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The Cage, Duelo de craques: Por dentro da icônica série de comerciais da Nike

No final dos anos 1990, a Nike lançou uma série lendária de quatro comerciais de TV para promover suas chuteiras. Graças ao peso de suas principais estrelas e à criatividade da marca, esses comerciais ficaram gravados na memória de todo fã de futebol.

Teve de tudo: o jogo de fogo em um campo poeirento contra o próprio Diabo, logo antes do show da seleção brasileira em um aeroporto. Depois, a Nike armou uma missão secreta no Palazzo della Civiltà Italiana, em Roma, antes de confinar seus craques dentro de uma gaiola no porão de um navio. Cenários épicos por onde as estrelas da Nike desfilaram para criar anúncios icônicos. Uma fábrica de memórias para os torcedores, que se deleitavam com produções de altíssimo nível, dignas de curta-metragens de cinema.

Duelo de Craques, o The Cage, na Trivela
Duelo de Craques, o The Cage, na Trivela

1996 – O Bem contra o Mal

Em 1996, a Nike apelou para a artilharia pesada: Eric Cantona, Paolo Maldini, Patrick Kluivert, Ronaldo, Luís Figo, Rui Costa, Tomas Brolin (o herói da Suécia em 1994) e o extravagante goleiro mexicano Jorge Campos. Essas estrelas tinham a missão de salvar o futebol das garras do Diabo e de seus capangas ultra-violentos, cujo único objetivo era destruir o esporte.

E para alcançar esse objetivo, um árbitro permitia qualquer coisa: cotoveladas, cabeçadas, travas de chuteira gigantescas e golpes dignos de kung fu estavam no cardápio. Mas os craques frustraram os planos do mal, personificado pelo Demônio, com o famoso chute estrondoso de Eric Cantona, precedido por um profético “Au revoir”.

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1998 – O Aeroporto

Às vésperas da Copa do Mundo de 1998, a Seleção aguarda o seu voo no saguão de um aeroporto quando o embarque sofre um atraso. Então, para matar o tempo, os brasileiros resolvem tirar uma bola de futebol da mala e a magia acontece num piscar de olhos.

A enxurrada de dribles e jogadas de efeito por todo o aeroporto, embalada pelo ritmo de Mas que Nada, de Sergio Mendes, é um verdadeiro espetáculo. Enquanto Ronaldo e Denílson emendam pedaladas atrás de pedaladas, Romário enlouquece os funcionários do aeroporto com canetas desconcertantes, e Roberto Carlos castiga a bola mostrando a potência do seu chute, desde a sala de embarque até a pista de pouso. Este comercial é uma ode à cultura do futebol brasileiro e ao legítimo Joga Bonito. A imersão é total, e a música acompanha perfeitamente a coreografia técnica dos jogadores.

2000 – A Missão

Com a Eurocopa batendo à porta, sediada por Bélgica e Países Baixos, a Nike precisava destacar duas estrelas da Oranje no elenco que patrocinava. Tendo Louis van Gaal como o mentor intelectual e Edgar Davids liderando em campo, a Nike moldou um clipe no melhor estilo James Bond. A missão? Resgatar a bola da marca, a Nike Geo Merlin, guardada por uma horda de robôs agressivos em um museu fictício dentro do Palazzo della Civiltà Italiana, em Roma.

Os agentes de Van Gaal eram representados por alguns dos melhores jogadores da época: a dupla do Manchester United Yorke e Cole, Bierhoff, Guardiola, Thuram, Totti, Figo, Nakata e muitos outros. O objetivo do grupo era roubar a bola e levá-la de volta para a segurança, em meio a várias reviravoltas e com os famosos óculos escuros de Edgar Davids perfeitamente integrados ao enredo do anúncio.

2002 – The Cage

No porão de um navio cargueiro, Eric Cantona organiza o The Cage, seu torneio secreto. Estrelas do futebol mundial brotam na gaiola, construída sob medida para partidas eletrizantes de 3 contra 3. Ronaldo, Ronaldinho, Thierry Henry, Francesco Totti, Roberto Carlos, Rio Ferdinand e Hidetoshi Nakata estão entre os participantes. A aparição do craque japonês em um segundo comercial consecutivo da Nike demonstrava a visão estratégica da marca voltada para o mercado asiático.

Os confrontos de 3×3 se sucedem, repletos de momentos impressionantes onde Eric Cantona faz o papel de muito mais do que um simples árbitro. Quem fizer o primeiro gol vence e, nesse formato, o trio formado por Thierry Henry, Francesco Totti e Hidetoshi Nakata leva a melhor — não sem antes usar uma pitada de malandragem na grande final. Toda a produção foi dirigida por Terry Gilliam, ex-membro do lendário grupo de humor Monty Python.

Poucas semanas depois, a Nike chegou a organizar uma revanche da final no mesmo porão do navio, mas dessa vez sem a gaiola. A regra agora era: quem fizesse 100 gols primeiro vencia. Naturalmente, o outro trio — Luís Figo, Ronaldo e Roberto Carlos — saiu vitorioso. Um comercial duplo transbordando bom humor que ajudou a alimentar os sonhos dos fãs de futebol.

Depois dessa série antológica, a Nike ainda produziu mais alguns comerciais de TV memoráveis, como o épico confronto entre Portugal e Brasil — que ia dos corredores do estádio até o gramado, trazendo um duelo eletrizante entre Ronaldo e Figo — ou o comercial que mostrava a agilidade de Thierry Henry em sua própria casa contra uma horda de adversários, invadindo escadarias e cômodos até chegar ao jardim.

Isso tudo antes de a marca mudar sua estratégia para promover seus produtos e talentos, deixando os fãs de futebol órfãos daquela criatividade maravilhosa.

Foto de Axel Clody

Axel ClodyColaborador

Axel acompanha de perto todas as principais histórias do mundo do futebol, embora mantenha um carinho especial pelos clubes do norte da França — do Lens ao Lille, passando por Dunkerque — desde que se mudou da região

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