Portugal

Quique espinhos

O técnico espanhol Quique Flores chegou ao Benfica no início da temporada com a dura tarefa de remontar todo um elenco e implantar uma mente vencedora na equipe. Para tanto, foi beneficiado com a aquisição de jogadores que prometiam ser a solução de todos os problemas benfiquistas – casos de Aimar, Reyes, Suazo e Balboa. No entanto, passados nove meses desde o início do trabalho de Quique Flores, a torcida das Águias tem pouco a comemorar.

Ao contrário do que ocorreu com Porto e Sporting – que mantiveram seus treinadores e fizeram poucas mexidas em suas equipes –, o Benfica modificou quase toda a estrutura do time que havia encerrado a temporada anterior. Naturalmente, não se monta uma equipe da noite para o dia. Mas o futebol apresentado ao longo desse tempo todo é muito pouco convincente. E o pior: os resultados obtidos são decepcionantes e preocupantes. Quique Flores já sente pressão de torcedores e dirigentes – e começa ver o quão espinhosa é a tarefa de treinar um clube de massa como o Benfica.

Na taça Uefa, o Benfica ficou em último lugar num grupo bastante acessível, em que despontavam Galatasaray, Olympiakos, Hertha e Metalist. Na Taça de Portugal, foi eliminado nas oitavas-de-final pelo Leixões, na disputa por pênaltis. No Campeonato Português, o time caiu para a terceira colocação após perder em casa para o Vitória de Guimarães e agora já está a cinco pontos de distância do líder Porto. Para piorar viu o Sporting assumir a vice-colocação – e apenas os dois primeiros vão para a Liga dos Campeões na próxima temporada.

A única competição que o Benfica pode conquistar nesta temporada sem depender dos outros (no Campeonato Português, é preciso vencer as partidas que restam e torcer pelos tropeços dos adversários) é a Taça da Liga, torneio tão desprestigiado e tão anacrônico no calendário do futebol português. O clube da Luz faz a final contra o Sporting no sábado (21 de março), no Estádio do Algarve. O problema da Taça da Liga é que ela não concede vaga a nenhuma competição continental. O campeão recebe apenas uns trocados do patrocinador do torneio, algo muito pouco para um Benfica que há vários anos está em busca do passado de glórias perdido há algum tempo.

Perspectivas européias
 

Nesta sexta-feira (20 de março), a Uefa realizará o sorteio dos jogos de quartas-de-final da Liga dos Campeões e da Taça Uefa. Pelo menos uma equipe portuguesa participará das bolinhas do sorteio na primeira competição: o Porto, que espera com certa ansiedade a definição de seu adversário. Os Dragões torcem para não terem que enfrentar os três maiores favoritos até agora: Manchester United, Liverpool e Barcelona. Em compensação, três outros adversários não chegam a assustar tanto: são os casos do Villareal, do Bayern de Munique e do Arsenal. O Chelsea, na era pós-Felipão, não é favorito ao título, mas ainda tem uma equipe temida e respeitada.

Já na Taça Uefa, outra equipe portuguesa pode fazer história nesta quinta-feira (19 de março) se vencer a partida de volta das oitavas-de-final contra o Paris Saint-Germain. Trata-se do Braga, que se recuperou bem no Campeonato Português e agora já é o quarto colocado. O jogo de ida, em Paris, terminou num empate sem gols – algo que pode ser mais perigoso para o próprio Braga. Se levarem um gol em casa, os bracarenses terão que fazer dois gols para ficar com a vaga. Além disso, um empate com gols classifica a equipe parisiense, trunfo que não deve ser ignorado.

Representação geográfica na segunda divisão
 

Faltam oito rodadas para o fim da segunda divisão (II Liga) do campeonato português, e algumas definições começam a se esboçar com um pouco mais de nitidez. Apenas os dois primeiros colocados têm acesso à primeira divisão, e Olhanense (42 pontos) e Santa Clara (41) ocupam a ponta da tabela com relativa folga. O terceiro colocado vem mais atrás, com apenas 35 pontos: trata-se do União de Leiria, que acabou caindo de divisão na temporada anterior. Depois do Leiria, aparecem o Feirense (34 pontos) e o Gil Vicente e o Varzim (ambos com 32). Se mantiverem a regularidade das últimas semanas, Olhanense e Santa Clara têm muitas chances de conquistar o acesso.

Caso isso aconteça, o futebol português ganhará maior representatividade na principal divisão do país. O Olhanense é da cidade de Olhão, na região do Algarve, ao sul de Portugal. Para o leitor ter uma idéia, só um clube abaixo de Lisboa está na primeira divisão (o Vitória de Setúbal). É como se o Brasileirão não tivesse nenhum clube da região Norte e Nordeste). Já o Santa Clara (que estava na primeirona até 2003) representaria o arquipélago dos Açores – o arquipélago da Ilha da Madeira já conta com dois clubes: Nacional e Marítimo. Mesmo assim, outras regiões continuariam sem representantes na I Liga, como Trás-os-Montes, Beira Alta, Beira Baixa e Ribatejo.

Golo de Letra

Junto do mar, que erguia gravemente
À trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o vôo do pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas, vagamente…

Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que idéia gravitais?

Mas na imensa extensão, onde se esconde
O Inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais…

(Poema “Oceano”, de Antero Quental)

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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