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Wenger insiste em ideia para o impedimento e propõe novas mudanças ousadas nas regras de lateral e escanteio

As regras do futebol são discutidas e rediscutidas com constância nos bastidores, e, de uns tempos pra cá, Arsène Wenger se tornou uma das vozes importantes nas direções que o esporte toma, ao assumir o cargo de diretor de desenvolvimento do futebol mundial na Fifa em novembro de 2019. Em uma entrevista recente, o ex-técnico do Arsenal revelou algumas de suas ideias que poderiam mudar radicalmente o jogo se fossem implementadas. Do impedimento aos escanteios, passando também pelas cobranças de lateral, o francês tem uma visão curiosa para o esporte que valem ao menos serem discutidas.

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Em conversa com o L’Équipe, antes de revelar suas propostas, Wenger analisou como uma pequena mudança aparentemente simples alterou bastante o futebol de um ano pra cá: a cobrança de tiros de meta para jogadores dentro da sua própria área.

“Acho que a nova regra que permite jogar dentro da área na cobrança de tiro de meta mudou profundamente o jogo. Devo admitir que não tinha antecipado isso. Há consequências. O verdadeiro condutor de jogo, agora, é o goleiro. E, em vez de procurar jogar o mais rápido possível no campo adversário, você busca criar espaços a partir de seu próprio campo. Isso cria situações perigosas, porque as equipes vão pressionar bem alto, tanto que elas deixam muitos espaços. E essa regra, que era inocente a princípio, transformou o jogo”, analisou Wenger.

Neste sentido, o francês tem algumas ideias que ele acredita que poderiam levar o futebol a uma fórmula mais justa e atraente, favorecendo o ataque e aumentando as chances de gol. A começar pela regra do impedimento, que já havia abordado em fevereiro deste ano.

A introdução do VAR, em vez de encerrar de vez a discussão em torno do impedimento, a alimentou sob uma nova óptica. Há quem pense que as decisões milimétricas não deveriam existir. Sem falar diretamente isso, Wenger acredita que poderia haver uma alteração para deixá-la mais favorável aos atacantes, embora sua solução, a mesma apresentada no começo do ano pelo próprio francês, não resolva a discussão sobre os milímetros de diferença.

“No momento, você está em impedimento se uma parte do seu corpo com a qual você pode marcar ultrapassa o corpo do defensor. Eu gostaria que não houvesse impedimento contanto que uma parte do seu corpo com a qual você pode marcar esteja na mesma linha do defensor. Talvez isso seja uma vantagem grande para o ataque, porque obrigaria os defensores a jogarem mais avançados”, ponderou, imaginando o cenário em que as defesas avancem a linha de impedimento – embora o mais provável pareça que as equipes fiquem mais conservadoras em sua marcação, com o risco elevado ao fazer a linha de impedimento.

Outra sugestão de Wenger, essa mais original, se inclina sobre as cobranças de escanteio e como elas poderiam ser mudadas para favorecer a criação de mais oportunidades de gol: “Pensamos também em outras coisas: um escanteio com curva que vê a bola sair antes de voltar para dentro do campo deveria valer, isso criaria novas situações de gol”.

Sem entrar em detalhes, o ex-técnico afirma também defender a possibilidade de uma cobrança de falta rápida para si mesmo. Ainda no campo da bola parada, defende que a cobrança de lateral possa ser feita com os pés nos cinco minutos finais dos jogos, contanto que você esteja no campo de defesa.

“Eu adoraria também mudar a regra da cobrança de lateral. A cinco minutos do fim do jogo, o lateral a seu favor deveria ser uma vantagem, mas, de fato, nesta situação, você está jogando com nove jogadores de linha contra dez, e as estatísticas mostram que em oito a cada dez vezes você perde a bola. Em seu próprio campo, você deveria então ter a possibilidade de sair jogando com o pé.”

É difícil propor mudanças significativas a um esporte tão estabelecido quanto o futebol, e qualquer sugestão feita precisa ser amplamente debatida antes de sequer ganhar qualquer tipo de aprovação para testes. É bom ver que alguém como Wenger, com capacidade de influenciar o futebol do amanhã, esteja preocupado em tornar o esporte mais atraente e ofensivo, mesmo que algumas de suas ideias pareçam simplesmente inviáveis.

De qualquer forma, o que você achou das propostas de Wenger? E você já pensou em mudanças nas regras que potencialmente também tornariam o jogo mais divertido e/ou justo? Compartilhe com a gente nos comentários.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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