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Pedimos a 208 federações que apoiassem a candidatura de Zico e nenhuma delas respondeu

Zico garante que está trabalhando nos bastidores para viabilizar sua candidatura à presidência da Fifa. Precisa do apoio de cinco federações para entrar na corrida. Disse a um documentário da ESPN Brasil que elaborou uma lista de jogadores que atuou ao seu lado e com quem tem bom relacionamento para interceder junto aos dirigentes, e vamos descobrir se a sua estratégia foi bem sucedida nesta segunda-feira, quando se encerra o prazo de inscrições para a eleição.

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Se for, será uma surpresa. Uma semana atrás, Zico disse em entrevista ao site da ESPN Brasil que ainda não havia conseguido nenhuma das cinco cartas de apoio que precisa, com exceção da CBF, que prometeu endossá-lo caso ele consiga as outras quatro. O coordenador da sua campanha, Rafael Oliveira, afirmou ao Lance! que o ex-jogador do Flamengo tem bastante apoio nos bastidores e que várias federações estão inclinadas a ajudá-lo, mas não citou quais e nem em que pé estavam as conversas. Na última quarta-feira, a candidatura afirmou ter quatro promessas de apoio, incluindo a da federação brasileira. “Mas entre falar e enviar (a carta) vai uma distância”, admitiu o consultor estratégico Pedro Trengrouse, ao jornal Extra.

Zico sofre porque é um estranho no ninho dos dirigentes do futebol mundial e não é tão experiente na articulação política de bastidores quanto seus adversários Michel Platini e príncipe Ali, por exemplo. Tenta compensar esse gargalo com uma campanha de relações públicas. Colocou um site no ar, dá entrevistas no atacado e pede o apoio público de personalidades, como técnicos e ex-jogadores. Qualquer um, na verdade: Djalminha, Alfredo Sampaio, Rogério Ceni, o prefeito do Rio de Janeiro e até o time de futsal do Napoli. Torcedores abriram uma petição on-line para juntar o maior número possível de assinaturas. Tinha pouco mais de 17 mil até a noite do último domingo.

A ideia, evidentemente, é usar a comoção do público para pressionar as federações a se comprometerem a enviar a carta de apoio a Zico. O site da candidatura expressa isso com todas as letras. Um dos tópicos pede que os voluntários entrem na página da Fifa, escolham uma federação, e enviem uma mensagem pedindo apoio ao Galinho. Foi exatamente o que fizemos.

Mas por que nos limitaríamos a apenas uma? Entramos no site da Fifa, nas páginas das federações e compilamos uma lista com os e-mails das 208 federações filiadas à entidade mundial do futebol, de Burundi à Inglaterra, com exceção da CBF que, afinal, já havia prometido apoio a Zico, e enviamos o texto abaixo. Apenas sete mensagens retornaram porque o endereço não existia mais.

Aliás, abre parênteses. A Fifa repassa milhões de dólares para as federações nacionais, e elas poderiam usar um pouquinho desse dinheiro para comprar um domínio próprio. Alguns e-mails de contato ainda são hospedados no hotmail, outros no yahoo francês e mais alguns em endereços indecifráveis. Abram os bolsos um pouco, galera, é baratinho. Fecha parênteses.

zico e-mail

Não tínhamos a expectativa de que elas de fato nos prometessem endossar o brasileiro. Esperávamos respostas automáticas, talvez algum texto pronto explicando que já havia comprometimento com outro candidato, ou até mesmo um “estamos considerando seu pedido”. O que recebemos foi o mais absoluto e retumbante silêncio: nenhuma resposta.

A ausência de consideração das federações apenas ilustra o que sempre pareceu muito claro. Nessas eleições, seja para presidente ou para sede de Copa do Mundo, os dirigentes não dão a mínima para o que o público pensa, e achar que a pressão da torcida ou um vídeo do Paulo Bonamigo fariam alguma diferença foi no mínimo ingênuo.

MAIS: O que o candidato a presidente da Fifa precisará fazer para vencer (viu, Zico?)

A campanha de Zico à presidência da Fifa foi mesmo inocente, desde o momento em que ele tomou a decisão de tentar, dando risada em um jantar com a mulher na Alemanha. Apresentou dez princípios básicos como base das suas propostas, que incluem um programa de sócio-torcedor mundial, mais transparência e democracia, e a inclusão do mundo inteiro do futebol (jogadores, técnicos, torcedores, etc) no processo de tomada de decisões. Não explicou como concretizar esses objetivos de difícil implementação. Outros conceitos são amplos e genéricos, algo que mesmo Joseph Blatter poderia propor.

São inegáveis as boas intenções de Zico, tanto nas propostas, quanto no discurso. Negou-se a fazer acordos, pediu um debate público e usou a sua proeminência mundial para colocar o dedo na ferida e incomodar os acomodados dirigentes do futebol mundial. Infelizmente, para ser presidente da Fifa, isso é muito pouco.

Se você não souber ler em inglês, o e-mail em português:

Olá,

Eu sou Bruno Bonsanti, um jornalista brasileiro e grande fã do Zico, que dispensa apresentações para qualquer um que ame futebol tanto quanto eu.

Neste momento, Zico está tentando se tornar o próximo presidente da Fifa e precisa do apoio de cinco federações nacionais para entrar na eleição.

Até agora, ele conseguiu apenas o endosso da federação brasileira, e isso apenas se ele conseguir as cartas oficiais de outras quatro.

Eu acho que alguém está no mundo do futebol, como jogador, diretor, treinador e até ministro dos esportes, há quarenta anos, sem nenhuma acusação de corrupção, merece pelo menos uma chance de se candidatar.

Então, como o site da campanha do Zico pede que eu faça, apelo que a sua federação apoie Zico oficialmente e o ajude a se tornar um candidato para substituir Joseph Blatter.

Espero que vocês levem meu pedido em consideração.

Obrigado!

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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