O Brasil sofreu muito mais do que deveria. Venceu Honduras por 3 a 2, chegou à semifinal do torneio de futebol masculino na Olimpíada para enfrentar a Coreia do Sul. Mesmo assim e precisamos considerar alguns pontos para que isso tenha acontecido – e que poderia não ter acontecido, caso o adversário fosse melhor.
Brasil é mais time do que Honduras
O time do Brasil é o mais pronto da Olimpíada. Tem jogadores jovens com experiência, como Neymar, Damião, Oscar e Hulk (ainda que este último esteja entre as decepções até aqui). O time está montado, tem uma proposta de jogo clara, com posse de bola no campo de ataque. O time é inexperiente pensando em seleção principal, mas contra times sub-23, são todos veteranos.
O que não significa que esteja funcionando perfeitamente. Não está, o jogo mostrou isso. Teve dificuldades em alguns momentos, mas os principais defeitos ainda estão do meio para trás. Sandro jogou uma partida terrível. Errou no primeiro gol e deixou a defesa desprotegida. Os laterais não conseguem subir sem deixar um buraco às costas. E o time erra muitos passes atrás. Sandro e Rômulo, que fazem a saída, entram nessa conta. Danilo melhorou o time e mano deve considerar a possibilidade de jogar com Rômulo e ele como volantes.
Além disso, o time de Honduras não deu um calor no Brasil. Fez dois gols em dois dos raros ataques que o time fez, com duas falhas defensivas do Brasil. O Brasil foi melhor, chegou mais, mostrou mais em campo. Só que ser um time melhor não é suficiente sempre. Foi hoje, contra a Coreia do Norte e México ou Japão em uma eventual decisão, não bastará. Terá que jogar mais do que contra Honduras.
Árbitro ruim e que trava demais o jogo
Feliz Brych mostrou desde o começo que era um árbitro que marcava faltas demais. Um tipo de arbitragem que beneficia o Brasil, com jogadores que cavam faltas. E o jogo mostrou que ele daria cartões demais, o que é consequência lógica da primeira observação. Isso se refletiu em alguns lances que acabaram pesando no jogo. Foram 40 faltas marcadas (20 para cada lado), com nove cartões amarelos (quatro para o Brasil, cinco para Honduras) e dois vermelhos (ambos para Honduras).
A falta que originou a expulsão de Crisando foi questionável. Foi falta, mas Neymar, claro, exagerou no “ai ai ai, ui, ui, ui”. O cartão era aplicável, ainda que tenha sido uma decisão muito rigorosa da arbitragem, que já mostrava que tem um estilo de marcar tudo, dar cartões em excesso. E dali em diante, então, os jogadores tinham que se adaptar a isso. Ou serem expulsos e saírem reclamando.
As decisões da arbitragem foram controversas. O pênalti marcado para o Brasil foi para lá de discutível, ainda que a entrada do jogador de Honduras tenha sido irresponsável e tenha havido um choque. Um lance que eu não marcaria, mas que não é um absurdo que o árbitro marque. O jogador tem que tomar cuidado com a entrada que faz, sabendo que o árbitro é alguém que marca falta em qualquer contato.
Damião em dia de centroavante clássico
Centroavante é o cara que tem uma função principal: marcar gols. Qualquer outra função é secundária. Em um jogo que tinha se complicado por culpa do próprio Brasil, o gol que marcou foi de um típico centroavante. Empurrou para as redes no carrinho, em meio a marcadores. Depois, no segundo tempo, marcou outro gol típico de um 9: recebeu marcado e, aproveitando a marcação fungado às suas costas, girou e chutou. Mesmo travado, enfiou a bola na rede. Foi o gol da vitória.
Tornou o jogador do Internacional o destaque da partida. Ganhou definitivamente a briga com Pato pela posição de titular. O que é bom: time sem centroavante é sempre um time que falta algo. Times que dão certo sem centroavante são exceções, não regra. Damião está longe dos grandes centroavantes da história do Brasil. Careca, Romário, Ronaldo, são gênios que o jogador do Inter jamais será. O que não significa que não seja jogador de seleção. Ao contrário. Com mais cancha, pode ser o titular da seleção principal. Até porque não apareceu nenhum outro melhor até agora.
E agora a Coreia do Sul
A Coreia do Sul mostrou ser um time aplicado, que sabe marcar pressão a saída de bola do adversário. O que significa que o Brasil pode ter problemas, já que a saída de bola é justamente um dos problemas centrais do time. Além de Juan, zagueiro que tem atuado mal, os volantes não têm conseguido facilitar para os homens de frente. Muitos erros de passe – Sandro errou um que causou o primeiro gol, por exemplo. Uma solução? Danilo no meio, no lugar de Sandro.
No mais, o ataque tem sido o ponto positivo, mas Hulk destoa. Jogou muito bem nos amistosos antes da Olimpíada, o que motivou a convocação para os Jogos. Mas seu futebol tem sido inversamente proporcional à sua força. O problema é que a principal opção reserva, Lucas, também não tem entrado bem. Mas, ainda assim, é uma opção melhor do que Hulk nesse momento.
Uma alternativa é ainda a entrada de Ganso no lugar de Hulk. Com isso, Oscar seria deslocado para a direita, com Ganso pelo meio. Dado que muitas vezes no jogo Oscar aparece pela direita para dar opção, não seria um improviso. Até porque é assim que ele joga no Inter, em muitas vezes.
O caminho para a conquista do ouro está aberto. Mas isso se o time jogar o futebol que pode. Com o que jogou contra Honduras, pode ficar pelo caminho já contra a Coreia do Sul. Quem não acredita pode perguntar para o Reino Unido.



