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Zanetti: “meu marketing é meu trabalho”

Ah, então…. Arthur Zanetti começa assim todas as respostas. A impressão que fica é que ele está pensando, está buscando a melhor coisa a falar. Não quer sair do foco, repete sempre. Não gosta de marketing e não se sentiria bem com apelidos como Rei Arthur ou Senhor dos Aneis. Ainda bem que resisti ao apelo fácil do clichê.

Impossível pensar em Arthur Zanetti comemorando um ouro olímpico com o furor de Usain Bolt ou com gestos visando a televisão. “Não sou como o Bolt. Não sei se o marketing ajudaria meu esporte. O que posso fazer é continuar trabalhando e conquistando bons resultados. Isso eu faço melhor do que falar muito”.

Não fala muito, mas vai direto ao ponto. “Minha medalha pode abrir algumas portas,  mas quem precisa de ajuda é a base da ginástica. Não corre risco de acabar, mas é bom cuidar dos jovens atletas que estão por aí”.

Marcos Gotto, técnico de Zanetti, pede a palavra e explica melhor o que significa “jovens atletas”. Ele não está falando de 2016. “Esquece essa historia de que vai pegar um garoto de 12 anos e transformar em um atleta olimpico para 2016. Não dá tempo. Esse já está formado. Precisa pensar em 2020. O Arthur não precisa de nada, mas tem de olhar para a turma bem mais nova”.

E, como se formou sem ajuda de ninguém, o ginasta não aceita pressão sobre si para o bicampeonato no Rio. “Não existe pressão alguma. Em uma final olímpica todos podem vencer, então não há fracasso. Eu vou fazer o que faço sempre. O meu melhor para conseguir a classificação e novamente o meu melhor para ganhar. Se não ganhar, tudo bem, já terei cumprido meu papel”.

Arthur, teu nome é trabalho. A volta ao Brasil terá apenas um dia de folga. Depois, volta aos treinos até o final do ano, quando, então, descansará. Marcos Gotto marca duro. Permitiu que Zanetti comesse brigadeiro, seu doce favorito, ontem. Mas reclamou do tamanho do presente que ganhou do COB, um enorme prato de brigadeiro. Grande como se fosse açaí.

Reclamou, mas deixou. E ficou claro que, evidentemente, vai apertar nos treinos para evitar surpresas. Esses dois falam que pressão não existe, que ninguem tem obrigação de nada, mas vão lutar muito para defender, no Rio, o que conquistaram aqui.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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