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Al Ahly: dinheiro, recorde e jornalista na delegação

Após acompanhar o jogo entre Al Ahly e Sanfrecce Hiroshima, o técnico Tite recorreu diversas vezes a uma expressão para explicar o que o Corinthians teria de fazer para chegar à final do Mundial de Clubes. Em no mínimo três oportunidades, o comandante alvinegro citou a importância de seus jogadores aproveitarem “a bola do jogo” para construir a classificação. Mais ou menos como os adversários desta quarta-feira fizeram contra o Sanfrecce. Mérito dos egípcios, que souberam superar outros problemas em sua caminhada, conforme mostrado abaixo.

Chefe de delegação experiente

11 campeonatos nacionais, seis Copas do Egito, duas Ligas dos Campeões africanas e o título de atleta árabe do século 20. Essas são as credenciais de Mahmou Al-Khatib, mais uma vez de volta ao Japão com o Al Ahly. O craque egípcio, considerado o melhor jogador da história do país, chefia a delegação do time pela quarta vez no Mundial de Clubes. Ele esteve presente em todas as participações dos africanos no torneio. Não lhe falta experiência para saber contornar possíveis imprevistos em solo nipônico. O Corinthians, por outro lado, não conta com um representante na competição após fracassar nas tentativas de levar o ex-presidente Lula na viagem e da desistência do presidente da CBF, José Maria Marin.

Dinheiro na conta

O Al Ahly pediu antes do Mundial e teve o seu pedido atendido pela Fifa. A equipe estreou contra o Sanfrecce Hiroshima e enfrentará o Corinthians nesta quarta-feira com uma faixa preta no braço em homenagem aos 72 torcedores mortos em confronto em jogo com o Al-Masry, em Port Said, em fevereiro. Os egípcios também conseguiram autorização da entidade máxima do futebol para realizar seus aquecimentos antes das partidas com camisas com o número 72 nas costas. A tragédia ocorrida no início do ano segue na memória dos jogadores. Como forma de incentivo, a diretoria do clube optou por adiantar parte da premiação antes da viagem para o Japão. “Foi uma forma de animá-los e impulsioná-los a superar todos os problemas”, explicou Mahmou Al-Khatib.

Perseguição a Messi

Antes do segundo jogo da decisão da Liga dos Campeões africana, contra o Espérance, da Tunísia, correu o boato de que o craque do Al Ahly, Mohamed Aboutrika, poderia estar se aposentando após aquela partida. Um burburinho reforçado após declaração de um ex-técnico da seleção egípcia. Aboutrika desmentiu. Desmentiu também que irá parar na próxima temporada. Ele pretende jogar até pelo menos 2014. Uma maneira de superar o recorde de gols de Lionel Messi no Mundial de Clubes? Aboutrika desconversa e prefere não falar em títulos individuais. Com o gol marcado contra o Sanfrecce Hiroshima, no domingo, o meia-atacante chegou a quatro em todas as edições do torneio e igualou a marca do argentino e do brasileiro Denilson, ex-Pohang Steelers.

Preocupação com protestos

O Al Ahly abre o placar contra o Sanfrecce Hiroshima e surgem nas arquibancadas gritos de apoio ao presidente do país, Mohamed Morsi. Logo em seguida, um ala contrária ao político tenta rebater no estádio, em Toyota. A cena era uma das preocupações do técnico do clube, Hossam Al-Badri, antes da competição. Em declarações ao site oficial da equipe, ele temia que os protestos que se desenrolavam no Egito pudessem servir como distração para os jogadores.

Al-Badri questionado

Em entrevistas, o técnico do Al-Ahly, Hossam Al-Badri, é criticado por sempre tentar justificar possíveis fracassos de sua equipe com argumentos como “a falta de jogos oficiais” e “as difíceis condições de trabalho”. Al-Badri está longe de ser uma figura adorada pelos torcedores. Mas conseguiu contornar as críticas. Ex-auxiliar de Manuel José, assumiu o time no lugar do comandante português, mudou o esquema tático, abandonando o 3-5-2 pelo 4-3-2-1, e tomou conta do vestiário. É hoje absoluto no elenco dos africanos.

Atacantes de saída

Um dos atacantes do Al Ahly, Geddo já avisou que deixará o clube após a disputa do Mundial. Outra alternativa para a linha de frente, Emad Moteab, também pode se transferir. O experiente centroavante conta com ofertas do futebol árabe e também da Espanha. Ele é um dos membros da velha guarda do time. Ambos estão insatisfeitos com a paralisação do calendário no país.

Jornalista na delegação

Correspondente de veículos como o New York Times, CNN e GQ, o repórter inglês James Montague vem acompanhando a saga do Al Ahly no Japão.

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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