liga, Serie A, Bundesliga e Ligue 1.

Os 30 maiores clubes, que incluem o Top 6 da Premier League e potências como Bayern de Munique, PSG, Real Madrid, Barcelona e Juventus, tiveram rendimentos de mais de € 10 bilhões, ou 49% das receitas totais dos 712 clubes na relação.

A Uefa destacou a melhoria financeira geral ao longo do tempo, com uma média de crescimento de receitas de € 983 milhões por ano, desde 2010. Porém, a instituição alertou para um aumento na discrepância financeira: em termos domésticos e continentais.

“As distribuições dos direitos de TV dentro de muitas ligas estão fortemente enviesadas em favor dos maiores/mais bem-sucedidos clubes, portanto, aumentando a diferença de receita entre os grandes clubes e o restante”, diz o relatório.

Presidente da Uefa, Aleksander Ceferin foi alarmista e disse que existe uma “série de ameaças à estabilidade e ao sucesso contínuos do futebol europeu”, enumerando riscos de polarização das receitas impulsionada pela globalização, por uma divisão de receitas fragmentadas e por dependência excessiva na venda de jogadores.

No entanto, nem tudo no relatório foi preocupante. O crescimento sustentado do futebol europeu contrasta bastante com o que os números mostravam antes da implementação do Fair Play Financeiro.

Com o sistema em ação para evitar gastanças desenfreadas (e puni-las, caso aconteçam), os clubes foram de um déficit de € 1,7 bilhão em 2011 ao lucro citado acima, de € 140 milhões, em 2018, um impressionante salto para o período.