Por que contrato de Mourinho com o Benfica inclui ‘surpresa’ sobre rescisão?
Técnico acerta retorno ao clube após 25 anos e firma vínculo até o final do ciclo 2026/27
José Mourinho ficou pouco tempo disponível no mercado. O técnico acertou retorno ao Benfica três semanas depois de ser demitido do Fenerbahçe. O novo capítulo nos Encarnados se inicia neste mês e tem previsão de término no final da temporada 2026/27, segundo comunicado do clube. Porém, há uma “surpresa” no contrato, como definiu o jornal “A Bola”.
O detalhe é que o vínculo entre Mourinho e Benfica pode ser rescindido por qualquer uma das partes 10 dias depois da última partida do time no ciclo vigente, ou seja, ainda em 2025/26.
O clube é Sociedade Anônima Desportiva (SAD), e informou o pormenor em nota à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários de Portugal (CMVM).
Nestes termos, se a gestão dos Encarnados optar por encerrar o contrato, a multa a ser paga ao treinador será “substancialmente menor” do que se a eventual demissão ocorrer em outro período, segundo o jornal. O mesmo vale para Mourinho. Caso decida sair na janela dos 10 dias após o encerramento da temporada, ele deve pagar ao clube uma quantia equivalente.
Mourinho defende que adendo ‘protege’ o Benfica
A cláusula foi inserida devido ao momento político no Benfica. As eleições para a presidência do clube devem ocorrer em 25 de outubro, e sete candidatos pleiteiam o cargo: Cristovão Carvalho, João Diogo Manteigas, João Noronha Lopes, Luís Filipe Vieira, Martim Borges Coutinho Mayer, Paulo Parreira e o atual mandatário, Rui Costa, que busca reeleição.
Rui Costa e Mourinho defenderam que o detalhe no documento “protege” a instituição. “É um contrato com uma grande ética por trás. Só assinei, não elaborei. Só assino o que me agrada, mas tem, da parte do clube, um respeito enorme pelas eleições, pelos sócios que vão concorrer à presidência. Me sensibilizou o contrato ser direcionado por essa ética”, afirmou o técnico durante a entrevista coletiva de apresentação.
— No dia seguinte às eleições, eu serei o treinador do Benfica, mas a presença desse lado ético dá uma facilidade que em outras condições não existiria. Quero trabalhar no Benfica, mas quero que as pessoas estejam no mesmo barco do que eu. Quero cumprir os dois anos e contrato com êxito, e que o clube depois queira renovar comigo.

Na apresentação, a dupla também abordou a parte desportiva. O Benfica era comando por Bruno Lage desde setembro do ano passado, e o treinador registrou bons resultados inicialmente. Porém, ao caminhar para a reta final da campanha 2024/25, a relação começou a ruir internamente e em campo.
A gota d’água do lado da diretoria foi a derrota para o Qarabag na estreia na Champions League em pleno Estádio da Luz. A equipe abriu 2 a 0 no primeiro tempo e não conseguiu sustentar a vantagem. O time do Azerbaijão virou o placar para 3 a 2.
— Depois do jogo da Champions, nosso desejo era já ter um treinador definido na próxima partida. José Mourinho dispensa apresentação. Volta a uma casa que bem conhece, é um dos treinadores mais conceituados a nível mundial. Queríamos um treinador com currículo ganhador e dificilmente encontraríamos um currículo mais vasto do que o dele — disse Rui Costa.
A primeira passagem de Mourinho nos Encarnados, em 2000, durou apenas 11 dias, e ele saiu na época por divergências com a direção. Mais experiente, o português se declarou emocionado com a nova oportunidade e classificou o Benfica como “um dos maiores do mundo”.
— Nenhum dos clubes que tive a oportunidade de treinar me fez sentir mais motivado do que ser treinador do Benfica. A promessa é clara: vou viver para o Benfica, para a minha missão — ressaltou.



