A Bola de Ouro não será entregue em 2020, segundo anunciou a revista , realizadora do prêmio. Será a primeira vez que a premiação não irá acontecer desde que foi criada, em 1956. Segundo a revista, as circunstâncias excepcionais exigem medidas excepcionais. A justificativa é que não haverá condições justas para que haja uma premiação.

A é o mais tradicional prêmio do futebol europeu. Começou em 1956 e inicialmente só era entregue a jogadores europeus. A partir de 1995, jogadores não-europeus também passaram a ser elegíveis para o prêmio. Naquele ano, o liberiano George Weah foi eleito o vencedor. Desde então, o prêmio ficou com europeus por 13 vezes e com não-europeus em 12 edições.

Embora tenha aberto para não-europeus vencerem, o prêmio ainda é essencialmente da Europa. Até 1995, era conhecido em muitos lugares como “Jogador europeu do ano”. Mudou, mas a premiação dos não-europeus está sempre vinculada a um bom desempenho no próprio futebol europeu.

A revista publicou as justificativas em um comunicado, que faz bastante sentido diante do que vivemos em relação à pandemia do , a suspensão dos jogos. Listamos abaixo as justificativas dadas para a não realização do prêmio nesta temporada:

“Porque um ano tão singular não pode, e não deve, ser tratado como um ano comum. Quando há dúvida, é melhor se abster do que persistir”.

“Porque o troféu Bola de Ouro transmite outros valores como exemplaridade, solidariedade e responsabilidade, além de excelência esportiva”.

“Porque a justiça que prevalece para este honroso título que não pode ser preservada, em particular em nível estatístico e também na preparação, já que todos os aspirantes ao prêmio não podem ser colocados nas mesmas bases, alguns tendo a suas temporadas interrompidas radicalmente, outros não. Então, como se comparar o incomparável?”

“Porque nós não queremos colocar um asterisco indelével de estilo à lista de prêmios como ‘Troféu ganho em circunstâncias excepcionais devido à crise da ’. Nós iremos sempre preferir uma pequena entorse (à nossa história) a uma grande cicatriz. Será a primeira vez desde 1956 que a Bola de Ouro faz uma parada. Os parênteses não nos encantam, mas parece o mais lógico e responsável. Proteger a credibilidade e legitimidade de um prêmio como este também significa sua perfeição ao longo do tempo”.

“Porque apenas dois meses (Janeiro e Fevereiro) dos 11 geralmente necessários para formar uma opinião e decidir o melhor, é muito pouco para avaliar e jugar, dado que as outras partidas foram, ou serão, disputadas em condições e formatos (em câmera, cinco substituições, final europeia em jogos únicos) muito longe do panorama usual. Não podemos confiar em temporadas reduzidas para eleger o melhor. O melhor de que, a propósito? Não seria digno de nossa história”.

“Porque nossos aproximadamente 220 jurados (somando homens e mulheres) distribuídas ao redor do mundo, alguns podem estar distraídos ou desviados de sua missão de observar devido a outras prioridades e emergências a serem tratadas”.

“Porque a história da Bola de Ouro é valiosa demais para correr o risco de danificá-la com uma premiação tão vacilante. Nestes tempos difíceis, fazer uma pausa é um luxo e uma necessidade inestimável. Para que o futebol, como um todo, recupere força, paixão e emoção. Que a Bola de Ouro siga forte”.

Com tudo isso, o problema será para jogadores como e Neymar, que faziam uma boa temporada até a parada por causa da pandemia da COVID-19 e tinham uma boa chance de irem longe também na Europa.

A medida, porém, é muito compreensível da France Football e parece o mais justo. Se as premiações individuais já são questionadas em momentos que tivemos temporadas regulares, em tempos assim seria mesmo injusto.

Este ano, pelo caráter excepcional, não tem que ter mesmo prêmios da Fifa, com seu The Best, e da France Football, a Bola de Ouro. Lionel Messi e Megan Rapinoe, os vencedores da Bola de Ouro em 2019, não terão sucessores.