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Quem é Ramón Vega, o candidato que quer substituir Platini na eleição da Fifa

Um suíço por outro suíço? Pode acontecer. Ramón Vega, filho de imigrantes espanhóis, mas suíço de nascimento, é a nova figura que pinta na eleição da Fifa como um adversário ou, até mesmo, substituto de Michel Platini, envolvido em acusações de pagamento irregular recebido do atual presidente da entidade que rege o futebol mundial, Joseph Blatter.

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O ex-jogador, que atuou como zagueiro, jogou no Grasshoppers, Cagliari, Tottenham, Celtic, Watford e Créteil antes de se aposentar, em 2003. Defendeu também a seleção da Suíça entre 1993 e 2001. Quando encerrou a carreira, foi trabalhar no mercado financeiro como fundador de um grupo especializado em gestão de ativos privados. Também fundou uma empresa de negócios imobiliários, que tem como foco desenvolvimento de hotéis de luxo ao redor do mundo. O que, então, Vega fez para voltar ao futebol?

Acontece que Platini está com a candidatura ameaçada. As acusações de recebimento de dinheiro de forma ilícita vinda da Fifa comandada por Blatter. E a sua suspensão preventiva pode o impedir de formalizar a sua candidatura. O francês recorreu da suspensão, mas tem só até o dia 26 para conseguir reverter a decisão que o deixa afastado do futebol até janeiro. Com isso, ainda não se sabe se a Uefa terá outro candidato. Vega considera que a entidade está “bloqueada” para propor outro candidato por um excesso de lealdade ao seu presidente.

“O bloqueio que está aconteceu pelo cenário do Platini não permitiu que o debate se desenvolvesse”, afirmou Veja ao jornal Guardian. “Ele precisa dar um passo atrás, colocar as mãos para cima e se concentrar em manter o emprego na Uefa. No momento, o órgão governamental da Uefa tem potencial de lançar um bom candidato e está sendo bloqueada pela lealdade a Platini. Não há nada errado com lealdade, mas tem que andar de mãos dadas com o bom senso”, afirmou Vega.

Mas por que o candidato da Uefa seria Vega então? “Eu sou um ex-jogador de futebol. Nos últimos anos eu fiquei realmente afastado. Eu ainda estou no mundo financeiro, dando consultoria a muitos clubes europeus do ponto de vista financeiro, balanços, reestruturação. Há pessoas que tem um interesse em resolver essas questões com tranquilidade e estabilidade. Você precisa de um cenário nuclear, um claro rompimento com o passado”, afirmou o suíço.

“Conheço o futebol por dentro e pertenço ao mundo financeiro, é a mescla ideal”, declarou Vega em entrevista ao jornal espanhol El País. “Não tenho nada a ver com as pessoas que têm dirigido o futebol. Não estou intoxicado nem por Blatter, nem por Platini. Falo cinco idiomas, trago renovação e estou fora do sistema. Eu vivi em Zurique e a Fifa, como o futebol, tem estado muito perto de mim. Quero devolver ao futebol o que ele me deu”, continuou o candidato.

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O suíço de origem espanhola também contou que a ideia de se candidatar veio por contato de outras pessoas que pediram a ele que se apresente. “A candidatura de Platini está bloqueada e o futebol europeu precisa de um candidato. Várias pessoas importantes do futebol que não posso revelar entraram em contato comigo para dizer para me candidatar, que posso ser a pessoa que a Fifa precisa. É preciso devolver o controle e a credibilidade ao futebol com alguém que venha de fora do sistema”, declarou ainda o atual consultor financeiro e, aparentemente, futuro candidato.

“Se trata de uma evolução, que haja auditorias internas e externas como em todas as grandes empresas do mundo. É preciso ter um controle exaustivo das saídas de dinheiro, de onde vão e com o que é gasto. É preciso que haja transparência em tudo que se faça. Tenho convicção que dentro da Fifa há boas pessoas trabalhando, mas agora precisam de estabilidade e segurança”, afirmou ainda Vega.

Por enquanto, os candidatos, oficialmente declarados, são o príncipe Ali bin al-Hussein, presidente da Federação de Futebol da Jordânia e que concorreu com Blatter em maio, e David Nakhid, ex-jogador da seleção de Trinidad & Tobago. A eleição será no dia 26 de fevereiro. O xeique Salman bin Ebrahim al-Khalifa, presidente da Federação Asiática de Futebol (AFC), tentará apoio de federações europeias em Zurique nesta semana para também tentar se lançar candidato.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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