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Três ligas nacionais alternativas que tiveram desfechos emocionantes neste final de semana

Os campeões de Bósnia, Eslovênia e Guatemala dependeram de grandes reviravoltas em busca da taça

As histórias de Atlético de Madrid e Lille são as maiores do final de semana. Ainda assim, alguns países bem mais alternativos consagraram seus campeões nos últimos dias. E três episódios curiosos merecem atenção. Borac Banja Luka, Mura e Santa Lucia passam longe das principais manchetes, mas conquistaram troféus pra lá de emocionantes em seus países – Bósnia, Eslovênia e Guatemala, respectivamente. Cada uma com seu tempero, as três ligas nacionais tiveram desfechos inesquecíveis. Abaixo, os detalhes de cada feito:

Borac Banja Luka

O Borac Banja Luka tem sua tradição desde os tempos de Iugoslávia. O clube chegou a ser campeão da Copa da Iugoslávia, batendo o Estrela Vermelha na decisão de 1988, e se acostumou a disputar a primeira divisão. Após a guerra de independência, o time figurava na liga da República Srpska, uma das divisões da Bósnia que possui maioria da população de origem sérvia. Já a partir da unificação do Campeonato Bósnio em 2001/02, o Borac levantou a taça pela primeira vez em 2010/11. Neste período, seguia como principal representante do lado sérvio do país na liga. Entretanto, convivia com o domínio dos rivais de Sarajevo (Zeljeznicar e Sarajevo), além do Zrinjski Mostar, ligado à comunidade croata. Nesta temporada, o jejum acabou.

O título do Borac Banja Luka é representativo não apenas pelo fim da seca, mas também pela reviravolta no topo da tabela. A equipe passou metade do campeonato variando entre a terceira e a quarta posição. Faltando 12 rodadas para o fim, os sérvios estavam em sexto no Campeonato Bósnio, com 11 pontos de desvantagem para o líder. A conquista parecia improvável, mas o milagre aconteceu. A partir de então, o Borac emendou dez vitórias e um empate. Um resultado decisivo aconteceu com os 2 a 0 sobre o líder Sarajevo. A equipe chegou à ponta uma rodada depois, ao bater o Siroki Brijeg. E a arrancada foi tão grande que a conquista neste final de semana acabou consumada com uma partida de antecedência. O triunfo por 2 a 0 sobre o Tuzla City bastou. Destaque ao técnico Marko Maksimovic, que assumiu em dezembro e, aos 36 anos, foi campeão.

Mura

O NS Mura é a terceira encarnação do clube de Murska Sobota, uma cidadezinha de 11 mil habitantes da Eslovênia. A versão original disputava as divisões de acesso do Campeonato Iugoslavo e chegou a ser vice-campeã após a criação do Campeonato Esloveno, mas faliu em 2005. Depois veio o ND Mura, que duraria até 2012. Foi quando a atual equipe ressurgiria, começando na quarta divisão da liga local. Foram cinco temporadas até os três acessos, que levaram à primeira divisão em 2018/19. E o sinal de força estava expresso com o título da Copa da Eslovênia em 2019/20. Nesta campanha, então, os alvinegros deram um passo a mais.

O Mura passou quase todo o campeonato na terceira colocação, perseguindo Olimpija e Maribor. No entanto, a equipe engrenou com uma série de vitórias na reta final, inclusive derrotando o Olimpija. A escalada, de qualquer forma, ficou para as duas últimas rodadas. Na penúltima partida, o Mura bateu o Domzale e aproveitou um tropeço do Olimpija para tomar a segunda posição. Então, o encontro final guardou o confronto direto com o Maribor, primeiro colocado. Um empate bastava ao clube tradicional. Todavia, o Mura venceu por 3 a 1 e ergueu a taça na casa dos adversários. Os dois últimos gols dos alvinegros só ocorreram depois dos 30 minutos do segundo tempo. Mura e Maribor terminaram com os mesmos 63 pontos, mas os azarões levaram a melhor no confronto direto. Botam a taça inédita na estante.

Santa Lucia

O Santa Lucia também conquistou o Campeonato Guatemalteco de forma inédita. O clube surgiu em 1992 e seria refundado em 2014, sem grande representatividade na liga. Foi somente em 2019, afinal, que a atual versão dos celestes alcançou novamente a primeira divisão. A equipe está localizada em Santa Lucía Cotzumalguapa, uma cidade de 125 mil habitantes próxima ao Oceano Pacífico. E um detalhe curioso fica para o desenho de seu escudo, que traz El Gran Jaguar, uma escultura histórica da cultura Maia que também é símbolo da cidade.

O Campeonato Guatemalteco, como outras competições pela América Latina, é dividido por semestre. O Santa Lucia terminou o Torneio Apertura na lanterna de seu grupo. Já no Clausura, foi vice-líder e conseguir passar para a fase final. Superou Cobán Imperial e Guastatoya, até fazer a decisão contra o tradicionalíssimo Comunicaciones, detentor de 30 taças nacionais. Na ida, os celestes surpreenderam com a goleada por 4 a 0 contra os favoritos. Já na volta, o Comunicaciones abriu cinco gols de vantagem aos 29 do segundo tempo e ia ficando com a taça. Porém, um gol aos 47 (este, do brasileiro Thales) e outro aos 49 do segundo tempo valeram a conquista do Santa Lucia. O time fechou a contagem em 5 a 2 e comemorou mesmo com a goleada sofrida.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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