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Warner pediu propina aos três candidatos à sede de 2010, e Marrocos teria vencido

Não se sabe quando a corrupção na Fifa começou, mas um dos seus pontos mais altos parece ter sido a candidaduta da África do Sul para ser sede da Copa do Mundo de 2010, alvo de investigação do FBI. Jack Warner, um dos chefes do esquema, pediu propina aos três países candidatos, e de acordo com um ex-membro do Comitê Executivo, pode ser que os sul-africanos, na verdade, tenham perdido para Marrocos.

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Quem conta essa história é o jornal britânico Sunday Times, bem informado desde o começo do Fifagate. Ele publicou trechos de gravações que estão sendo usadas para refoçrar as investigações. Neles, Ismail Bhamjee, de Botswana, afirma que conversou com os seus colegas depois da votação de 2004 e, pelas contas, Marrocos venceu por dois votos. Não há método científico nessa pesquisa, e Bhamjee mesmo admite que podem ter mentido para ele. Na contagem oficial, a África do Sul venceu por 14 a 10.

Ismail Bhamjee entende do que está falando porque ele próprio envolveu-se em um escândalo durante a Copa do Mundo de 2006. Foi pego vendendo ingressos do torneio alemão por três vezes o seu valor e renunciou aos seus cargos administrativos no futebol. Também acabou suspenso pela Fifa durante quatro anos.

O mais extraordinário da história acaba sendo a cara de pau de Jack Warner. Segundo o jornal, o ex-diretor de competições da Fifa, Michel Bacchini, consultor da candidatura de Marrocos, afirmou que Warner recebeu US$ 1 milhão de propina para votar a favor dos marroquinos, mas acabou escolhendo aa África do Sul, que de acordo do FBI pagou-lhe dez vezes mais.

A sede dele por dinheiro é insaciável: ao mesmo tempo, pediu US$ 7 milhões ao Egito em troca de sete votos, de acordo com o ex-ministro dos Esportes, Aley Eddine Helal, mas os egípcios recusaram-se a entrar no esquema e ficaram sem nenhum voto.

Os jornalistas do Sunday Times fingiram ser lobistas, em 2010, para tirar essas informações de ex-oficiais da Fifa e alegam terem entregado os vídeos para a entidade naquela época. Desde então, ela não fez nada palpável diante dessas denúncias, mas Blatter continua contando aquela história sobre como trabalhou nos últimos anos por uma “família” mais ética.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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