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San Marino terá, de novo, a chance de alcançar duas vitórias em 204 jogos

203 jogos, 194 derrotas, 8 empates e 1 vitória: o histórico louco de San Marino

O torcedor brasileiro de futebol se acostumaria a ficar sem vencer uma única partida por 20 anos? Bom, provavelmente com muitos protestos e cobranças, mas, para o minúsculo país San Marino, de apenas 33 mil habitante, que fica dentro da Itália, é uma realidade. A modesta nação é a pior do mundo dos países filiados à Fifa. Segura a lanterna na 210ª colocação no ranking da entidade máxima do futebol e não vence uma partida há 20 anos. Pensou que ao marcar dois amistosos contra São Cristóvão e Nevis poderia quebrar esse tabu, pois o selecionado caribenho está em 147º lugar, só que o primeiro jogo já mostrou que pode não ser tão simples.

Na última quarta-feira (20), a pior seleção do mundo saiu na frente pelos pés de Filippo Berardi, de pênalti, e a esperança brilhou. A expectativa do primeiro triunfo em duas décadas abaixou ainda no primeiro tempo: com meia hora, Tyquan Terrell igualou o placar e, antes dos acréscimos, Andre Burley virou o placar para São Cristóvão e Nevis, que parece, ainda, ser um desafio muito acima dos que os são-marinenses podem. Na etapa final, Harry Panayiotou fechou o placar em 3 a 1.

Neste domingo (24), eles terão uma nova oportunidade contra os caribenhos. Se vencer, é a primeira vez desde o 1 a 0 frente a Liechtenstein, em abril de 2004, gol marcado por Andy Selva, maior artilheiro da história do selecionado.

Berardi já era o segundo maior artilheiro do selecionado e, ao marcar na quarta, se isolou com três gols. Ainda antes do primeiro amistoso, o atacante falou à BBC sobre o desejo de, finalmente, vencer um jogo.

— Seria o maior sonho fazer parte da próxima seleção de San Marino para comemorar uma vitória. Provavelmente representaria a maior satisfação que já senti – e não só para mim, mas para o treinador, meus companheiros de equipe e as pessoas em São Marino — disse.

Mesmo discurso adotado pelo técnico Roberto Cevoli, no cargo desde o início do ano. “Se conseguirmos começar com uma vitória, será uma grande conquista. Seria ótimo para a autoestima dos jogadores, da equipe e do ambiente do futebol em San Marino”, disse, também à BBC.

Ao longo da história, San Marino perdeu 194 jogos, empatou apenas oito vezes e teve a solitária vitória sobre Liechtenstein. Foram muitas goleadas pelo caminho, a maior o 13 a 0 contra a Alemanha, em 2006, mas a que mais doeu no atacante Matteo Vitaioli, de 37 anos, que divide os gramados com a carreira de designer gráfico, foi frente a Holanda, em 2011.

— A pior lembrança foi a partida contra a Holanda em 2011, que terminou 11 a 0. Já eram oito ou nove e ainda faltava muito tempo e me lembro dos torcedores aplaudindo a Holanda para ver mais gols — afirmou o jogador com mais jogos por San Marino.

Obviamente, San Marino nunca chegou próximo de se classificar para Eurocopa ou Copa do Mundo. O único ponto conquistado em partidas de Eliminatórias foi um empate com a Estônia, em 2014, na tentativa de ir para o campeonato europeu de 2016.

Se a vitória não vir contra São Cristóvão e Nevis, tem boas oportunidades no meio do ano. Primeiro, enfrenta o Chipre, em amistoso, atualmente em 125º no ranking da Fifa. Depois, a partir de setembro até novembro, terá jogos pela última divisão da Liga das Nações da Uefa. Divide o grupo D com Liechtenstein, o 203º pior selecionado do mundo, e Gibraltar (201) ou Lituânia (138), que jogam a volta do rebaixamento da Liga C em 26 de março (lituanos venceram a ida por 1 a 0).

Os números de San Marino na história

  • 203 jogos, 194 derrotas, 8 empates e 1 vitória;
  • 828 gols sofridos e 32 marcados;
  • Nunca se classificou para Eurocopa ou Copa do Mundo.
Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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