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Um Brasil essencialmente mais agressivo com e sem a bola

Quem viu o primeiro minuto da Seleção brasileira em campo contra a Itália pensou que se tratava de uma das melhores seleções escaladas por Felipão em toda a história. Ofensivamente falando, pouco faltou ao Brasil, a Neymar e a Fred, autor de dois gols. Quando olhamos os números, essa tendência a estar sempre com a bola e ditar o ritmo do jogo serviu para impulsionar um segundo tempo mais intenso. E também mais perigoso na defesa.

Em poucas ocasiões que a Itália esteve no ataque, forçou Júlio César a trabalhar e evitar o pior. Outra coisa que foi visível além da postura agressiva com a bola, foi a força exagerada sem ela. Em vários lances, os atletas brasileiros iam além da linha da lealdade e acertavam os italianos por cima da bola.

Um jogo mais faltoso

Não que os visitantes tivessem sido propriamente limpos nas divididas, mas os três cartões dados a David Luiz (de forma estúpida), Luiz Gustavo e Neymar provaram essa tendência pelo desarme faltoso. A infração mais grave foi cometida por Marcelo, que acertou Maggio várias vezes numa dividida e nem cartão levou. Ao todo foram 27 faltas do Brasil contra 18 da Itália, com apenas um cartão para a Itália, obra de Marchisio.

Um Brasil bem mais insinuante

Dos 14 chutes que o Brasil deu no jogo, 8 foram no gol, 2 fora e 4 bloqueados. Buffon precisou suar e mesmo assim não conseguiu impedir os quatro gols sofridos. Hoje a equipe de Felipão provou que não fez mau uso da posse, ao contrário dos duelos contra o Japão e contra o México. Ainda que os atletas que mais tocaram na bola fossem os homens de defesa. Daniel Alves outra vez foi o mais acionado, tocando 100 vezes, seguido por Marcelo com 74, Thiago Silva com 71, Hernanes com 60 e Luiz Gustavo com 51.

Pelo menos no primeiro tempo, o Brasil apelou para as bolas longas e em jogadas de velocidade. A tática esbarrava na parede defensiva da Itália e só mesmo nos acréscimos uma bola sobrou para Dante abrir o placar. Verdade que os 45 minutos finais foram bem mais interessantes do que na etapa inicial e que os dois times conseguiram executar o seu jogo com liberdade.

Os que reclamavam do espírito do time de Felipão, hoje tiveram um bom aperitivo vendo um Brasil mais preparado, que utilizou melhor o seu potencial lá na frente. O matador Fred deixou dois gols, Neymar marcou um golaço de falta e até o reserva Bernard melhorou um pouco a criação no meio campo nos minutos finais. Ruim para Cesare Prandelli, que viu seu time repetir a postura apresentada diante do Japão, mas que não tinha um Kawashima no gol e nem uma zaga abaixo da média internacional.

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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