Olimpíadas

Inspirada em Vini Jr, Gabi Nunes teve árdua trajetória até brilhar nas Olimpíadas

Atacante superou três lesões no ligamento do joelho e investe em equipe pessoal para fortalecer físico

No primeiro jogo da Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de Paris, nesta quinta-feira (25), só foram sorrisos para Gabi Nunes. E muito justificado: a atacante marcou o único gol da vitória sobre a Nigéria.

Para melhorar, foi um verdadeiro golaço. Ao receber um passe mágico da Rainha Marta, invadiu a área e mandou uma bomba no ângulo.

Sorriso, comemorações e abraços das companheiras, seguido de uma emoção sem igual ao término do jogo.

Em entrevista ao SporTV após a vitória, Gabi se definiu como um “milagre” pelos problemas físicos que passou nos últimos anos até a estreia em Olimpíadas hoje.

— Estou segurando para não chorar. Primeiramente porque eu sou um milagre. Quem sabe a minha história, sabe o quanto queria estar aqui e viver esse momento — disse, com lagrimas nos olhos.

A centroavante, ainda jovem pelo Corinthians, acumulou inacreditáveis três lesões de ligamento cruzado no joelho seguidas. Foram duas no esquerdo, e a última, em 2019, no direito.

No total, passou praticamente três anos só se recuperando das lesões e sofreu um baque emocional pelo período inativa.

À CBF TV em 2023, assumiu que os problemas físicos lhe faziam temer se conseguiria voltar a jogar futebol.

— As lesões foram o maior desafio enfrentado na minha vida. Sem saber se eu ia voltar ou não a jogar, se ia ser a mesma jogadora ou se voltaria para Seleção. Eram várias incertezas na minha cabeça de saber se eu ia voltar a fazer o que eu amo, que é jogar futebol — contou.

A dedicação de Gabi Nunes, também apoiada pela fé, garantiu para ela o retorno triunfal em 2020, com 19 gols pelo Alvinegro, e no ano seguinte veio a mudança para o Madrid CFF.

Em 2022, porém, sofreu um edema na coxa que a fez ser cortada da Copa América, conquistada posteriormente pelo Brasil.

Isso ligou um alerta na atacante, que se inspirou em um craque do futebol masculino para fortalecer seu físico.

Gabi Nunes montou estafe individual para se manter saudável

Faltava um ano para Copa do Mundo após corte. Gabi sabia que não poderia mais perder competições pela seleção brasileira.

Ainda pelo Madrid, ao ver que Vinicius Júnior tinha uma equipe individual para cuidar do corpo também quando estivesse fora do clube, a atacante contratou um preparador físico, um fisioterapeuta e um analista de vídeo.

— Eu já tive lesões no passado, e depois que eu comecei a fazer essa preparação nunca mais tive problemas. A Copa América foi um gatilho pra mim, pensei: ‘Não posso mais perder momentos importantes na carreira, então vou começar a investir nessa parte’ — contou a jogadora ao ge em maio, emendando:

— O futebol masculino tem muito isso, e no meu primeiro ano no Madrid CFF eu vi o Vinícius Júnior fazendo esse trabalho quando estive na casa dele. Eu vi a estrutura que ele tinha, e que isso fazia mesmo a diferença. Por isso, decidi buscar para mim também. Claro que a diferença de salário é grande, ele pode ter tudo em casa, tranquilo. Mas eu busquei a melhor forma de fazer, e isso foi muito importante para mim — finalizou.

Segundo o ge, a atleta investe 15% do salário nesta comissão, que agora também conta com um coach especializado em futebol.

E tem dado resultado para a artilheira. Após começar a preparação individual no início de 2023, marcou quatro gols pela Seleção Brasileira, metade do que tinha feito antes, além de uma assistência. No período, jogou sua primeira Copa e agora vive o sonho olímpico.

Pelo Levante, seu atual clube, vem da melhor temporada desde 2020: marcou 16 gols e distribuiu 4 assistências em 34 jogos.

Provavelmente com Gabi Nunes titular, o Brasil de Arthur Elias volta a campo neste domingo (28) contra o Japão e fecha o grupo com as espanholas, atuais campeãs do mundo, em 31 de julho.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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