Olimpíadas

Gignac: “Não há segredos no futebol: o Japão joga junto há muito tempo e está mais preparado às Olimpíadas”

Principal estrela da França, eliminada na fase de grupos, Gignac elogiou o Japão e cobrou maior colaboração dos clubes

A França se despediu precocemente do torneio de futebol masculino dos Jogos Olímpicos e saiu como uma das grandes decepções. Os Bleus tiveram uma série de percalços em sua caminhada, sobretudo pela recusa de alguns clubes na liberação de seus jogadores. Com uma convocação reformulada e também limitada pelas competições internacionais recentes, os franceses seguiram ao Japão com um time bem aquém do potencial que poderia ter. Acabaram eliminados, num grupo em que Japão e México se mostraram bem mais preparados ao desafio. Principal figura da equipe nacional na competição, André-Pierre Gignac não poupou críticas às dificuldades na preparação e no planejamento dos franceses.

Gignac ainda conseguiu garantir a única vitória da França, com uma tripleta no apertado triunfo por 4 a 3 sobre a África do Sul. Porém, a equipe perdeu por 4 a 1 na estreia diante do México e saiu goleada pelo Japão por 4 a 0, no compromisso que selou a eliminação. O veterano afirmou que o parco resultado nada mais é que o reflexo ao redor da preparação dos times. Elogiou japoneses e mexicanos, mas salientou como os franceses deixaram a desejar em diferentes aspectos rumo às Olimpíadas.

“Não devemos buscar desculpas. O Japão atuava em casa, estava mais preparado, decidiu convocar uma grande equipe. Coletivamente, eles são muito fortes. Começaram a treinar em junho, fizeram meia dúzia de amistosos. Não há segredos no futebol: eles jogam juntos há muito tempo e estão mais preparados à competição”, afirmou Gignac. Vale ressaltar que, além dos amistosos recentes, o Japão realizou um trabalho mais longo para moldar seu time olímpico. O técnico Hajime Moriyasu aproveitou diversos compromissos da equipe principal, a qual também dirige, para talhar seus jogadores – a exemplo da Copa América de 2019.

Gignac, além do mais, apontou como os clubes deveriam se disponibilizar mais para um melhor resultado dos Bleus: “Caímos para um adversário mais forte que nós. Na primeira partida, também perdemos para um adversário mais forte. Só espero que em 2024 os clubes sejam um pouco mais compreensivos com os Jogos Olímpicos. Eu vim para dar o meu melhor, para superar a fase de grupos. Vim para trazer uma medalha para a França. Porém, nestas condições, é muito complicado”.

Esta foi a primeira participação da França no futebol masculino dos Jogos Olímpicos desde a aparição em Atlanta-1996. Foi também a pior campanha dos Bleus em 69 anos na competição. Ainda que os franceses não tenham classificações tão frequentes, possuem como seu maior feito o ouro conquistado em 1984, na decisão contra o Brasil em Los Angeles.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo