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As razões que tornam o México a vergonha das Eliminatórias

Tudo bem que foi uma classificação emocionante. Dois gols nos acréscimos, que garantiram o México na repescagem da Copa do Mundo. Porém, se El Tri ainda sonha em vir ao Brasil em 2014, não é por causa de sua competência. O time perdeu para a Costa Rica em San José, quando só precisava empatar, e dependeu da ajuda dos Estados Unidos, seus maiores rivais, que viraram a partida contra o Panamá e deram a classificação de presente para os vizinhos.

Obviamente, a situação é tratada com vergonha pelos mexicanos. Uma seleção hegemônica no continente, dependendo dos outros para avançar em uma competição com várias vagas para classificação. Por outro lado, o Panamá fica marcado como amarelão. Afrouxou o jogo no fim, tomou os gols dos Estados Unidos e, segundo relato dos próprios jogadores americanos, pediu para que os adversários diminuíssem o ritmo. O olhar atônito dos panamenhos diante da situação era ainda mais impressionante.

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Porém, mesmo que garanta seu lugar no Mundial, o México é, por enquanto, o dono do maior vexame dessas Eliminatórias. A campanha toda do Paraguai na América do Sul foi ruim, enquanto o atropelamento do Egito no jogo de ida contra Gana foi lamentável. Ainda assim, por seu poderio, El Tri fez um papel mais vexatório. Não concorda? Listamos seis motivos para mostrar como o dramalhão é desnecessário:

– A tradição: O México só não disputou a Copa do Mundo em cinco oportunidades. Em 1934, foi eliminado no confronto direto com os EUA. Em 1938, ficou de fora das Eliminatórias. Em 1974, ficou atrás do Haiti no hexagonal, disputado inteiro em Porto Príncipe. Em 1982, não superou Honduras e El Salvador, em torneio realizado em Tegucigalpa. Em 1990, foi desclassificado por irregularidades no pré-olímpico de 1988. Ou seja: somente três eliminações foram realmente no campo. Além disso, em seus últimos seis mundiais, os mexicanos passaram à segunda fase em todos eles. Uma queda de El Tri na Concacaf pode ser equiparada a um vexame da Itália na Europa ou da Argentina na América do Sul.

– A facilidade do sistema de classificação: Desde a Copa de 1974 as Eliminatórias da Concacaf são disputadas no mesmo formato, com exceção nos anos em que um país da zona sediou o torneio – até 1982, as seleções enfrentavam cada rival só uma vez. E nem o acréscimo de vagas no Mundial fez o modelo ser alterado. Ou seja, o hexagonal decisivo foi pensado para classificar um ou dois times. Com três vagas diretas e uma na repescagem, é preciso ser muito azarado (ou incompetente) para ficar de fora.

– A quantidade de vitórias: Foram dez jogos do México na fase final das Eliminatórias. E somente DUAS vitórias. É certo que El Tri abusou da igualdade, ao empatar metade de suas partidas. O que não exime sua culpa pelo desempenho ridículo. Um dos triunfos aconteceu contra a lanterna Jamaica, em Kingston. O outro foi contra o Panamá, no Estádio Azteca, no resultado que acabou sendo vital à classificação para a repescagem. Desde 1998, nunca o quarto colocado do hexagonal fez tão poucos pontos.

– O número de gols: O México fecha o hexagonal com média inferior a um gol por jogo. Foram somente sete bolas na rede, sendo em que cinco partidas o ataque tricolor passou em branco. A falta de pontaria dos atacantes foi decisiva para o sufoco vivido pelos mexicanos, já que ocasiões de gol não faltaram em boa parte das atuações do time. Nessa lista, Chicharito Hernández merece menção, pelo pênalti perdido contra Panamá e por esse erro bisonho contra a Costa Rica.

– A importância na região: O domínio do México é notável nos torneios da Concacaf. A seleção é a maior campeã da Copa Ouro e só ficou de fora do pódio em três edições do torneio – eliminada sempre nas quartas de final, por Colômbia, Coreia do Sul e Canadá. Além disso, os clubes do país têm 26 dos 37 títulos na Liga dos Campeões. Uma supremacia que deveria se refletir naturalmente nas Eliminatórias.

– A dependência dos outros países da região: Sem dúvidas, o México conta com a liga mais poderosa das Américas do Norte e Central, por mais que a economia dos EUA seja maior. O futebol da região gira em torno do que acontece no país. E, de certa forma, parte dos adversários no hexagonal ficam em função dos times mexicanos. Dos elencos convocados para a rodada final, são três americanos e três panamenhos que atuam na Liga MX.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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