Tricampeão, mas já?
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No último final de semana, disputou-se a primeira rodada do returno do Campeonato Português. E alguns resultados emblemáticos repetiram o que se viu no início da competição, em 17 de agosto de 2007. O Porto voltou a ganhar do sempre perigoso Braga, só que, desta vez, em casa e por categóricos 4 a 0 (2 a 1 no primeiro turno, em Braga). E o Benfica voltou a empatar com o Leixões, agora em casa, por 0 a 0 (antes, 1 a 1, no Estádio do Boavista).
O que significa tudo isso? Simplesmente que os Dragões são cada vez mais líderes e têm hoje “apenas” 11 pontos de vantagem sobre o clube encarnado, que aparece em segundo. Ou seja, o título portista (e o conseqüente Tricampeonato) só não acontecerá se houver novo terremoto em Portugal, como o do Século XVIII. O Sporting, por sua vez, está a longínquos 14 pontos de distância e já assumiu que só pode lutar pela segunda colocação, em busca da vaga direta na próxima Liga dos Campeões.
O mais provável, assim, é que o clube das Antas conquiste seu segundo tricampeonato da história – o anterior foi obtido em 1997, mas suplantado por mais dois títulos na seqüência, que configuraram o primeiro “penta” da história do futebol português. Ao que tudo indica, diante dos desmandos que cercam o Benfica e o Sporting, o caminho está aberto para que o Porto forme nova seqüência de conquistas no futebol português – ao contrário do que imaginava este colunista no início da temporada, quando apontou o Sporting como favorito ao título.
Dupla lisboeta soma tropeço atrás de tropeço
Obviamente, a supremacia do Porto não poderia ser tão avassaladora se os grandes de Portugal não estivessem mergulhados em crises das mais diversas naturezas. No meio da semana passada, por exemplo, o Sporting perdeu o primeiro jogo da fase final da Taça da Liga, fora de casa, para o Vitória de Setúbal (1 a 0).
Pior que o resultado foi a fraca exibição da equipe e a fleuma de seu treinador Paulo Bento, que cada vez mais se vê enfraquecido diante de seu elenco e sua torcida. Pouco ajudou o empate em Coimbra com a Acadêmica, em 1 a 1, no último domingo, já que os Leões levaram o gol nos acréscimos (no início do campeonato, tinha sido 4 a 1 para o clube de Alvalade).
O Benfica, por sua vez, vive mais uma vez às voltas com a crônica falta de gols, algo que seu técnico, o espanhol José Antonio Camacho, não consegue resolver – apesar da variedade de nomes para o ataque (Nuno Gomes, Cardozo, Di María, Adu, Mantorras). O problema é que, além da pouca qualidade dos atacantes, Camacho não tem um municiador no meio-de-campo para “alimentar” quem joga à frente – papel que era desempenhado, até a temporada passada, por Simão Sabrosa.
Rui Costa começou bem a temporada e chegou a fazer crer que poderia cumprir essa função, mas não tem conseguido repetir a performance que exibiu até outubro de 2007. Resultado: o esqueleto da equipe benfiquista permanece débil e frágil. O desentendimento entre Luisão e Katsouranis na rodada anterior é apenas amostra das fraturas internas do elenco.
Calendário cheio
Se já não bastasse o calendário cheio do futebol português, inflado nesta temporada com uma ainda incipiente Taça da Liga (chamada de Taça Calsberg devido ao patrocinador), agora se pretende criar um novo torneio para os clubes da região de Lisboa. Trata-se da Liga Primavera, que reuniria dez agremiações: Benfica, Sporting, Belenenses, Vitória de Setúbal, Estrela Amadora, Leiria, Estoril, Fátima e mais duas equipes da terceira divisão.
O modelo deverá ser o mesmo elaborado pela Liga Intercalar, que reúne dez clubes do Norte (Porto, Boavista, V. Guimarães, Braga, Leixões, Gondomar, Trofense, Rio Ave, Varzim e Freamunde) que se enfrentam em turno e returno, classificando-se para a fase semifinal os dois primeiros de cada turno.
No fundo, essas iniciativas têm como aspecto positivo o fato de gerarem receita para os clubes pequenos e de permitirem atividade para os atletas pouco aproveitados pelos grandes. O problema é que não há grande competitividade, e o público normalmente é reduzidíssimo.
Na Liga Intercalar, por exemplo, os jogos acontecem sempre às quartas-feiras, entre 15h e 18h – com algumas exceções para o Porto e o Braga, em função das competições européias. Por último, um problema central impede por enquanto que a Taça da Liga, a Taça Intercalar e a futura Taça Primavera ganhem maior importância: os vencedores não asseguram presença em nenhuma competição importante. Uma saída talvez fosse permitir, aos campeões, que pelo menos alinhassem na Taça Intertoto, no verão europeu.
Golo de Letra
Enquanto a música não me acalmar
não vou descer, não vou enfrentar
o meu vício de ti não vai passar
não percebo porque não esmorece
será melhor deixar andar
será melhor deixar andar
(Trecho da canção “Vício de ti”, da cantora Mesa)