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Para jornalista da BBC, Blatter gostaria que Teixeira o sucedesse

Para Andrew Jennings, desejo de Blatter é ter Teixeira como sucessor, mas ele acredita ser difícil que isso aconteça

Andrew Jennings, jornalista que faz reportagens investigativas sobre a Fifa e as exibe no programa Panorama (BBC), afirmou que Joseph Blatter tem interesse que o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira, seja o seu sucessor na Fifa.

As declarações do jornalista aconteceram em uma palestra realizada na última terça-feira na Livraria Cultura do Shopping Bourbon, em São Paulo (SP). Na ocasião, Jennings também fez uma noite de autógrafos do livro “Jogo Sujo. O mundo secreto das Fifa: compra de votos e escândalo de ingressos”.

“Blatter gostaria que Teixeira o sucedesse porque ele seria uma pessoa que poderia manter todos os arquivos ainda em segredo. Blatter não quer que [Michel] Platini entre [na Fifa] porque ele é uma pessoa aberta demais que poderia dar, talvez, acesso aos jornalistas que veriam esses arquivos e os escândalos”, disse Jennings.

No entanto, o jornalista acredita que Ricardo Teixeira deverá optar por não se candidatar à presidência da entidade máxima do futebol. “Não vejo a possibilidade de Teixeira ser o próximo presidente da Fifa. A Fifa já está com uma reputação tão suja no mundo todo que isso traria mais atenção para o histórico dele [Ricardo Teixeira].”

Jennings comentou ainda sobre a Copa do Mundo que será realizada no Brasil. Para ele, o Mundial decepcionará os brasileiros que esperam assistir os jogos do estádio. “Tenho um conselho para os brasileiros que querem assistir a Copa do Mundo de 2014. Compre uma televisão maior. Se alguém falou que a população brasileira estaria no estádio onde os jogos estariam sendo jogados, essa pessoa deveria estar fumando algo estranho”, disse em tom de brincadeira.

“No último programa que eu fiz para a BBC, eu e a minha equipe fomos para Oslo, na Noruega, entrevistar uma pessoa que trabalha no mercado negro de ingressos. Ele disse que 40% dos ingressos da Copa do Mundo saem pelas portas dos fundos da própria Fifa e vão parar no mercado negro”, continuou.

“Pensei: ‘40%. Não é possível’. Jornalista adora número grande e achei que nesse caso ele esteva exagerando. Depois eu comecei a pensar de onde podiam vir os ingressos. Eu falo muito com as pessoas do mercado negro, elas são ótimas fontes, são pessoas que têm muita informação, conhecem todos os escândalos.”

“Pensei que esse número poderia estar certo porque esses ingressos são como barras de ouro, são muito valiosos e não vão parar na mão de vocês a não ser que estejam dispostos a pagar muito mais que o valor de face deles. Eles são uma commodity global que é vendido para quem paga mais. Então o melhor jeito de vocês assistirem a Copa do Mundo é na televisão do vizinho.”

Outro assunto abordado por Jennings foi sobre o uso de tecnologia no futebol para auxiliar o árbitro. O jornalista afirmou que não interessa à Fifa o uso de equipamentos eletrônicos e justificou a sua declaração citando a eliminação da Itália e Espanha na Copa de 2002.

“No caso da Coreia, aquilo não foi um incidente o fato de terem vencido a Itália e a Espanha. Foi um resultado combinado. O juiz era de Trinidad e Jack Warner [ex vice-presidente da Fifa] estava controlando esse juiz. O Blatter quer manter o poder de controlar os resultados porque isso pode ter interesse político para ele. Se tivesse ajuda desses meios eletrônicos, Espanha e Itália teriam sim passado para a próxima fase”, disse.

“Mas isso não seria conveniente para Blatter. Não faria o menor sentido porque a Coreia do Sul não gosta muito de futebol e sim de beisebol. Por isso que essas pessoas não querem ajuda desses meios eletrônicos, que poderiam até ajudar esses juízes honestos. Seria bom para todo mundo, menos para Blatter, que ainda tem interesse em combinar resultados.”

Para Jennings, a pressão dos patrocinadores da Fifa é uma forma de forçar a entidade a combater a corrupção. “Cerca de cinco grandes patrocinadores da Fifa fizeram declarações furiosas para os jornalistas sobre essa questão de corrupção na Fifa. Se eles falam assim para os jornalistas em ‘on’, imaginem o que eles falam quando ligam para a Fifa.”

Andrew Jennings falou também sobre os escândalos de manipulação de jogos. “A Fifa e o Blatter não estão preocupados com essa questão. Eles estão tão preocupados em sobreviver politicamente. Ele [Blatter] não tem interesse em futebol. As investigações começaram muito atrasadas e eles nem investigaram o caso nos balcãs. Os torcedores nem vão mais ao estádio lá. ”

“Blatter não investigou porque tem gente lá [balcãs] que vota nele. O Platini, que é uma pessoa que não recebe propina, ele fez vista grossa e também não fez nada para resolver essa questão”, declarou o jornalista.

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