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Para chefe do Catar-2022, Copa pode ajudar a combater o preconceito contra o Oriente Médio

Os atentados de Paris deram início a uma nova e forte onda de medo do extremismo religioso, aliados ao fortalecimento do Estado Islâmico, o autor dos ataques na capital francesa. Uma reação comum é o preconceito: relacionar qualquer árabe ou muçulmano à violência. E a solução para o preconceito é sempre conhecimento, contato e aproximação. Nisso, o futebol, como sempre pode ajudar. Imagina uma Copa do Mundo no Oriente Médio?

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Sim, conseguimos imaginar com muita clareza, afinal, é exatamente isso que acontecerá em 2022, daqui a aproximadamente seis anos e meio. O Catar terá a honra de realizar o primeiro Mundial na região e a responsabilidade de promover esse intercâmbio de culturas. E nas palavras do chefe da organização do torneio, Hassan Al Thawadi, isso é importantíssimo na atual conjuntura global.

“Acreditamos que sediar a Copa do Mundo de 2022 no Oriente Médio é mais necessário do que nunca considerando o clima político global. Pessoas de todos os cantos do mundo se juntarão em solo árabe para celebrar e aproveitar o melhor evento de esportes do mundo e consideramos uma oportunidade preciosa para melhorar a compreensão cultural entre pessoas de diferentes culturas e trajetórias, unidas por uma paixão pelo futebol”, afirmou, em entrevista ao site do Supremo Comitê para Entrega e Legado.

Ele está certo, embora sua opinião possa soar oportunista, dentro do contexto das prisões de dirigentes da Fifa, das investigações do FBI e da profusão de denúncias de corrupção contra figuras importantes, como Joseph Blatter, Jérome Valcke e Michel Platini, esse último um notório defensor da eleição do Catar. O dirigente está seguro que o furacão pelo qual a Fifa está passando não vai atrapalhar a organização do Catar e nem cogita a possibilidade de o torneio deixar o país.

Levar o torneio para o Catar nunca foi necessariamente um problema pelo conceito. Um Mundial no Oriente Médio poderia mesmo – e ainda pode – servir para desmistificar um pouco essa região, com turistas e matérias de jornalistas do mundo inteiro, como aconteceu um pouco com a África do Sul. A questão, na verdade, foi o processo.

Com o objetivo de usar o futebol para combater o preconceito, talvez fosse melhor, por exemplo, dividir o torneio em outras nações do Oriente Médio, ao invés de cedê-lo totalmente para um país pequeno, e sem tradição futebolística, como o Catar.

A candidatura bateu propostas muito mais fortes, como dos Estados Unidos e Austrália, com denúncias de compras de votos – que Al Thawadi negou -, e sem ninguém ter um plano concreto para as partidas disputadas em temperaturas altíssimas. Com o começo da organização, apareceram denúncias de trabalho escravo, morte de operários imigrantes e condições precárias – que, surpresa, Al Thawadi também nega.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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