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Vitória ao Japão ao menos dá um alento ao México

A partida no Mineirão não valia nada além do moral. México e Japão já não tinham mais chances de classificação na Copa das Confederações e se enfrentaram pelo gosto de ter ao menos uma vitória na competição. Melhor para os mexicanos, que contaram com o oportunismo de Chicharito Hernández para garantir o triunfo por 2 a 1, ficando na terceira colocação do Grupo A.

O resultado foi importante para lembrar ao México o seu talento, depois de acumular apenas uma vitória nas últimas 11 partidas. Pressionado no cargo, o técnico José Manuel de la Torre mudou o estilo de jogo de sua equipe. Desistiu do pouco criativo 4-2-3-1 para apostar no 4-3-3, com Raul Jimenez servindo de referência na área. Deu certo. Não que El Tri apresentasse tantas alternativas ofensivas, mas passou a atacar com maior qualidade.

Boa parte dos lances de perigo no México vieram graças ao jogo aéreo. Foi assim que Andrés Guardado acertou a trave no final do primeiro tempo, bem como saíram os dois gols, ambos com Chicharito – e o terceiro só não saiu porque Eiji Kawashima defendeu pênalti cobrado pelo artilheiro, que ainda desperdiçou o rebote ao carimbar o travessão.

Guardado, aliás, foi peça-chave na nova dinâmica da equipe. Enquanto Chicharito centralizava, o meia aproveitava o corredor pela esquerda. Da mesma forma, Giovani dos Santos tinha liberdade pela direita. Não à toa, nove das 20 finalizações dos mexicanos nasceram em passes da dupla.

Do outro lado, o Japão não esteve nem perto de repetir a atuação impressionante contra a Itália. Até começou pressionando, mas criou pouco diante da fechada defesa do México e, quando marcou, teve seu gol anulado. Os Samurais Azuis perderam ritmo depois da meia hora inicial e, dominados pelos adversários, só voltariam a atacar com força nos 15 minutos finais, quando o desespero bateu.

Saldo negativo para os japoneses, que não conseguem uma regularidade em suas exibições. O início da fase final das Eliminatórias foi ótimo, mas o time caiu de produção. Na Copa das Confederações, os nipônicos oscilaram nas três partidas. A missão para o técnico Alberto Zaccheroni será conseguir tirar o máximo de seu elenco com uma constância maior. Estrelado pelo trio Okazaki, Honda e Kagawa, o Japão tem talento suficiente para passar das oitavas da Copa e fazer a melhor campanha de sua história. Só precisa aproveitar melhor essa qualidade.

Já o México volta a se concentrar nas Eliminatórias com uma pressão menor. A situação da equipe preocupa, na terceira colocação, com Honduras e Panamá logo atrás. Porém, o básico já parece o suficiente para que El Tri vá a sua sexta Copa do Mundo consecutiva. Basta saber utilizar melhor os jogadores à disposição. Algo que José Manuel de la Torre conseguiu fazer hoje, mas talvez não tenha a possibilidade de tentar mais, tamanha a pressão por sua demissão.

Formações iniciais

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Destaque do jogo

Chicharito Hernández. Dentro da falta de criatividade do México, o atacante provou que é o melhor jogador de El Tri. Anotou os gols em dois lances de oportunismo e se despede da Copa das Confederações como responsável por todos os tentos de sua equipe. Andrés Guardado, que não tinha ido bem nas outras partidas, foi bem mais efetivo e participou dos dois gols.

Momento-chave

O gol anulado do Japão, aos nove minutos do primeiro tempo. Endo arriscou de fora da área, Okazaki desviou a bola e tirou Ochoa do lance. O bandeira assinalou impedimento do meia, mas a imagem posterior deu a impressão de que a posição era legal. No momento do lance, os japoneses eram melhores em campo e pressionavam no ataque.

Os gols

9’/2T – GOL DO MÉXICO! Guardado avança com liberdade pela esquerda e cruza na primeira trave. Chicharito sobe sozinho e desvia de cabeça, aproveitando a indecisão de Kawashima.

21’/2T – GOL DO MÉXICO! Cobrança de escanteio de Guardado pela direita. Mier desvia na primeira trave e Chicharito completa de cabeça na primeira área, sem chances para o goleiro.

40’/2T – GOL DO JAPÃO! Após inversão de bola, Endo ajeita a bola para Okazaki na pequena área. O meia bate de primeira e Ochoa ainda desvia a bola, que toca no travessão e entra.

Curiosidade

Chicharito Hernández se tornou o terceiro maior artilheiro da história da seleção mexicana. Igualou os 35 tentos anotados por Carlos Hermosillo. Jared Borgetti, com 46, é o recordista.

Ficha técnica

MÉXICO 2×1 JAPÃO

 Escudo México México
Guillermo Ochoa, Hiram Mier, Héctor Moreno, Diego Reyes e Jorge Torres Nilo; Gerardo Torrado, Jesús Zavala e Andrés Guardado (Carlos Salcido, 26’/2T); Giovanni dos Santos (Pablo Barrera, 33’/2T), Raul Jiménez (Javier Aquino, 45’/2T) e Chicharito Hernández. Técnico: José Manuel de la Torre.
Japão Logo Japão
Eiji Kawashima, Hiroki Sakai (Atsuto Uchida, 13’/2T), Yuzo Kurihara, Yasuyuki Konno e Yuto Nagatomo (Kengo Nakamura, 32’/2T); Yasuhito Endo e Hajime Hosogai; Shinji Okazaki, Keisuke Honda e Shinji Kagawa; Ryoichi Maeda (Maya Yoshida, 20’/2T). Técnico: Alberto Zaccheroni.
Local: Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Árbitro: Felix Byrch (ALE)
Gols: Chicharito Hernández, 9’/2T e 21’/2T; Shinji Okazaki, 40’/2T
Cartões amarelos: Hiroki Sakai (Japão), Guillermo Ochoa (México)
Cartões vermelhos: Nenhum

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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