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Quarto país mais pobre do mundo vê em patrocínio na Ligue 1 a chance de melhorar sua imagem

Não é preciso ser tão perspicaz para notar o “Azerbaijan: Land of Fire” no uniforme do Atlético de Madrid. Está estampado na parte frontal da camisa colchonera, bem no peito, muito embora os espanhóis façam pouco caso da mensagem gravada. O patrocínio master se trata de uma parceria do clube de Madri com o governo do Azerbaijão, a qual se apoia na ideia de visibilidade para o país transcontinental e no incentivo ao turismo em terras azeris. E foi com basicamente esse mesmo propósito que as autoridades do Chade, o quarto país mais pobre do mundo, segundo dados da ONU, negociaram um patrocínio com o Metz, clube que está de volta à Ligue 1 nesta temporada.

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O Ministério do Esporte chadiano e a diretoria do Metz chegaram a um acordo de patrocínio master com duração de três anos. Com isso, as camisas do time de Lorraine ganham um detalhe a mais em sua composição: a mensagem “Tchad: Oasis du Sahel” estampada pouco abaixo do peito. Betel Miarom, o ministro do Esporte, vê na parceria a oportunidade de melhorar a imagem do país no mundo e alavancar o setor do turismo. Atualmente, cerca de 71 mil turistas passam pela região ao ano, o que classifica o lugar como um das 15 menos visitados do planeta, e, como consequência, acaba gerando uma pífia receita turística para o governo chadiano.

Sem saída para o mar, o Chade está localizado no norte da África Central. É onde a miséria, vinculada à corrupção estatal, se faz presente em quase todos os cantos. Cerca de metade da população rural do país vive abaixo da linha de pobreza e são confrontados com a escassez de alimentos devido às árduas condições do deserto. Ao passo em que os cidadãos chadianos se encontram em uma constante ameaça causada pelo grupo radical islâmico Boko Haram, a qual começou na Nigéria e, em pouco tempo, se alastrou pelo país vizinho, eles vêem a economia nacional contrair cada vez mais pelo mercado petróleo ter enfraquecido. O FMI prevê que a redução econômica seja de 1,1% ainda este ano.

Ao jornal francês L’Équipe, Miarom também falou sobre a expectativa de que a parceria “vá bem além do futebol, bem como “intensifique as relações econômicas entre Chade e a França”. No entanto, a perspectiva otimista do governo não é compartilhada pelos habitantes do país. Em vez disso, a reação da maioria dos chadianos ao patrocínio tem sido um tanto negativa. Comentários em um portal de notícias do Chade, como “esse dinheiro poderia ter sido gasto para desenvolver nosso próprio futebol em vez de promover o dos outros” e “isso é loucura”, explicitam que nem todos gostaram da ideia. Afinal, é válido frisar: o Chade é o quarto país mais pobre do mundo.

Apesar de ser uma das 20 ex-colônias da França na África, a nação africana mantém bons laços com os colonizadores. Em agosto deste ano, completou-se 56 anos desde que o Chade conquistou sua independência. E muito embora a saturação de problemas nos mais variados âmbitos se faça presente por lá, é um país que possui uma história muito rica e uma diversidade cultural incrível, além de ser um dos berços da humanidade. Fora o patrocínio do governo chadiano com o recém-promovido Metz, o Hull City foi outro clube europeu que começou a carregar um pedaço da África no uniforme recentemente, após uma parceria do clube inglês com a empresa de apostas SportPesa, do Quênia.


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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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