‘De que planeta veio esse garoto?’: A estreia que revelou a nova joia polonesa do Porto
Lançado na reta final contra o Vitória de Guimarães, Oskar Pietuszewski precisou de poucos minutos para sair do anonimato e virar protagonista
O Porto saiu do mercado de inverno com dois símbolos de tempos completamente diferentes. De um lado, Thiago Silva, 41 anos, contratado por seis meses após deixar o Fluminense, trazendo liderança e leitura de jogo imediata. Do outro, um nome praticamente desconhecido do grande público: Oskar Pietuszewski, polonês de 17 anos, nascido no mesmo ano em que o zagueiro brasileiro deixava o Brasil rumo ao Milan.
O contraste não poderia ser maior — e, curiosamente, os dois estrearam juntos no Campeonato Português. Na vitória por 1 a 0 sobre o Vitória de Guimarães, Thiago foi a referência defensiva durante os 90 minutos, garantindo segurança e organização. Mas quem roubou a cena foi o jovem ponta, lançado na reta final e responsável por mudar completamente o rumo da partida.
Como foi a estreia de Oskar Pietuszewski pelo Porto?
Pietuszewski entrou aos 73 minutos, com o placar ainda zerado, em um dos jogos mais difíceis do calendário portista até o momento. Em poucos toques, mostrou personalidade rara para a idade. Sofreu o pênalti convertido por Alan Varela, participou diretamente da expulsão de Telmo Arcanjo e foi um tormento constante pelo lado esquerdo do ataque.
Não foi somente a objetividade que chamou atenção, mas a forma. Dribles em velocidade, coragem para atacar o marcador, leitura defensiva sem a bola e uma maturidade pouco comum em um jogador que nunca havia atuado profissionalmente pelo clube.
— De que planeta veio esse garoto? É incrível, de verdade — destacou Andy Brassell, jornalista da rádio britânica “talkSPORT”.

A impressão inicial dentro do Porto é de que Pietuszewski chegou pronto para competir. Parte disso passa por fatores fora do campo. O jovem se comunica bem em inglês, o que facilitou a integração imediata ao elenco, e demonstra uma confiança que vai além do discurso. No campo, ele pediu a bola, chamou o jogo e assumiu riscos.
Essa postura conversa diretamente com a filosofia de Francesco Farioli. O técnico italiano não costuma proteger talentos por causa da idade: se rende, joga. Foi assim no Ajax e parece ser assim no Porto. A entrada de Pietuszewski em um cenário tão hostil como Guimarães diz muito sobre a confiança do treinador.
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De promessa local a alvo de gigantes europeus
Antes de chegar ao gigante português, Pietuszewski já era tratado como uma joia na Polônia. Estreou no time principal do Jagiellonia Bialystok aos 16 anos e enfrentou o próprio Ajax de Farioli na Liga Europa, em 2024 — um detalhe que ajuda a explicar a conexão entre jogador e treinador.
Clubes como Arsenal, Chelsea e Manchester City monitoravam de perto sua evolução, além de um interesse também vindo do Barcelona. Ainda assim, o Porto conseguiu fechar a contratação, apostando no ambiente certo para lapidar o talento.
O contrato vai até janeiro de 2029 e inclui uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros. Um valor que, olhando apenas para uma atuação, pode parecer ousado. Mas no Porto, onde vender bem faz parte do projeto, a lógica é clara: identificar cedo, desenvolver rápido e valorizar ao máximo.
Ainda é cedo para cravar até onde Pietuszewski pode chegar. Mas o impacto imediato, a naturalidade com que lidou com a pressão e a sensação de que o jogo “ficou pequeno” para ele em sua estreia explicam por que, internamente, já se fala em dificuldade para segurá-lo por muito tempo.
— Estou simplesmente deslumbrado com isso. Não tenho ideia de quanto valerá — afirmou Bressel.



