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A pergunta que não quer calar no universo dos games de futebol: FIFA 11 ou Pro Evolution Soccer 2011, qual deles é o melhor? Em edições passadas, a distância entre um e outro era bem clara desde as versões de demonstração, com o jogo da EA Sports passos à frente. Esta coluna, após jogar as DEMOs de ambos os games, já havia comentado, por sua vez, que embora FIFA talvez (e reforça-se aqui o talvez) pudesse ser colocado um degrauzinho diante de PES, havia ali quase que um empate técnico.
Tal empate era provocado pela clara melhora em ambos os jogos, mas em especial daquele produzido pela Konami, que enfim parecia ter acordado de uma espécie de “sono profundo” e reagido no mercado dos consoles next-gen. E pelo que pode se constatar pela versão final de PES 2011, os fãs da tradicional franquia japonesa podem comemorar, como não podiam há pelo menos quatro anos.
Visualmente muito bem detalhado, o jogo por vezes até se confunde com o rival – ainda que, como já comentado no preview aqui publicado, baseado na DEMO, Pro Evo parece não ter tanto daquele “clima” de jogo, pelo campo parecer mais distante da torcida que em FIFA. Além disso, há uma novidade bastante interessante para os fãs da Master League – marco histórico do jogo da Konami -, que é a possibilidade de esta ser jogada on-line.
Para alívio de muitos, PES 2011 não se arriscou a desperdiçar um de seus principais predicados – a jogabilidade – e, pelo contrário, desenvolveu-a, dando mais controle e poder ao jogador, que passa a ser mais “responsável” por suas ações em campo. Agora é necessário ter um considerável controle da potência e da direção do passe, no que evidentemente aumenta a dificuldade do game, dá um desafio mais interessante ao jogo e exige mais habilidade de quem está no controle do joystick.
E não dá para desvincular essa evolução com a maior atenção que o controlador deverá ter na própria formação de seu time e na distribuição dos atletas em campo. Até por isso, a opção para pré-determinação de posições (aquela em que se pode arrastar o jogador por um campo virtual para se determinar onde ele vai atuar) está bem mais acessível, podendo ser acionada logo que se entra na seção “Plano de Jogo”, pouco antes de começar uma partida. O objetivo é claro: dar ainda mais poder de customização ao usuário.
PES 2011 também tem peculiaridades bastante interessantes fora de campo (ou, na verdade, nem tanto assim), novamente no segmento da customização. Caso da nova possibilidade de se editar o próprio estádio, dando cores diferentes às arquibancadas (tanto às cadeiras como até mesmo às coberturas) e criando distintas disposições de cercas, o espaço entre o gramado e a torcida e até mesmo customizando o tipo de iluminação a ser utilizada naquele campo.
É possível até mesmo customizar os arredores do estádio, situando-o perto de montanhas ou em meio a prédios. Caso se tenha alguma imagem de arquivo de um ambiente interessante – ou apenas curiosa -, o usuário pode até colocá-la como plano de fundo. Já imaginou jogar – por que não? – em meio a um por do sol que você conheceu em uma de suas viagens? Especula-se que possa-se fazer até 50 diferentes tipos de estádio (desconsiderando, naturalmente, os fundos). O colunista não tentou todos, mas convida os leitores a colocarem a imaginação para funcionar.
Ah, e não se pode esquecer daquele que é um dos principais atrativos, pelo menos para o público sul-americano, é a badalada presença da Copa Libertadores da América, tão esperada por aqui – e que foi deixada por último não por esquecimento, mas para que pudesse ser feita uma relação com o que se falará mais abaixo. Estão lá, de fato, todos os participantes da edição 2010 do torneio, com uniformes oficiais. Como já incansavelmente anunciado, os cinco brasileiros estão presentes, com as equipes completas e jogadores de certa forma bastante próximos de suas fisionomias reais, como D'Alessandro, Verón ou Ronaldo, por exemplo.
Nem tudo é perfeito, todavia. Alguns podem estranhar o fato de o Cruzeiro ainda contar com Kleber ou o Flamengo seguir com Vagner Love. Claro que pode até se entender que o jogo foi concluído há um tempo e que não fora possível fazer certas atualizações – especialmente porque aos olhos do mercado internacional, tais diferenças seriam quase imperceptíveis. No entanto, como não se pode esquecer que mesmo Ibrahimovic já há tempos ter ido para o Milan, segue titular no Barcelona…
Detalhes como esses, aliás, são talvez o ponto fraco marcante deste ótimo PES, que pela primeira vez tem uma narração oficial em português-Brasil (Silvio Luiz é o locutor, com Mauro Beting comentando). Mais uma vez, o jogador conta com poucos licenciamentos de clubes, ligas e estádios. O que, querendo ou não, afasta os fãs e acaba os levando para FIFA onde, apesar de até existirem times não oficializados, a quantidade dos que estão totalmente licenciados é consideravelmente esmagadora.
Outro ponto chato, em especial para a “nossa” trupe é: os times da Libertadores, exceto o Internacional (Boca Juniors e River Plate não disputaram o torneio, mas estão disponíveis como “outros sul-americanos”), não estão disponíveis no modo Exibição. É possível até fazer partidas amigáveis com clubes da Libertadores, mas só entre eles. Ainda assim, já há tutoriais na internet com coordenadas para se “desbloquear” os outros times da América do Sul para amistosos.
Mas não se pode dizer que a Konami não está tentando. Além da Libertadores deste ano estar realmente completinha – tem até a fase pré-Libertadores – , conseguiu trazer também a Supercopa da Europa, com direito a uma “intro” toda especial, com o time que representa o vencedor da Liga dos Campeões carregando o troféu do torneio ao lado do clube campeão da Liga Europa, que também traz a taça da competição, reproduzindo bastante bem o campeonato real. Vale lembrar que a Supercopa só está disponível para PC, Xbox 360 e Playstation 3.
Sem ficar em cima do muro: Se PES 2011 supera FIFA 11? Na singela percepção deste colunista, ainda não, ao se observar o conjunto da obra. Mas é inquestionável que o game veio para recolocar a Konami de vez no retrovisor da EA Sports. Algo bastante positivo para os fãs do futebol virtual, já que a empresa produtora de FIFA fatalmente também não deixará a peteca cair para a edição de 2012 do jogo.