E se o futebol masculino nas Olimpíadas, ao invés de sub-23, virasse um torneio de masters?
A partir da sugestão de um leitor, imaginamos como seriam as seleções se a "Copa Pelé" fosse abraçada pelo programa olímpico, com atletas acima dos 35 anos

O torneio de futebol masculino nos Jogos Olímpicos, da maneira como é moldado, parece fadado a perder cada vez mais importância. Por mais que a limitação de idade tenha o intuito de viabilizar os jogadores, não é isso o que acontece. E a edição do Rio de Janeiro demonstra bem isso. Não são todas as seleções que vêm com força máxima para a faixa etária e vários foram os talentos barrados por seus clubes. O Brasil conta, sim, com um time candidato ao ouro. Mas esperava-se um pouco mais de qualidade nos concorrentes. Argentina e Portugal, especialmente, são os que mais perdem sem os nomes de fora.
Há 500 dias, tivemos um devaneio aqui na Trivela – e estávamos bem cientes que era uma ideia inviável. Mesmo assim, resolvemos imaginar como seria o futebol nas Olimpíadas se retomasse o regulamento de 1984 e 1988, quando podiam ser chamados quaisquer atletas que nunca haviam entrado em campo por uma Copa do Mundo. Os elencos seriam ainda mais estrelados. Mas, obviamente, os imbróglios cresceriam e as liberações não aconteceriam.
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Aquela matéria, no entanto, serviu de trampolim para uma baita ideia. O leitor Alexandre Pessoa sugeriu: e se o futebol nas Olimpíadas se transformasse em um torneio de masters? Uma viagem, mas que ficaria bem mais interessante. O retorno de um mundialito do tipo, inclusive, foi especulado nos últimos meses, a ser realizado no Catar. Dentro do programa olímpico, seria uma oportunidade de agregar atratividade à disputa e escapar das brigas com os clubes. Não haveria o máximo desempenho físico, como sugere o ideal olímpico, enquanto a competitividade seria nebulosa. Mas elevaria o nível técnico e ainda rechearia a Vila Olímpica de lendas. Resta saber se muitos abririam mão da aposentadoria (ou dos novos empregos) para representar o país.
A partir da sugestão, entramos na brincadeira: imaginamos convocações e possíveis times. Como parâmetro, pegamos a clássica Copa Pelé, que aceitava jogadores a partir de 35 anos, ainda atuando profissionalmente ou não. Assim, só foram listados futebolistas nascidos antes de 01/01/1982. Além disso, para delimitar um pouco o escopo, traçamos os elencos com limite de 45 anos de idade – algo que, na realidade, dependeria mais das condições físicas de cada atleta. A exceção ficou apenas para o mítico Kazu Miura, que segue jogando aos 49.
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Basicamente, as seleções espelharam o cenário do futebol mundial entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000. O Brasil contaria com um esquadrão, perdendo apenas Cafu dentre os protagonistas do pentacampeonato mundial. Mas teria trabalho para medir forças com outras potências da época, como França, Itália e Argentina. Enquanto isso, o impacto das mudanças em países secundários se nota maior. Paraguai e República Tcheca, por exemplo, seriam bem mais fortes do que Chile e Bélgica.
Abaixo, os convocáveis. No caso do Brasil, listamos as possibilidades posição por posição, priorizando aqueles com passagem pela Seleção e também dando ênfase aos ainda na ativa. Para outras nove seleções presentes nos Jogos do Rio de Janeiro, assim como para os ex-campeões mundiais ausentes e para a Holanda, montamos um time titular e mencionamos outras opções para o banco. No mais, também apontamos alguns dos principais nomes que estariam nos demais participantes das Olimpíadas de 2016.
Fica em aberto o formato de disputa. O próprio passado poderia servir de critério técnico para a participação, com base nos times que tiveram sucesso na Copa do Mundo ou nos torneios continentais. Talvez a melhor maneira de definir os astros aptos a agregar nas Olimpíadas.

O Brasil dos masters (nascidos entre 1971 e 1981)
Goleiros: Júlio César, Dida, Rogério Ceni, Marcos, Helton, Gomes, Fernando Prass, Fábio.
Laterais direitos: Maicon, Cicinho, Zé Maria, Belletti, Evanilson, Léo Moura, Mancini.
Zagueiros: Lúcio, Juan, Roque Júnior, Edmilson, Luisão, Cris, Fábio Luciano, Durval.
Laterais esquerdos: Roberto Carlos, Júnior, Kléber, Zé Roberto, Sylvinho, Maxwell, Serginho.
Volantes: Gilberto Silva, Emerson, Flávio Conceição, Vampeta, Renato, Josué, Mineiro, Edu, Tinga, Kleberson.
Meias: Ronaldinho, Rivaldo, Juninho Paulista, Juninho Pernambucano, Alex, Elano, Giovanni, Ricardinho, Felipe.
Atacantes: Ronaldo, Denílson, Edmundo, Luis Fabiano, Amoroso, Luizão, Jardel, Elber, Ricardo Oliveira, Grafite, Magno Alves.



