Os clubes da primeira divisão da Europa tiveram um lucro conjunto pela primeira vez, depois de anos tendo prejuízos até a implantação do Fair Play Financeiro, segundo relatório divulgado pela Uefa sobre o ano financeiro de 2017. O documento analisa cerca de 700 clubes de primeira divisão de todos os 55 países membros da entidade que dirige o futebol europeu.

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O lucro conjunto dos clubes chegou a € 615 milhões, o que causa uma mudança significativa no relatório de 2008 a 2011, quando o total de dívida somada dos clubes tenha sido de € 5 bilhões, ainda segundo a Uefa. Foi justamente esse crescimento galopante dos prejuízos dos clubes que fez a Uefa implantar o sistema de Fair Play Financeiro, que gradativamente impôs um limite de prejuízo, sob ameaça de multa, redução do número de inscritos e, em último caso, exclusão de competições europeias.

Na temporada 2016/17, as receitas dos clubes cresceram mais rápido que os salários pagos aos jogadores, o que reverteu a tendência anterior ao Fair Play Financeiro, quando os gastos com salários aumentavam em um ritmo maior que as receitas a cada ano. “A saúde dos clubes europeus melhorou dramaticamente desde 2012”, afirmou Sefton Perry, chefe do centro de análise de inteligência da Uefa.

O relatório trata também do aumento faz receitas comerciais. Os 20 clubes da Premier League chegaram a um total de € 5,3 bilhões no ano financeiro de 2016/17, o mais recente com informação disponível. É quase o dobro da segunda liga que mais arrecadou, La Liga, com € 2,9 bilhões. Os times da Bundesliga vêm logo em seguida, com € 2,8 bilhões. A Serie A, da Itália, faturou € 2,1 bilhões e a Ligue 1 € 1,6 bilhão. Em toda a Europa, apenas Barcelona, Juventus e Real Madrid receberam mais dinheiro de TV da sua liga local que o 20º colocado da Premier League, Sunderland, que recebeu cerca de € 100 milhões.

Há boas notícias, como um ano recorde de pessoas nos estádios na temporada 2017/18, com mais de 105 milhões de pessoas presentes nos jogos. Por outro lado, o relatório mostra que as diferenças de receitas entre as ligas estão aumentando. Um dos dados que mais chama a atenção é que os 12 clubes com maiores patrocínios representam 39% do total de receitas de patrocínio e comerciais por toda a Europa. Quase o dobro dos 22% que representavam no relatório de 10 anos atrás.

“As edições recentes deste relatório trouxeram desafios da polarização e do equilíbrio competitivo em foco, ilustrando como as brechas financeiras são aumentadas pela globalização e a mudança tecnológica, e é ainda mais essencial que todas as partes trabalhem juntas para manter o futebol forte em cima e embaixo da pirâmide”, declarou Aleksander Ceferin, presidente da Uefa.

“O futebol nunca será igual, não vive em uma bolha, mas eu verdadeiramente acredito que é o papel da Uefa como guardiã do esporte na Europa garantir que o futebol em cada um dos 55 membros possa explorar o seu potencial total, e nós trabalhamos para apoiar isso”, disse ainda o dirigente.

Há uma queda de braço intensa na Europa entre os clubes mais ricos, que ameaçam montar uma liga paralela à Champions League com as principais agremiações, enquanto a Uefa quer estabelecer formas de melhorar a competitividade nas suas competições e entre as ligas.

Entre os patrocinadores, o relatório mostra a prevalência de empresas de apostas. Esse setor de empresas está presente, como patrocinador, em 26 ligas europeias, sendo que em 10 delas é o tipo de patrocínio mais comum. A Premier League, por exemplo, tem nove dos seus 20 clubes patrocinados por empresas de apostas. Só a liga da Bulgária tem um número maior de times patrocinados por casas de apostas.