Portugal

Campeão e recordista em Portugal, Gabriel Batista se derrete pelo Flamengo: ‘Eternamente grato’

Goleiro subiu à primeira divisão portuguesa com o Santa Clara, em campanha histórica de acesso, encantando a torcida

Gabriel Batista é um dos nomes para a torcida do Flamengo ficar de olho na próxima temporada. Formado no clube, o goleiro foi considerado o melhor da segunda divisão portuguesa com um Santa Clara campeão e dominante. Agora, o desafio será ainda maior.

Enfrentar gigantes de Portugal, como Porto, Benfica e Sporting, não parece deixar o Garoto do Ninho ansioso. Pelo contrário, traz uma motivação diferente ao atleta. Os tempos de Flamengo, inclusive, fizeram com que ele criasse essa casca. E a gratidão é enorme.

— Já joguei contra essas equipes, então não será uma situação nova para mim. Todo jogador gosta de enfrentar grandes times, e me sinto pronto para esse desafio. Claro que sei os pontos que tenho que melhorar, e já nessas férias venho trabalhando para evoluir nesses aspectos. Nossa projeção é de estar na primeira parte da tabela e consolidar o clube entre os principais do país. Temos qualidade e estrutura para isso — disse, em entrevista exclusiva à Trivela.

Início no Flamengo e histórias

Natural de São Gonçalo, Gabriel Batista seguiu um caminho considerado interessante para jovens goleiros. O começo, na base do Canto do Rio, foi no futsal, algo que favoreceu reflexo e jogo com os pés. Depois de uma passagem pelo Audax, em 2013, o jogador foi contrato no ano seguinte para o sub-15 do Flamengo.

A ascensão foi rápida e meteórica, com apenas três anos de categorias inferiores antes de chegar aos profissionais. Sua primeira oportunidade foi no Carioca de 2018, diante do Volta Redonda, enquanto a chance de peso aconteceu sob a batuta de Jorge Jesus, contra o Goiás, em empate válido pelo Campeonato Brasileiro. Gabriel sofreria o gol da igualdade no fim, pelos pés de Michael, que desembarcaria na Gávea no ano seguinte.

Gabriel Batista viveu momentos importantes no começo da carreira (Foto: Icon Sport)

Esse período, segundo o atleta, foi de muito aprendizado. Gabriel Batista lembra com carinho da parceria com os goleiros da época, especialmente da base. Se Júlio César e Diego Alves contribuíram para o crescimento, Hugo Souza e César mostraram que a união faz a força.

— Nós, que éramos goleiros do Flamengo, sempre fomos muito unidos, todas as gerações. Sempre estivemos juntos e torcemos pelo sucesso uns dos outros e do Flamengo. Tenho um carinho e uma gratidão muito grandes pelo clube, pelas oportunidades e pelo aprendizado. O Flamengo tem uma escola muito boa de goleiros. O clube sempre revelou grandes atletas, e nossa geração está provando isso no futebol mundial. A principal memória é essa, o quanto aprendi e a conexão que tínhamos como grupo — relembrou.

Esse primeiro momento fez com que Gabriel Batista atingisse outro patamar. O jovem goleiro esteve no elenco campeão da Libertadores e do Brasileirão em 2019. Ainda ganhou outra liga nacional no ano seguinte, fora os títulos da Recopa Sul-Americana, Supercopa do Brasil e o tricampeonato carioca, até 2021.

— Sou eternamente grato ao Flamengo. Vivi minha juventude ali, me formei como atleta e como homem. Continuo acompanhando o clube. Meus filhos são flamenguistas. Inclusive, levei-os ao Maracanã nessas férias para torcer pelo Flamengo. Fui ao vestiário para conversar com os amigos que ainda estão lá. É um clube que sempre terá um lugar especial no meu coração. E através dessa transferência, pude ter uma sequência, evoluir como atleta e agora tenho novas aspirações na carreira — analisou.

Gabriel Batista ao lado de Diego Alves e Rogério Ceni, mentores importantes na carreira (Foto: Icon Sport)

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Outros reforços em Portugal

Após passagem curta pelo Sampaio Corrêa, por empréstimo, Gabriel Batista foi vendido ao Santa Clara em agosto de 2022. O goleiro seguiu o mesmo caminho de outros companheiros no mercado português, como Hugo Souza, Otávio, Petterson, e, recentemente, Werton. O Flamengo, por sua vez, manteve 20% dos direitos econômicos do atleta como modelo base das negociações de jovens promessas.

O Garoto do Ninho vê o movimento como natural, assim como pressão similar ao de jogos do Flamengo no Campeonato Brasileiro. O número de oportunidades, contudo, é fundamental para que a confiança seja estabelecida e o nível das atuações aumente.

— A base do Flamengo forma muitos grandes jogadores, e é natural os clubes europeus olharem para esses atletas. Não considero que a pressão seja baixa; ela é tão grande quanto. O Flamengo prepara o jogador para enfrentar exatamente esses momentos. Aqui, por vezes, temos uma sequência maior de jogos, o que ajuda nessa consolidação. Sendo um país de língua portuguesa, também facilita a adaptação, sendo uma liga ideal para entrar na Europa — finalizou.

Gabriel Batista é um dos destaques do Santa Clara, de Portugal (Foto: Divulgação)

Esse modus operandi, inclusive, rende bons frutos ao Flamengo. No caso de Otávio, vendido ao Porto após boa passagem pelo Famalicão, a transação fez com que o Rubro-Negro faturasse quase R$ 20 milhões pelo percentual restante dos direitos econômicos. Gabriel Batista pode ser o próximo da fila.

Passadas as férias no Rio de Janeiro, o goleiro de 26 anos está de volta às terras lusitanas para o início da pré-temporada do Santa Clara. Serão duas semanas de trabalho antes do primeiro desafio de 2024/2025, que será diante do Moreirense, outro clube que integra a primeira divisão de Portugal. A partida acontecerá no dia 24 de julho.

Veja outras respostas de Gabriel Batista à Trivela

Encaixe para ser campeão da segunda divisão
— O aprendizado do primeiro ano, sem dúvidas, fez diferença para mim individualmente. De adaptação, de conhecimento do país e dos adversários. Isso me proporcionou mais conforto e experiência para encarar a Liga Sabseg. O nível e a competição são diferentes da elite em Portugal, e nós encaramos isso dessa forma.

— O trabalho sempre é a resposta. O time manteve um alto nível de concentração em todos os jogos. Tínhamos uma equipe que combinava qualidade técnica com essa entrega. O coletivo fez a diferença e as individualidades apareceram. Parece clichê, mas foi a nossa tônica durante a competição.

Passagem pelo Sampaio Corrêa
— Foram poucos jogos, mas foi um período que me marcou bastante. Por enfrentar desafios diferentes, em uma competição diferente, que tirou o máximo de mim. Também me deu uma bagagem enorme, tanto técnica quanto mental. Vivenciar situações diferente dentro e fora de campo me trouxe essa maturidade maior.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.

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