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Resenha – Jogo sujo: O mundo secreto da Fifa

Falamos sobre o livro de Andrew Jennings, que trata da corrupção nos porões da Fifa

Por Roberto Aló Filho

Corrupção, segundo o dicionário Aurélio, é “o ato ou efeito de corromper (-se)”. É um substantivo feminino, mas em casos relatados no livro do jornalista escocês Andrew Jennings – Jogo Sujo: O mundo secreto da Fifa – é aplicada por muitos indivíduos do gênero masculino.

Toda essa investigação ocorrida na entidade máxima do futebol em cima de seu presidente Joseph Blatter e do catari Mohamed Bin Hammam, concorrente de Blatter na eleição deste ano, que desistiu de sua candidatura por sofrer acusações de suborno por conta da candidatura do Qatar à Copa de 2022, não parecem ser novidade para o jornalista britânico. São fatos que se renovam a cada eleição na Fifa. Esta poderia ser uma excelente história de ficção, mas infelizmente é a mais dura realidade.

No livro, ele descreve com detalhes histórias de falcatruas, subornos, armações, compra de votos, de ingressos para os jogos da Copa do Mundo, favorecimentos desde a derrota nas eleições de 1974 de Sir Stanley Rous, presidente da Fifa desde 1961, para João Havelange, passando pela escolha de países-sede de competições organizadas pela Fifa até os esquemas montados por Blatter com e por seus assessores diretos.

A famigerada história da International Sports Leisure (ISL), empresa de marketing esportivo criada para gerenciar competições e até clubes como o Flamengo e Grêmio no Brasil também é retratada por Jennings. Ele conta como e por que essa empresa surgiu, seus fundadores, as negociatas, os objetivos, até a sua queda.

Propina, no mesmo dicionário supracitado, significa “pequena quantia, além da devida, que se dá como gratificação”. Segundo o autor, as propinas nessa história não são nada pequenas.

Iniciativas para o desenvolvimento do futebol em países mais pobres, sobretudo os africanos, como o projeto Goal, sendo utilizadas não apenas para esse fim, mas sim com o intuito de angariar votos para a eleição da presidência da Fifa, porque o Togo tem o mesmo poder de voto do Brasil, por exemplo. Países desenvolvidos com seleções fortes e os pobres em poder financeiro e futebol votam igualitariamente. É a Democracia aplicada na entidade máxima do futebol.

Além de Blatter e também Havelange, o livro tem várias passagens contando histórias sobre os diretores da Fifa e das Confederações. Para citar um exemplo: Jack Warner, da “poderosa” Trinidad e Tobago. O dirigente caribenho já foi vice-presidente da Fifa e agora está afastado pelo conselho de ética da entidade. Homem poderoso em sua terra, Warner é muito influente e Andrew Jennings conta detalhes de seus negócios. Há muitos outros casos que o autor descreve com a precisão de quem presenciou tudo. Fala ao leitor o seguinte: “Olha, eu estava lá. Acredite! É tudo verdade”!

Andrew Jennings fez um excelente trabalho investigativo baseado em documentos, depoimentos e dessa sua presença no olho do furacão. Estar “in loco” dá mais veracidade aos fatos. O autor utiliza técnicas de Jornalismo literário ao descrever ambientes, pessoas e reações, fato que deixa o livro mais gostoso de se ler. É uma leitura altamente recomendada não só pra quem é jornalista, mas para os amantes do futebol que queiram conhecer como funcionam os bastidores do esporte bretão na Fifa e em suas afiliadas.

Histórico

A Fifa foi criada em 21 de maio de 1904. Têm 208 associados, mais do que a ONU representada em 192 países. Sua sede é em Sunny Hill, Zurique, capital da Suíça. O suíço Joseph Blatter preside a entidade desde 1998. Sucedeu o brasileiro João Havelange, mandatário por 24 anos (1974-98). O presidente com mais tempo no cargo, 33 anos, foi o francês Jules Rimet (1921-1954). Seis confederações trabalham em conjunto com a Fifa: AFC (Ásia), CAF (África), Concacaf (América do Norte, América Central e Caribe), Conmebol (América do Sul), OFC (Oceania) e Uefa (Europa).

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*A Trivela recebe uma comissão pela venda do livro.

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