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Ser comparado ao Barcelona virou algo tão ruim que Jorge Jesus rejeitou imediatamente

Houve uma época que o mundo do futebol olhava para o Barcelona como parâmetro de futebol. O que se queria era o seu time jogando tão bem quanto os blaugranas, que foram encantadores por tantos anos. Isso mudou já há algum tempo, mas chegou a um ponto crítico em meses recentes, com tudo que a gestão de Josep Maria Bartomeu na presidência do clube causou – como já tinha acontecido antes com nomes da estirpe de Sandro Rosell, aliás. Ser comparado ao Barcelona, atualmente, tem carga negativa. Tanto que Jorge Jesus, técnico do Benfica, de pronto rejeitou quando ouviu.

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Foi nesta quinta-feira, depois de uma vitória tranquila do Benfica diante do Standard Liège por 3 a 0, em partida pela Liga Europa. Com dois gols de Pizzi e um de Luca Waldschmidt, os encarnados chegaram a seis pontos em dois jogos, dominante no Grupo D. Na partida, em específico, os encarnados tiveram 66% de posse de bola, finalizou 16 vezes a gol (cinco certas) e trocou 683 passes ao longo da partida, com precisão de 89%. A forma como o clube português se apresentou em campo fez com que um adversário, que já atuou pelos Águias, fizesse a comparação com o Barcelona.

Mehdi Carcela, do Standard Liège, comentou sobre a sua volta ao Estádio da Luz para enfrentar o Benfica, clube pelo qual atuou na temporada 2015/16, em uma partida da Liga Europa. Comparou os encarnados ao Barcelona. “Muito feliz de vir aqui à Luz, mas o resultado foi muito mau, com dois penáltis, que não foram, e depois ficou mais difícil jogar. Benfica joga muito com a bola, teve muita posse, parece o Barcelona [risos], com Pizzi e Taarabt [mais risos]”.

Quando confrontado com os comentários, o técnico do Benfica, Jorge Jesus, fez questão de rejeitar o rótulo. “Só se for o Barcelona de há alguns anos, esse talvez. Porque com o de agora não tem nada, nem quero que comparem o Benfica com o Barça de agora”, brincou. O treinador também comentou sobre como seus comandados dominaram a partida contra os belgas.

“Na primeira parte o Standard esteve muito bem organizado defensivamente, com um 5-4-1 e muitos jogadores a defender em cima da área. Não nos deram espaço e isso dificulta, temos de saber jogar entre linhas e em pouco espaço. Mesmo assim fomos dominantes e criámos algumas oportunidades de golo”, analisou o técnico.

“Estivemos também muito bem lá atrás, o Standard praticamente não fez um remate à nossa baliza e não dividiu o jogo. Foi bom termos conseguido o segundo jogo seguido sem sofrer golos. A linha de 4 atrás esteve impecável, tanto a defender como a atacar e os dois meninos que entraram (Diogo Gonçalves e Nuno Tavares) estiveram muito bem”.

“Ao intervalo disse aos jogadores para não se preocuparem porque viria o cansaço e ia haver mais espaço. Temos jogadores muito rápidos na frente, não é fácil segurá-los e conforme foi aparecendo o espaço foram aparecendo os golos”, afirmou o treinador em entrevista à SIC.

O treinador também comentou a volta dos torcedores ao estádio. Foram permitidas cinco mil pessoas no Estádio da Luz. Para Jesus, isso já teve um efeito importante. “Quem tem paixão pelo jogo sabe que sem o público não há entusiasmo e sentimento, nem eu sou o mesmo treinador no banco. Hoje estavam cinco mil mas pareceram 55 mil, ouvia-se o ruído, o entusiasmo e tudo isso dá-nos outra alegria e concentração. O futebol é paixão, é a ‘droga’ do povo e aqui ninguém fica contagiado. Num estádio… mais rapidamente ficam em casa. Temos de continuar a viver e ser felizes”, afirmou o treinador.

O Benfica alcançou uma marca notável no jogo contra o Standard Liége: foi o 23º jogo invicto no Estádio da Luz. Igualou, assim, o recorde nesta competição, que pertencia ao Zenit. Em todos os jogos, contando tanto a fase de grupos quanto os jogos eliminatórios, são 19 vitórias e quatro empates. A última derrota do time em casa pela Liga Europa foi em dezembro de 2008, quando perdeu para o Metalist Kharkiv por 1 a 0, um clube que sequer existe mais. Se conseguir não perder para o Rangers na próxima rodada, no dia 5 de novembro, o Benfica passará a ter o recorde de jogos invictos em casa no torneio.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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