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O primeiro calendário para 2022 e o primeiro absurdo

Finalmente alguém apareceu com uma ideia concreta de calendário para acomodar a Copa do Mundo de 2022 no inverno. O cronograma foi proposto pelo chileno Harold Mayne-Nicholls, mas tem alguns probleminhas. Além de colocar o Mundial no mesmo período da Olimpíada de Inverno, ainda marca a final para a mesma data do Superbowl, a decisão do futebol americano, que nos últimos anos sempre aconteceu no começo de fevereiro.

A proposta foi feita pelo chileno Harold Mayne-Nicholls, ex-presidente da federação do seu país e líder do time que inspecionou os nove candidatos na eleição das sedes de 2018 e 2022. Em entrevista ao site Inside World Football, em agosto, ele afirmou que o seu relatório avisava que escolher o Catar seria muito arriscado por causa das altas temperaturas durante no verão, quando o Mundial geralmente é disputado.

Nicholls, afastado do alto comando do futebol e presidente de uma fundação não-lucrativa que tenta integrar crianças ao esporte, contou a sua ideia ao mesmo veículo. A temporada 2021/22 começaria em 8 de agosto e seria pausada em 19 de dezembro. As eliminatórias terminariam em setembro. Três semanas de pré-temporada, Copa do Mundo entre 6 de janeiro e 6 de fevereiro, e as ligas voltariam à ativa em 13 de fevereiro até a metade de junho, cerca de um mês depois da data em que a temporada europeia costuma ser encerrada.

Janeiro é realmente um dos períodos sendo discutidos pela cúpula do futebol internacional e certamente estará na pauta de uma reunião do comitê-executivo da Fifa, em 3 de outubro, que deve definir alguns rumos para o Mundial do Catar, mas vamos aos problemas.

O primeiro deles é a Olimpíada de Inverno de 2022, um argumento já utilizado por Joseph Blatter, presidente da Fifa, para diminuir as chances do primeiro mês do ano. “Estamos cientes de que a Fifa pode considerar trocar as datas da Copa do Mundo de 2022”, disse um porta-voz do Comitê Olímpico Internacional. “Estamos confiantes que a Fifa vai discutir as datas conosco para coordená-las e não afetar os Jogos de Inverno”.

Outro é a resistência da Associação Inglesa de Futebol, que tem um calendário mais extenso que as outras, com 38 datas de Premier League, duas copas e rodadas festivas, como o Boxing Day, em 26 de dezembro. “Talvez eles possam avançar em junho ou colocar os jogos de copa em dias de semana. Isso seria apenas por uma temporada. Obviamente, haveria férias menores, mas todos têm que ceder um pouco. Eu entendo a importância do período de festas da Inglaterra, mas eles teriam que parar por apenas uma temporada”, explicou.

O maior problema, porém, é colocar a final da Copa do Mundo competindo com o Superbowl, cuja versão de 2013 foi o programa de televisão mais assistido da história dos Estados Unidos, um mercado que o futebol certamente não pode alienar. A Fox Sports, dona dos direitos de televisão do Mundial, ficou irritada com a possibilidade de ele coincidir com jogos menores da NFL, em novembro e dezembro, outro período que está sendo discutido.

“Estou falando de problemas do futebol, não do lado comercial, que certamente não será fácil”, disse Nicholls. “Novembro cria ainda mais problemas por que quase o mundo inteiro – pelo menos Europa, América do Sul, Ásia e África – estão jogando. Se você parar em novembro, para o mundo”, concluiu o primeiro homem do futebol a pensar em uma solução concreta para o problema que a Fifa criou.

O calendário prevê a final entre 6 de janeiro e 6 de fevereiro
O calendário prevê a final entre 6 de janeiro e 6 de fevereiro

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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