Mundo

O que a Copa das Confederações significa para cada um de seus oito participantes

A Copa das Confederações nunca foi a competição favorita de jogadores, dirigentes e treinadores e começa, neste sábado, na Rússia, sob a possibilidade de ser uma das últimas edições. Poucas vezes consegue prever o que acontecerá na Copa do Mundo do ano seguinte, é realizada entre duas competições importantes para o futebol europeu e não conseguiu produzir uma importância muito grande no coração dos fãs em 20 anos de existência.

LEIA MAIS: 12 nomes para ficar de olho na Copa das Confederações

Mas ela existe e, enquanto existir, servirá de teste para o país-sede da Copa do Mundo e como laboratório para grandes seleções, como a Alemanha, que leva uma equipe jovem para a Rússia. Ou como oportunidade rara de título para equipes médias, como Chile e México, ou uma chance para times menores medirem forças com grandes potências em um torneio competitivo.

Cada equipe classificada para a Copa das Confederações tem suas ambições e buscam significados diferentes nas próximas duas semanas.

Grupo A

Rússia

Vladimir Putin deu aquela cornetada na seleção russa (Foto: Getty Images)
Vladimir Putin deu aquela cornetada na seleção russa (Foto: Getty Images)

A corneta veio do mais alto escalão russo. “Esperamos que os rapazes joguem com muito comprometimento, como guerreiros e atletas, para pelo menos agradar os fãs com o esforço pela vitória”, afirmou o presidente Vladimir Putin. O desempenho da seleção anfitriã preocupa. Com 11 atletas com pelo menos 30 anos, a renovação, que já era urgente na época da Copa de 2014, ainda caminha a passos curtos. Conseguiu classificação para a Eurocopa, mas ficou na lanterna do grupo, com um empate e duas derrotas. O alento são os resultados em amistosos recentes: este ano, perdeu da Costa do Marfim, empatou com Bélgica e Chile e venceu a Hungria, categoricamente, por 3 a 0. Uma boa Copa das Confederações pode transbordar em motivação para o Mundial do ano que vem ou pelo menos servir de compensação para a torcida, caso a campanha da dona da casa fique abaixo das suas expectativas.

Portugal

Cristiano Ronaldo, a principal esperança de Portugal (Foto: Getty Images)
Cristiano Ronaldo, a principal esperança de Portugal (Foto: Getty Images)

Os gajos entram em campo com a responsabilidade de representar o continente europeu. Portugal disputa a Copa das Confederações pela primeira vez em sua história, o que já torna o torneio especial para a turma de Fernando Santos. Mas há um ponto a ser provado aqui: afastar a noção de que o título da Eurocopa foi fruto do acaso, uma combinação de uma chave mais fácil com um gol na prorrogação. Espera-se, também, uma grande competição de Cristiano Ronaldo, que terminou a temporada europeia na ponta dos cascos. Seu brilho na França, ano passado, foi esporádico. Agora, em forma, pode decidir mais partidas para a sua seleção, como se espera dele, além da nata liderança que exerce sobre o grupo.

México

Juan Carlos Osorio, técnico do México, aparentemente meditando (Foto: Getty Images)
Juan Carlos Osorio, técnico do México, aparentemente meditando (Foto: Getty Images)

“Jogaram como nunca, perderam como sempre”. Esta frase virou um indesejado slogan para a seleção mexicana. Parecia que a história poderia ser diferente na Copa América do Centenário: atuando no familiar Estados Unidos, e jogando um belo futebol nos primeiros meses sob o comando de Juan Carlos Osorio, havia uma expectativa razoável de que o México poderia pelo menos chegar à decisão. Realidade: foi eliminado pelo Chile, levando 7 a 0 nas quartas. A Copa das Confederações é outra oportunidade, ainda mais uma edição mais acessível como esta. O trabalho do ex-treinador do São Paulo está mais consolidado, e a vitória por 2 a 1 sobre os EUA, fora de casa, no último mês de novembro, devolveu moral à equipe. Os resultados recentes são bons e dão esperança de que o México pode repetir a campanha da Copa das Confederações de 1999, quando foram campeões batendo o Brasil na final: líder do hexagonal das Eliminatórias da Concacaf, e apenas uma derrota em 13 jogos desde a humilhação chilena.

Nova Zelândia

Anthony Hudson, técnico da Nova Zelândia (Foto: Getty Images)
Anthony Hudson, técnico da Nova Zelândia (Foto: Getty Images)

A Nove Zelândia precisa passar pela repescagem, geralmente contra um adversário mais forte, para conquistar vaga na Copa do Mundo, o que só conseguiu, neste formato, em 2010. Logo, a Copa das Confederações é uma oportunidade para a equipe se testar contra algumas das principais seleções do mundo, encarar craques como Cristiano Ronaldo e tentar fazer uma bagunça. Será a sua quarta participação, e o time da Oceania ainda busca a primeira vitória. Até agora, coleciona oito derrotas em nove partidas – empatou com o Iraque, em 2009. Capitão e jogador mais badalado do elenco, Winston Reid, zagueiro que disputou 30 jogos de Premier League pelo West Ham na última temporada, foi cortado por lesão. “Historicamente, em torneios, nunca conseguimos muita coisa, então as expectativas provavelmente não são muito altas”, admitiu um muito sincero treinador Anthony Hudson. “Temos a responsabilidade de deixar nosso país orgulhoso com a maneira como jogamos e o que colocamos nesta camisa”.

