O Tottenham fez o jogo dos sonhos de Mourinho: anulou o ataque do City e, implacável em seus avanços, venceu sem margem às dúvidas

José Mourinho e Pep Guardiola mediram forças mais uma vez neste sábado, pela Premier League. O português conquistou uma vitória categórica contra seu grande adversário à beira do campo, e bem ao seu gosto. O Tottenham deu um show de eficiência no norte de Londres. Fez um trabalho praticamente perfeito na marcação para neutralizar a posse de bola do Manchester City e, mesmo saindo pouco ao ataque, matou o jogo em suas precisas estocadas. A fase inspirada de alguns jogadores faz a diferença, em especial do agora maestro Harry Kane. Triunfo indiscutível por 2 a 0, que coloca os londrinos na liderança provisória do Campeonato Inglês.

O Tottenham entrou em campo praticamente completo, exceção feita a Matt Doherty, que contraiu COVID-19. O meio-campo mantinha a combatividade com Moussa Sissoko e Pierre-Emile Hojbjerg, além de Tanguy Ndombélé mais adiantado. Steven Bergwijn e Son Heung-min ocupavam as pontas, com Harry Kane na frente, mas recuando para armar. Já o Manchester City tinha mais desfalques. Os Citizens entraram com um ataque formado por Riyad Mahrez, Gabriel Jesus e Ferran Torres, enquanto Sergio Agüero aparecia no banco, recuperado de lesão. O destaque ficava à trinca de meio-campo composta por Kevin de Bruyne, Rodri e Bernardo Silva.

O começo do jogo apresentaria logo de cara as estratégias de ambas as equipes. O Tottenham recuava sua marcação e deixava a bola com o Manchester City, que tentava achar os espaços. E o gol precoce ajudaria os Spurs em sua ideia. Logo na primeira chance clara, os londrinos balançaram as redes. Ndombélé descolou um excelente lançamento em profundidade e Son rompeu a linha de impedimento, com os defensores adversários cochilando. O sul-coreano ficou de frente para Ederson e tocou por baixo, na saída do goleiro.

O Manchester City tentou a resposta imediata, mas a defesa do Tottenham fazia muito bem seu trabalho para fechar as brechas, sem permitir a criação dos adversários. Notava-se muita atenção e vibração entre os defensores londrinos. E quase os Spurs ampliaram numa jogadaça construída desde o campo de defesa, aos 13. A equipe trocou passes com muita qualidade e velocidade, escapando da pressão até que Son rolasse para Harry Kane na área. Todavia, o centroavante estava ligeiramente impedido e seu tento terminou anulado. Com o domínio territorial, os Citizens sofriam para transformar a posse em oportunidades.

Aos 27, o City até chegou a comemorar brevemente o empate. Numa bola cruzada, Gabriel Jesus recebeu e teve todo o tempo para rolar à batida de Aymeric Laporte, rumo às redes. Porém, o VAR flagrou o domínio com o braço do brasileiro. Exceção feita a este lance, a marcação do Tottenham se dava muito bem e acompanhava o ritmo dos Citizens, embora os contra-ataques dos londrinos fossem raríssimos. Com a vantagem no placar, ao menos, o time da casa pouco se expôs ao empate. No fim, os celestes tentariam algumas finalizações, mas nada que realmente testasse Hugo Lloris.

O segundo tempo viu o Tottenham se soltando um pouco mais durante os primeiros minutos, à medida que o Manchester City pouco aproveitava seus ataques. Os celestes erravam demais na construção das jogadas e viam o relógio correr sem uma reação concreta. O time não conseguia concluir de maneira clara, com os Spurs sempre a tempo de travar, aplicados e garantindo muita intensidade. Son levaria muito mais perigo depois de uma enfiada de Kane, ao passar por Ederson, mas adiantar demais a bola e permitir à zaga se recompor. Aos 20, Mourinho trocaria Ndombélé por Giovani Lo Celso. E a mudança levaria um minuto para fazer efeito, com o gol imediato do argentino.

O tento surgiu em mais um contra-ataque, após um passe errado de Mahrez na frente. Toby Alderweireld lançou de primeira e Kane puxou o avanço pelo meio, como um armador. O centroavante viu muito bem a passagem de Lo Celso em velocidade na esquerda. Aproveitando o buraco na zaga, o passe veio na medida para o argentino, que não teve muito trabalho para superar Ederson. Foi a nona assistência do centroavante na Premier League.

Só depois Guardiola acionaria seu banco, com as incursões de Raheem Sterling e Phil Foden. Pareceu tarde demais. Enquanto isso, Mourinho renovava sua velocidade aos contragolpes com Lucas Moura, além de tirar Alderweireld, após o zagueiro sentir lesão. Os rumos da partida não mudariam, entre uma defesa aplicada e um ataque inoperante – Agüero sequer entrou. Quando precisou trabalhar, Lloris foi brilhante, pegando o desvio de Rúben Dias já nos acréscimos e negando o gol de honra aos visitantes. Ficaria nisso.

O Tottenham fecha o sábado na liderança da Premier League, com 20 pontos. A invencibilidade na competição chega ao oitavo compromisso consecutivo, com uma sequência de quatro vitórias, e a equipe de José Mourinho ainda tem o segundo melhor ataque do campeonato. Os Spurs esperam o resultado entre Leicester e Liverpool neste domingo, com a chance de manter a posição em caso de empate. Já o Manchester City é o décimo, com 12 pontos e saldo de gols negativo neste momento. Há uma natural cobrança ao fraco rendimento dos celestes. Na próxima rodada, enquanto o Tottenham terá parada dura contra o Chelsea em Stamford Bridge, o City tentará se recuperar em casa contra o Burnley.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore