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Zé Sérgio: “Kashiwa treinava em campo de beisebol”

Adversários nas semifinais do Mundial de Clubes nesta quarta-feira, Santos e Kashiwa Reysol têm mais coisas em comum do que um primeiro olhar desatento pode sugerir. Jogadores como César Sampaio, Reinaldo, Antônio Carlos, Careca e Cléber Santana atuaram pelos dois clubes durante suas carreiras, com os dois últimos fazendo o caminho direto do Japão para a Vila Belmiro. O primeiro a vestir as duas camisas, no entanto, foi Zé Sérgio, ponta-esquerda rápido, driblador e destro que fez muito sucesso nas décadas de 70 e 80 e disputou a Copa do Mundo de 1978 com a Seleção Brasileira.

Mais identificado com o São Paulo, clube que defendeu durante oito anos e do qual é técnico do sub-20 atualmente, Zé Sérgio defendeu o Santos por três anos. Por lá, foi campeão paulista em 1984 e ficou até 1986, antes de ter uma rápida passagem no Vasco e rumar para o Japão, em 1988. Na ocasião, o Kashiwa Reysol ainda se chamava Hitachi e o futebol ainda vivia a era do amadorismo. As condições de trabalho da época estavam a anos-luz de distâncias do que se oferece em 2011, apenas 23 anos depois. O ex-ponta, que atuou como jogador por lá entre 1989 e 1991, relata a situação que vivia.

“Treinávamos em um campo de beisebol, a gente carregava as traves, e a estrutura era muito precária. A J-League nem existia. Tive a oportunidade de acompanhar e participar dessa evolução”, afirma Zé Sérgio, que foi o segundo brasileiro famoso a ir para o Japão, depois de Oscar e antes de Zico, que chegou em 1991 para defender o Kashima Antlers. Após a criação da J-League, em 1993,  o ex-ponta se tornou técnico da equipe e conseguiu tirar Careca do Napoli, onde era ídolo,  para atuar no Kashiwa Reysol, juntamente com outros brasileiros, como o meia Aílton, ex-Flamengo, Fluminense e Grêmio, e o volante Régis, ex-Botafogo de Ribeirão Preto.

Perguntado sobre o atual momento do Kashiwa, que conquistou pela primeira vez o título japonês em 2011 logo após subir da segunda divisão em 2010, Zé Sérgio mostrou-se feliz com a evolução do futebol japonês, mas afirmou que os brasileiros ainda possuem um papel determinante por lá, assumindo o papel de protagonistas na maioria das equipes da primeira divisão.

“Lá, os japoneses conseguem equilibrar as partidas, e os brasileiros desequilibram. A prova disso é que o Leandro Domingues foi eleito o melhor jogador do campeonato. O trabalho do Nelsinho é excelente, ele trabalhou por lá no início da J-League e conhece bem a realidade do futebol japonês. Fico contente pelo sucesso dele.”, analisa o técnico, lembrando da passagem de Nelsinho Baptista, atual técnico do Kashiwa, pelo Verdy Kawasaki, que tinha o também brasileiro Bismarck como principal jogador.

Apesar de toda a ligação com o futebol japonês, Zé Sérgio não esconde que torcerá para o Santos na partida, e argumenta sobre a opção. “Além do carinho que tenho pelo Santos, clube que defendi por três anos, o Muricy, que é meu amigo e jogou comigo no São Paulo, estará no comando. E torço acima de tudo pelo sucesso do futebol brasileiro. Quanto mais os times daqui conquistarem títulos importantes, mais os profissionais serão valorizados no mercado nacional e internacional”, justificou, dizendo que acredita na vitória santista, mas que, além do time, o clima poderá ser um adversário chato dentro de campo. “O frio do Japão é mais forte, intenso. Atrapalha bastante, sobretudo quando os jogadores não estão acostumados, o que é o caso do Santos”,  completou.

Jamelli será homenageado

O ex-atacante Jamelli, que também atuou por Santos e Kashiwa Reysol, será homenageado antes do confronto pelo clube japonês. Vice-campeão brasileiro em 1995 pelo Santos, ele passou pelo Kashiwa entre 1996 e 1997, antes de se mudar para o Zaragoza, onde fez sucesso. Recentemente, Jamelli aceitou o convite do Marcílio Dias, de Santa Catarina, e será o treinador do clube no Campeonato Estadual.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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