Portugal

O Leão de Alvalade tenta ressurgir

Por mais que o Sporting faça parte da lista dos grandes de Portugal, era meio consenso que, aos Leões, encerrar a temporada pelo menos em terceiro lugar já seria algo a se comemorar. Afinal, seria o suficiente para que a equipe retornasse à Liga dos Campeões. Nem tanto pela qualidade técnica do elenco, mas pela necessidade de o time – muito reformulado – precisar se entrosar e se adequar aos métodos de trabalho de Domingos Paciência e a própria concorrência de Porto e Benfica. Eis que, passadas sete rodadas, embora o clube de Lisboa esteja em quarto na tabela, é ele a sensação da Liga Portuguesa.

O começo de época, curiosamente, foi ruim. Após três jogos, foram somente dois pontos somados (um empate em casa, outro fora), com uma derrota em pleno José de Alvalade para o Marítimo. À ocasião, já eram sete pontos atrás do Porto e quatro de Benfica e Braga. Até boa parte do segundo tempo do confronto diante do Paços de Ferreira (em casa) a coisa parecia ainda mais feia, já que a equipe perdia por 2 a 0. Então, os Leões emplacaram uma grande reação, virando o marcador em cerca de 20 minutos e conquistando a primeira de uma série de quatro vitórias consecutivas – a maior da competição até o momento e a única corrente. Considerando a Liga Europa, a série aumenta para seis triunfos seguidos.

Os 12 pontos obtidos nos últimos jogos deixaram os Leões (14) a três pontos de Porto e Benfica (17), que dividem a liderança da Liga. Para se ter uma ideia, nesse mesmo estágio em 2010/11 o Sporting estava a 10 pontos do líder Porto (9 a 19). Mesma distância que a equipe tinha do Braga (11 a 21) em 2009/10. Em relação às últimas quatro temporadas, a campanha atual só faz lembrança à 2008/09, quando após sete rodadas, a equipe estava a três pontos do então ponteiro Leixões (13 a 16), mas com pontuação menor que a de agora. Só na já distante época 2006/07 é que o Sporting alcançou a sétima jornada com a mesma campanha do primeiro colocado (16), mas figurava em terceiro pelo saldo de gols.

A fase positiva, rara no passado recente alviverde, é tão boa que na eleição dos melhores atletas da competição em setembro, feita pelo Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) do país, quatro dos dez primeiros colocados foram do Sporting. O “campeão” do mês foi o atacante Ricky van Wolfswinkel, que vem sendo decisivo nos últimos jogos dos Leões e já soma quatro gols no certame – seis na época, somando-se às atuações na Liga Europa. Completaram o “top 10” o meia da seleção brasileira Elias (4º), o volante argentino Fito Rinaudo (5º), e o ponta espanhol Diego Capel (6º). Destaque-se aí que dos demais nomes da lista de dez, nenhum pertence a algum dos outros grandes.

O bom momento passa por alguns fatores. O primeiro e mais claro é a mudança do ambiente derrotista que marcou o balneário sportinguista nas últimas temporadas. Mesmo nas épocas em que conseguiu o vice-campeonato – e até chegou a levantar duas Taças de Portugal – os Leões quase nunca mostraram-se realmente motivados. De certa forma, algo em muito influenciado pela chegada de um treinador (Domingos Paciência) que dava mais esperança ao torcedor do que Paulo Bento, Carlos Carvalhal, Paulo Sérgio ou José Couceiro, e que conseguira dar uma mentalidade vencedora a um time médio, colocando-o na briga pelo título nacional e em uma decisão europeia.

Paralelo a isso, Domingos conseguiu encaixar, enfim, o 4-3-3 com o qual se firmou no Braga, mesclando velocidade e uma marcação eficaz. O trio Rinaudo, Elias e Stjin Schaars têm mostrado grande regularidade, atuando bem tanto quando a equipe precisa retomar o controle da bola como na saída com ela, para municiar os homens de frente. Capel e o jovem peruano André Carrillo – a quem o eterno ídolo bicolor Teófilo Cubillas aponta como seu “substituto” – caem pelas pontas, auxiliando o faro de gol de van Wolfswinkel. Atrás, Oguchi Onyewu tem sido o destaque da zaga, e Emiliano Insuá desbancou Evaldo pela esquerda. Em poucos jogos, já mostrou mais do que o brasileiro em 2010/11.

O que chama atenção também é que a boa fase não está limitada ao cenário nacional. Na Liga Europa, tal qual em 2010/11, o Sporting vem bem e venceu os dois primeiros confrontos. Fora de casa, bateu o Zurich. No Alvalade, surpreendeu a Lazio, rival mais forte da chave – e um dos favoritos ao título da competição. O único porém de momento deste Leão é o “excesso” de vontade. No Campeonato Português como um todo são 20 amarelos, sendo 13 deles (mais um vermelho) nos últimos quatro jogos. Coincidentemente, nas partidas que marcaram a série vitoriosa. Em solo europeu, depois de não contabilizar cartões diante do Zurich, foram mais três amarelos e um vermelho diante da Lazio.

