Portugal

Brasileiros depõe em processo que apura manipulação de resultados no futebol português

Empresário César Boaventura tentou aliciar atletas do Rio Ave para favorecer o Benfica em jogo do Campeonato Português

Dois jogadores brasileiros tiveram que comparecer à Justiça de Portugal para prestar depoimento sobre uma suspeita de manipulação de resultados no Campeonato Português da temporada 2015/2016. Dois jogos são investigados, sendo as vitórias do Benfica sobre o Rio Ave por 1 x 0 no dia 24 de abril de 2016 e o triunfo do time de Lisboa sobre o Marítimo por 2 x 0 no dia oito de maio.

Cássio, ex-goleiro do Vasco da Gama, do Bangu e do Macaé e Marcelo, zagueiro que também jogou no Cruzmaltino e no Rio Preto-SP, estavam no Rio Ave, quando receberam uma oferta do empresário César Boaventura para favorecer o Benfica, o que traria ganhos financeiros ao aliciador. Os jogadores foram ao Tribunal de Matosinhos nesta quarta-feira (10) para prestar esclarecimentos sobre o fato.

O goleiro Cássio falou ao jornal “Público” de Portugal e deu detalhes sobre a tentativa de aliciamento por parte do empresário. Nas palavras do arqueiro, César Boaventura lhe daria 60 mil euros e em troca ajudaria o Benfica a vencer o jogo, não importando de que maneira faria isso. O brasileiro negou prontamente a oferta, ao passo que o empresário disse que tentaria fazer a mesma oferta a outros dois jogadores, no caso o zagueiro Marcelo e o lateral-direito Lionn.

“Ele tinha interesse que o Benfica vencesse o jogo e disse para fazer o que tivesse de fazer. Eu disse que não, pedi que saísse do carro e ele disse que, se não aceitasse, o Marcelo e Lionn aceitavam”, revelou o goleiro.

Marcelo achou que a proposta de manipulação de resultado feita pelo empresário português fosse uma brincadeira, testemunho que contrariou o que o jogador disse em 2017, quando afirmou ter recebido uma oferta séria do agente. Na época, o pedido para o defensor foi que cometesse um pênalti no mesmo jogo diante dos Encarnados. O zagueiro brasileiro disse que recebeu uma ligação de César Boaventura, mas que não queria falar naquele momento para se concentrar na partida.

“Ele ligou e apresentou-se, perguntou se estaria interessado numa proposta de fora. Eu disse-lhe que aquela não era uma boa semana, que tinha jogo”, disse Marcelo.

Mais dois jogadores serão ouvidos na 2ª fase do julgamento

Na segunda fase do julgamento, prevista para acontecer no dia 17 de janeiro, mais dois jogadores devem ser ouvidos pelas autoridades sobre a tentativa de aliciamento por parte de César Boaventura. O lateral-direito Lionn, que naquela época defendia o Rio Ave e Salin, goleiro que estava no Marítimo, também darão as suas versões dos fatos.

Ainda segundo as acusações feitas contra Boaventura, o empresário teria se comprometido a conseguir um contrato aos jogadores que receberam a proposta em um clube fora de Portugal no valor de 300 mil euros. Os planos do agente não foram concluídos, já que nenhum dos quatro atletas aceitaram a oferta. Este é o segundo processo movido contra César Boaventura. O empresário também é réu na Operação Malapata e foi acusado pelo Ministério Público por dez crimes, sendo cinco por fraudes qualificadas, três por falsificação de documentos, uma de fraude fiscal e outro por lavagem de dinheiro.

Segunda divisão do Campeonato Português de 2016 foi manchado por corrupção

A manipulação de resultados não atingiu somente a elite do futebol português em 2016, na realidade, o que está sendo investigado este ano é parte do que começou a ser feito há quase oito anos, quando vários escândalos de corrupção em diversos jogos atingiu a II Liga (segunda divisão do Campeonato Português). A Operação Jogo Duplo, deflagrada na época, apurou vários crimes de corrupção passiva e ativa cometido por dirigentes e jogadores.

Na época, diversos indivíduos foram presos suspeitos de participarem de forma ilícita do funcionamento de um sistema de manipulação de resultados na qual os atletas aliciados recebiam cerca de 3500 euros para fraudarem resultados, enquanto os líderes da organização lucravam milhões a partir de apostas falas nas mais variadas casas de apostas em uma ação muito parecida com a investigação feita pela Operação Penalidade Máxima em 2023.

 

 

Foto de Lucas de Souza

Lucas de Souza

Esse é Lucas de Souza, redator e repórter do Futebol na Veia e da Trivela. Jornalista especializado em Marketing digital é também narrador do Portal Futebol Interior e da RP2Marketing.
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