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Plano B de Felipão vai bem em goleada contra fraca Austrália

Sem ter três de seus titulares habituais, o técnico Luiz Felipe Scolari escalou jogadores que deram conta do recado. A vitória por goleada de 6 a 0 do Brasil sobre a Austrália veio com tranquilidade. Em parte, porque os australianos são um time fraco, mas também porque a equipe conseguiu atuar bem e aproveitar para golear. O cenário é que foi curioso: o estádio Mané Garrincha estava com muitos lugares vazios e o gramado não estava grande coisa. Foram 40.428 torcedores, em um estádio para 72.788. Os preços não muito convidativos não eram exatamente um atrativo, ainda mais contra um adversário sem tradição. Coloque na conta ainda as manifestações.

Com os substitutos, veio a mudança no esquema tático mostrou mais uma opção para o time, que joga habitualmente no 4-2-3-1. Nesta tarde de sábado, ficou no 4-3-3, com Ramires mais solto pelo meio e Bernard e Neymar pelas pontas. A vitória por 6 a 0 sobre a Austrália, em si, não diz muito pela falta de qualidade dos australianos. Por outro lado, as atuações de Maicon, Ramires, Bernard  e Jô deram bons sinais ao técnico.

Jô não é exatamente o centroavante dos sonhos, mas por enquanto vai aproveitando as chances. Os dois gols contra a Austrália mostraram um bom posicionamento. Bernard se tornou um jogador insinuante, criou muitos problemas pela direita. Já se tornou a primeira opção para entrar no time quando alguém for sair.

O caso de Ramires é ainda mais intenso. O jogador brilhou em sua atuação. É claro que é preciso lembrar, novamente, que a Austrália não ofereceu grande resistência, mas Ramires foi muito bem no meio-campo. Deu opção de velocidade e dinâmica para um time que parece se sentir muito à vontade ao jogar em velocidade. Pode ser uma ameaça à posição de Hulk ou mesmo à posição de um dos volantes, ainda que seja como uma primeira opção quando um dos dois estiver ausente.

Maicon entrou em uma posição extremamente carente do time. Não há um reserva para Daniel Alves. Ele mesmo sequer tem jogado tão bem, mas como não há alternativa, o jogador do Barcelona continua lá. Se Maicon mantiver o bom nível, a velha ameaça pode voltar – lembrem que em 2011 o atual jogador da Roma foi convocado e tomou a posição de Daniel Alves no jogo contra o Equador.

O esquema de jogo no 4-3-3, ao invés do 4-2-3-1, funcionou bem e Felipão ganha uma opção interessante de jogo. Até porque Hulk pode sair para a entrada de Ramires, jogando Oscar para uma das pontas. O grande trunfo de Felipão no amistoso não foi a goleada, mas sim ganhar essa alternativa de jogo. Em uma Copa que o Brasil deve sofrer muito com a pressão e com adversários fechados, quanto mais o técnico souber variar o time, melhor.

Destaque do jogo

Os substitutos dos titulares Daniel Alves, Oscar e Hulk foram muito bem. Maicon deu conta do recado na lateral direita e mostrou que pode ser uma boa opção. Ramires, que entrou no meio-campo e mudou o esquema, foi outro a se destacar, dando a sua velocidade tradicional na condução de bola. Bernard foi muito perigoso em suas investidas no ataque pelo lado direito, participando positivamente. Ganhou pontos com Felipão.

Momento-chave

O gol de Jô logo a oito minutos de jogo abriu a defesa australiana, que já não é grande coisa. Daí em diante foi aberta a contagem.

Os gols

8’/1T: GOL DO BRASIL!
Neymar faz o cruzamento, Bernard pegou de primeira, a bola explodiu na trave e Jô aproveitou o rebote para marcar 1 a 0 para o Brasil.

33’/2T: GOL DO BRASIL!
Roubada de bola de Paulinho no meio-campo, Maicon acionou Bernard na ponta direita. Ele foi até a linha de fundo e cruzou forte para Jô completar de primeira e ampliar.

34’/2T: GOL DO BRASIL!
Ramires faz o passe para Neymar, Jô faz o corta-luz e Neymar fica livre, leve e solto para tocar com categoria para marcar.

12’/2T: GOL DO BRASIL!
Depois de cruzamento de Maxwell, Ramires chegou cabeceando com força e marcou mais um.

27’/2T: GOL DO BRASIL!
Hernanes faz bom passe em uma cavadinha para Neymar, que cruza para Alexandre Pato marcar o quinto gol do Brasil.

38’/2T: GOL DO BRASIL!
Luiz Gustavo tabelou com Neymar e soltou uma bomba de fora da área, acertando o ângulo. Golaço do volante.

Curiosidade

Em seis jogos entre Brasil e Austrália, o Brasil venceu quatro, empatou um e perdeu um. A única derrota foi na Copa das Confederações de 2001, quando a Seleção Brasileira fez péssima campanha e acabou eliminada na primeira fase. A má campanha custou o cargo do técnico Émerson Leão.

Ficha técnica

BRASIL 6X0 AUSTRÁLIA

Brasil escudo Brasil
Júlio César; Maicon (Marcos Rocha, 32’/2T), Thiago Silva, David Luiz (Dante, 15’/2T) e Marcelo (Maxwell, intervalo); Luiz Gustavo, Paulinho (Hernanes, 15’/2T) e Ramires; Bernard (Lucas, 15’/2T), Jô (Alexandre Pato, 23’/2T) e Neymar. Técnico: Luiz Felipe Scolari
Escudo Austrália Austrália
Mark Schwarzer; Ryan McGowan, Lucas Neill, Sasa Ognenovski e Rhys Williams; Mille Jedinak (Mark Milligan 19’/2T), Matt McKay, Mark Bresciano, Robbie Kruse e Thomas Oar (Archie Thompson, 13’/2T); Brett Holman (Tomas Rogic, 25’/2T) e Joshua Kennedy (Mitchell Duke, 33’/2T). Técnico: Holger Osieck
Local: Estádio Nacional Mané Garrincha (Brasília-BRA)
Árbitro: Enrique Cáceres (PAR)
Gols: Jô, 8’/1T, 33’/1T, Neymar, 35’/1T, Ramires, 13’/2T, Alexandre Pato, 27’/2T, Luiz Gustavo, 38’/2T (Brasil)
Cartões amarelos: Nenhum
Cartões vermelhos: Nenhum

 

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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