O Sporting ainda não pode ser considerado favorito ao título. Muito porque dos rivais que podem ser considerados mais tradicionais (sem levar em conta os grandes), os Leões só se depararam com Marítimo e Vitória de Guimarães (uma derrota e um triunfo). Pela frente, ainda estarão Nacional e (principalmente) Braga, além da dupla Benfica e Porto – que é quando, de fato, o time de Alvalade poderá efetivamente dizer a que veio. De qualquer forma, resgatando o passado recente do clube e os questionamentos que surgiram à presença do Sporting entre os “grandes”, com a distância cada vez maior para Águias e Dragões, o início de temporada é mais do que motivador na parte verde de Lisboa.

Tarde demais

Depois de renunciar à seleção por não concordar em ser reserva, Ricardo Carvalho colocou, em nosso linguajar, o “rabinho entre as pernas”. Em entrevista ao jornal A Bola desta quinta, o zagueiro revelou que estaria disposto à retornar à equipe das Quinas e admitiu que errou ao tomar a atitude intempestiva de deixar a concentração da forma como as coisas se decorreram. No entanto, conforme sondagem do jornal junto à Federação Portuguesa de Futebol (FPF), enquanto Paulo Bento for o treinador do time, as portas estão fechadas. O que faz algum sentido, visto que na ocasião, Ricardo Carvalho comparara o treinador a um mercenário e que até agora, não emitira nenhum pedido de desculpas à Paulo Bento.

Que o zagueiro do Real Madrid provavelmente iria pedir desculpas e tentar correr atrás da bola, até se imaginava. Que isso ocorreria logo após a primeira convocação “pós-abandono” foi, de certa forma, surpreendente. Quando esta coluna abordou o assunto, concluiu que não havia, nessa polêmica, alguém que saísse fortalecido. Mas com a pronta declaração de Ricardo Carvalho, no entanto, fica claro que é Paulo Bento quem está com a faca e o queijo na mão. E a julgar pela forma como o treinador português recebeu o ocorrido do início de setembro, é bem provável que não abra mão de sua decisão – pelo menos por agora. E, diga-se de passagem, com justiça.

Mais seleção

Nesta sexta-feira, Portugal enfrenta, no estádio do Dragão, a já eliminada Islândia pela sétima e penúltima rodada do grupo H das eliminatórias da Euro 2012. Os tugas lideram a chave com os mesmos 13 pontos de Dinamarca e Noruega, mas estão a frente no saldo de gols. Como os noruegueses já têm sete partidas e os dinamarqueses enfrentam o lanterna Chipre, uma boa vitória diante da Islândia é quase que uma obrigação para que a seleção chegue à rodada final do grupo três pontos a frente da Noruega e com um saldo suficiente para enfrentar a Dinamarca na terça-feira podendo depender de um empate para sacramentar a vaga na próxima Eurocopa.

Dentre os convocados, a novidade é Sereno, zagueiro ex-Porto que defende o Köln. Destaque também para a volta de Ricardo Quaresma. As ausências mais marcantes são as dos madridistas Fábio Coentrão e Pepe, machucados, além de Danny, que chegou a ser chamado para enfrentar Islândia e Dinamarca, mas, por uma “pequena cirurgia” – de acordo com seu clube, o Zenit – acabou pedindo dispensa, dando lugar a Silvestre Varela. No gol, atenção à permanência de Eduardo, reserva do Benfica, na lista de Paulo Bento. Resta saber se o treinador optará pelo arqueiro da seleção na África do Sul como titular, se apostará em Rui Patrício – que até agora vem em temporada irregular – ou se, enfim, dará oportunidade a Beto, hoje no romeno Cluj.

“Derruba-coluna”

O colunista pede desculpas pela ausência na última semana, visto que, por razões profissionais, não foi possível redigir o texto a tempo. Na verdade, foi possível preparar um material no sábado à noite, e o assunto era justamente a situação incômoda vivida pelo Porto – que após a grande temporada 2010/11, vinha de três jogos sem vitórias e de atuações questionáveis nos empates com Feirense e Benfica e na derrota para o Zenit. Contudo, a boa vitória por 3 a 0 sobre a Acadêmica naturalmente “derrubou” a coluna. Não que o tema não mereça reflexão – especialmente se o desempenho contra os Estudantes for “atípico” em relação aos demais. Mas ao que parece, é bom aguardar mais um pouco…
 

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Equipe Trivela

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