Grupo B

Alemanha

Joachim Löw, técnico da Alemanha (Foto: Getty Images)
Joachim Löw, técnico da Alemanha (Foto: Getty Images)

Seria uma chance para a Alemanha mostrar que continua forte. Os três anos seguintes ao título da Copa do Mundo foram de futebol mediano, às vezes sonolento. Demorou para engrenar na última Eurocopa e foi eliminada pela França, nas semifinais. No entanto, o técnico Joachim Löw decidiu usar a Copa das Confederações para dar experiência de competição para a próxima geração. Não convocou nenhum atleta acima dos 30 anos. Os mais velhos – Sandro Wagner, 29, e Lars Stindl, 28 – somam apenas quatro aparições pela seleção principal entre eles, todas nos mesmos dois jogos: a goleada sobre San Marino e o empate com a Dinamarca, no começo deste mês. Os principais nomes são os mais jovens, como Julian Brandt, Timo Werner, Niklas Süle, Emre Can e Julian Draxler. Este último, Mustafi e Ginter são os únicos convocados que estiveram no Brasil.

Claro que uma decisão dessas não viria sem críticas. “O coração do fã de futebol sangra quando o atual campeão (mundial) compete sem suas estrelas”, reclamou o chefe da organização da Copa da Rússia, Alexej Sorokin, segundo a Kicker. Mas Löw defendeu sua posição: “Os jogadores que atuaram tantas vezes chegam a um ponto que atingem o limite. Eu entendo que o anfitrião tenha diferentes expectativas. Mas eles verão as estrelas no próximo verão. Não importa em que posição terminemos na Copa das Confederações, faz sentido jogarmos com esta equipe. Pode nos ajudar já no próximo ano, ou talvez daqui a três. Um dia, ela será importante para os que a jogaram”.

Chile

Arturo Vidal, uma das estrelas do Chile (Foto: Getty Images)
Arturo Vidal, uma das estrelas do Chile (Foto: Getty Images)

Há uma coisa sobre conquistar títulos: vicia. O Chile conquistou o seu primeiro em 2015 e repetiu a dose no ano seguinte. Levantar três troféus em três anos consecutivos colocaria este grupo de jogadores ainda mais na história do futebol do país. Seria um feito quase inalcançável por outra geração, até porque, quando teremos duas Copas Américas seguidas novamente? A espinha dorsal foi convocada. O técnico Pizzi levou Claudio Bravo, Arturo Vidal, Alexis Sánchez e Eduardo Vargas, que vira um tigre com a camisa da seleção chilena. A primeira participação chilena na Copa das Confederações também serve para afastar as preocupações com a forma recente da equipe, que não consegue vencer dois jogos consecutivos pelas Eliminatórias desde as primeiras duas rodadas e está em quarto lugar.

Camarões

Hugo Broos, técnico de Camarões (Foto: Getty Images)
Hugo Broos, técnico de Camarões (Foto: Getty Images)

Camarões enfrentou a tempestade, com vários problemas internos e inclusive uma suspensão de futebol internacional, em 2013, para conquistar a Copa Africana de Nações deste ano, seu primeiro título da competição desde 2002. A Copa das Confederações representa uma oportunidade para Os Leões Indomáveis mostrarem que podem mais uma vez ser relevantes nos grandes palcos. Desde as quartas de final da Copa de 1990, Camarões caiu na fase de grupos em todas as participações em mundiais. E o retrospecto neste torneio é interessante: em duas participações, chegou a uma final e foi derrotado pela França com um gol de ouro marcado por Henry, na prorrogação, em 2003.

Austrália

Tim Cahill, interminável (Foto: Getty Images)
Tim Cahill, interminável (Foto: Getty Images)

A superioridade da Austrália sobre seus rivais asiáticos diminuiu neste último ciclo de Copa do Mundo, apesar do título da Copa da Ásia de 2015. A equipe sofre para se classificar para o próximo Mundial, em terceiro lugar no seu grupo, apesar de a vitória por 3 a 2 sobre a concorrente Arábia Saudita, no começo deste mês, ter sido um bom sinal. O ataque ainda depende demais do veterano Tim Cahill e a derrota incontestável para o Brasil, por 4 a 0 – derrota mais pesada dos australianos desde 2013 – , foi mais uma fonte de desânimo. Na Rússia, a vice-campeã da Copa das Confederações de 1997 pode tentar uma campanha honrosa que lhe dê motivação para os próximos desafios.

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo