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Se a Bola de Ouro volta aos jornalistas, Sneijder e Ribéry não merecem algum reconhecimento?

Nesta semana, a France Football cumpriu o prometido: divulgou as regras da nova fase da Bola de Ouro, após o fim da parceria de seis anos com a Fifa. Agora, a lista de concorrentes não contará mais com 23 nomes, e sim com 30. Além disso, a revista francesa não mais anunciará três finalistas, com a classificação final divulgada junto com a entrega do prêmio em dezembro. A mudança mais significativa, no entanto, está no colegiado: como aconteceu de 1956 a 2009, apenas jornalistas votarão no melhor do mundo. Nada mais de consultar capitães e técnicos, como se tornou praxe por conta do antigo troféu da Fifa.

VEJA TAMBÉM: France Football e Fifa encerram a parceria na entrega da Bola de Ouro

A novidade tende a abrir um pouco mais a corrida pela Bola de Ouro. Durante a parceria com a Fifa, era comum notar os votos ‘automáticos’ em nomes badalados, além de outros por pura conveniência ou amizade. A concentração da escolha apenas em jornalistas tende a adotar critérios mais técnicos, baseados a partir no que aconteceu ao longo do ano. Resultados de competições devem influenciar mais. Ainda que a questão primordial sobre “quem é o melhor jogador do mundo na atualidade” não seja tão levada ao pé da letra.

Olhando para os últimos anos, dois jogadores foram atrapalhados pelo hiato nos critérios da Bola de Ouro. Wesley Sneijder ficaria com a honraria em 2010, em votação apertada, mas não contra Lionel Messi. Segundo os votos dos jornalistas, o argentino seria apenas o quarto, com 178 pontos. Sneijder recebeu 320 pontos dos periodistas, contra 312 de Iniesta – que, por sua vez, teve mais escolhas como primeiro colocado nestas cédulas. Já o terceiro lugar viria ocupado por Xavi, com 248 pontos. Escolha pautada não apenas pela ótima Copa do Mundo que o meia fez, mas também por sua importância na Internazionale, dona da tríplice coroa.

Já a outra mudança de mãos aconteceria em 2013. Franck Ribéry bateria Cristiano Ronaldo com certas sobras. O francês recebeu 522 pontos dos jornalistas, contra 397 do português. Pesou o protagonismo do ponta no excelente desempenho do Bayern de Munique, faturando a Liga dos Campeões. Embora o coletivo dos bávaros fosse fortíssimo e outros jogadores também ganhassem destaque, o protagonismo se concentrou mesmo em Ribéry.

Para 2016, mesmo com as mudanças, o favoritismo se concentra sobre Cristiano Ronaldo – mais por aquilo que conquistou, ressalte-se. Entretanto, será possível notar uma consideração maior a jogadores como Antoine Griezmann, Gareth Bale e Luis Suárez. Lionel Messi, que provavelmente receberia muitos votos de capitães e jornalistas por ser justamente Lionel Messi, desta vez corre o risco de não aparecer nem mesmo no Top 5 – algo impensável anteriormente.

Agora é ver a postura da France Football em relação a Sneijder e Ribéry. Olhando sob uma perspectiva histórica, a ausência de ambos significa certa quebra na premiação, embora a lista de ganhadores não permita revisionismos. Não surpreenderá se, assim como já fez com Pelé e Maradona, a revista francesa ofereça uma condecoração especial ao holandês e ao francês. Uma maneira de, em partes, manter a coerência sobre o troféu.

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Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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