Jogo de Israel nas Olimpíadas exige esquema ‘antiterrorista’ e proteção 24 horas contra protestos
Autoridades da França reforçam segurança de atletas israelenses, incluindo de futebol, para evitar ataque de manifestantes pró-Palestina
A presença da delegação de Israel nos Jogos Olímpicos 2024 exige das autoridades francesas um esquema verdadeiramente “antiterrorista“, conforme definiu o Ministro do Interior francês, Gérald Darmanin.
As pressões são altíssimas de grupos e políticos pró-Palestina por conta da guerra em Gaza, iniciada em 7 de outubro de 2023 pelo ataque do grupo terrorista Hamas no território israelense. O conflito permanece até hoje e mais de 35 mil palestinos morreram.
O esquema especial de segurança começou já nesta quinta-feira (24), o primeiro dia de Olimpíadas, com a primeira apresentação de Israel através da seleção de futebol contra Mali (empate por 1 a 1), no Parque dos Príncipes, partida classificada como de “alto risco”.
Cerca de 1000 policiais foram escalados para realizar a segurança e conter confusões. Uma fonte policial disse à agência AFP que as autoridades esperam “ações e distúrbios ao redor do estádio”.
— Os sistemas de proteção para a delegação israelense, suas equipes, os árbitros e os membros do comitê olímpico estão todos em vigor. […] Todas as competições têm um plano de segurança, mas é verdade a partida no Parc des Princes, terá [mais] segurança, um perímetro antiterror. — disse Darmanin.
Antes do jogo iniciar, foi possível ouvir vaias contra o hino de Israel e ver várias bandeiras da Palestina, além de um grupo de torcedores vestido com letras que formam a frase “Free Palestine”.
Já com a partida em andamento, sugiram nas redes sociais vídeos de confusões entre fãs israelenses e de outros países.
Importante citar que Mali, um país 95% muçulmano e ex-colônia da França, cortou relações diplomáticas com Israel em 1973, por conta da Guerra do Yom Kippur, conflito entre tropas do Egito e da Síria contra os israelitas em Suez.
BREAKING:
People are trying to attack Israeli fans at the Paris Olympics.
Not enough free space has been made in the stands to stop attempts at attacking Israeli fans watching the football match between Israel and Mali pic.twitter.com/VHHrGu2zfb
— Visegrád 24 (@visegrad24) July 24, 2024
Além do esquema para os dias de jogos, todos os atletas de Israel contam com segurança pessoal da polícia de elite francesa, seja dentro da Vila Olímpica ou quando deixam o complexo.
O Comitê Olímpico Israelense já contrata segurança para os atletas desde 1972, quando, em Munique, a delegação sofreu um atentado de um grupo terrorista palestino que vitimou 11 pessoas.
Uma autoridade de Israel disse à Reuters que o investimento na proteção dos competidores aumentou “substancialmente” para Paris em comparação às Olimpíadas de Tóquio.
— Tomamos esta decisão porque sabemos muito bem que os atletas israelitas têm sido, desde os Jogos de Munique [1972], mas muito recentemente, particularmente alvo de ataques. Protegeremos todas as equipes e indivíduos. — reafirmou o ministro do interior da França.

Na coletiva de imprensa prévia ao jogo desta quarta, os assessores de imprensa israelenses tentaram evitar perguntas sobre política gritando “só futebol”, mas não foi o suficiente para parar as questões dos repórteres.
Questionados sobre se sentirem seguros, os jogadores se mostraram confortáveis e fugiram de qualquer polêmicas.
— Viemos aqui para vencer e conquistar coisas com este time e estamos muito animados. Temos um trabalho a fazer — afirmou Omri Gandelman, meio-campista do Gent.
— Será uma ótima atmosfera e tenho certeza de que teremos muitos torcedores. Não nos importamos com o que acontece ao nosso redor — reiterou o técnico Guy Luzon.
« 𝗙𝗥𝗘𝗘 𝗣𝗔𝗟𝗘𝗦𝗧𝗜𝗡𝗘 » 🇵🇸
Le message déployé par des supporters en tribunes au Parc des Princes pour Mali 🇲🇱 – 🇮🇱 Israël.
📸 @sebferreira23 pic.twitter.com/sbPhANeff5
— Actu Foot (@ActuFoot_) July 24, 2024
Palestina solicitou exclusão de Israel ao COI
No começo desta semana, o Comitê Olímpico Palestiniano solicitou a COI (Comitê Olímpico Internacional) a exclusão dos israelitas da competição, justificando os bombardeios de Israel em áreas civis em Gaza violou a trégua olímpica.
O pedido não foi apenas ao COI, mas também para a Fifa, entidade máxima do futebol que permite que Israel jogue as competições da Uefa e amistosos e, ao mesmo tempo, mantém banida a Rússia pela invasão na Ucrânia em 2022.
Thomas Bach, presidente da entidade máxima do esporte olímpico, argumentou que o COI não deve entrar em discussões políticas.
— Os Jogos Olímpicos não são uma competição entre países, mas sim uma competição entre atletas, designados pelos comitês olímpicos nacionais. […] Se nós entrássemos na discussão política, sobre guerras e conflitos, na cerimônia de abertura na sexta-feira, nós poderíamos contar com 100 comitês olímpicos nacionais, e não 206, devido aos muitos conflitos e guerras no mundo — disse o mandatário em entrevista coletiva.



