Presidente da Juventus defende Superliga: “Sistema atual terá pouco interesse dos nossos filhos”

Andrea Agnelli, que preside a Juventus e a Associação Europeia de Clubes, diz que reformulação da Champions League seria bom para todos

O presidente da Juventus, Andrea Agnelli, segue defendendo uma reformulação na Champions League, que se aproxima com a ideia da chamada Superliga. No modelo defendido por dirigentes como Agnelli, haveria um sistema de divisões no futebol europeu, com os clubes previamente classificados e mais jogos internacionais, reduzindo o número de partidas das ligas nacionais.

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O dirigente acredita que a mudança não será positiva apenas para os grandes clubes europeus, entre os quais a Juventus se alinha, claro. Seria bom, na visão dele, para todos os clubes, que poderiam ter a garantia de estarem em uma competição europeia e trabalhar a partir disso, crescendo, segundo ele, “dentro do sistema”.

“Estamos todos do mesmo lado”

“É certo que se você tiver bom desempenho no sistema internacional, você permanece no sistema internacional”, afirmou Agnelli no Leaders Sports Business Summit, evento para gestores de futebol em Londres. “Seria ótimo que clubes como Ajax, Celtic, Legia Varsóvia, soubessem que eles ficarão na Europa e não terão que se classificar via sistema doméstico”.

“O que é importante é criar um sistema onde os clubes podem crescer dentro do sistema e não apenas ser rebaixado”, disse o dirigente. “Nós não estamos na política, nós não temos um governo e uma oposição, nós estamos todos no mesmo lado. Se não pensarmos sobre um sistema progressivo, nós estamos simplesmente protegendo um sistema que não está mais lá”.

“[Ao rejeitar a Superliga] Nós estamos protegendo um sistema feito apenas de jogos domésticos que irão ter pouco interesse dos nossos filhos”, justificou ainda Agnelli. “Eu acho que as pessoas que se opõe, quando justificam com argumentos racionais qualquer aspecto das reformas, é o que é saudável, que as pessoas tenham uma contribuição positiva. Mas ‘não, não, não’ como resposta, que é o que nós temos ouvido das ligas nos últimos meses, não é realmente saudável”.

“Quaisquer mudanças que forem trazidas não trarão muitas mudanças para Real Madrid, PSG, seja como for, eles irão se classificar. O que é importante é criar um sistema onde os clubes podem crescer dentro do sistema e não apenas ser rebaixado”, continuou o dirigente.

Champions League previsível

“Se pensarmos na fase de grupos da Champions League, podemos imaginar 15, 16 times que irão se classificar. As duas primeiras equipes de cada grupo [neste momento] são provavelmente os que irão passar. Queremos jogar partidas mais relevantes”, afirmou o presidente da Juventus, que também preside a European Clubs Association (ECA).

“Todo mundo sonha em vencer a Champions League. O sonho deve permanecer vivo. O maior desafio é entender que tipo de plataforma os clubes desejam oferecer a nós mesmos nos próximos anos. Se encontrarmos um projeto que tenha 70%, 80% de consenso, será um grande resultado”, afirmou o dirigente, um defensor notório da chamada Superliga.

Problema a longo prazo

Mudar o sistema da Champions League para um esquema efetivamente de liga pode ser um problema sério. Isso porque se em um primeiro momento pode gerar muitos jogos interessantes, a médio e longo prazo pode se tornar um problema.

Porque assim como já aconteceu dentro das ligas nacionais, com alguns times se tornando mais ricos que outros, é possível que essa diferença que atualmente é menor se torne maior e um duelo entre Real Madrid e PSG, que soa como duelo de pesos pesados atualmente, poderia perder essa mesma força. Serviria apenas para manter o status de alguns clubes como, por exemplo, o Manchester United, que a incompetência tirou da Champions League, mas no novo sistema estaria garantido entre os principais clubes do mundo, apesar disso.

A ideia de crescer dentro do sistema, como defendido por Agnelli, soa como um prêmio de consolação. Clubes como o próprio PSG, ou mesmo o Manchester City, que estavam fora da Champions League quando foram passaram a ter donos com bolsos fundos, precisariam de muito mais tempo para chegar a uma competição de topo da Europa. Seria preciso galgar posições na liga nacional, depois nas últimas divisões europeias e, só então, entrar no clubinho dos ricos.

O sistema atual pode ter problemas, como ser por vezes previsível, mas ainda permite que um ano mágico, como o do Leicester, possibilite o time ir à Champions League e sonhar. Jogou a competição, e bem. No novo sistema, o Leicester teria muito mais dificuldades para jogar na mesma competição europeia que grandes potências. Não estaria entre os melhores mesmo sendo campeão de uma das ligas mais difíceis e badaladas da Europa. Soa estranho.

Futebol Feminino

O presidente da Juventus comentou ainda sobre futebol feminino, modalidade que a Itália tem conseguido ir bem e fortalecido a sua liga, inclusive com a presença da Juventus e dos demais grandes times da Itália, como Inter, Milan e Roma.

“Os clubes estão percebendo que o futebol feminino é tão importante quanto o masculino. Abre um cenário completamente diferente em termos de público, clientes e consumidores da indústria do futebol”, declarou ainda o presidente da Juve.