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O Olhar de Fora: Xavi mostra que manja um básico de futebol do Rio

A onda de protestos continua dominando a cobertura da imprensa internacional sobre o que ocorre no Brasil. Os protestos e, claro, os jogos da Copa das Confederações. Então, é compreensível que boa parte dos exemplos positivos e negativos continuem ligados ao tema. Mas encontramos um caso diferente para esta quarta. Xavi, craque da seleção espanhola, mostrando que tem uma intimidade acima da média sobre o futebol brasileiro, sobretudo do Rio de Janeiro. Do lado negativo, mais uma explicação um pouco generalista sobre as circunstâncias que envolvem as manifestações pelo País.

 

MANDOU BEM

El País: Xavi, da folha seca à Copa de 1950

Desde o começo da Copa das Confederações, o El País, maior e melhor jornal da Espanha, tem feito uma série de sabatinas com membros da delegação espanhola. Cada dia é publicada uma. São sempre as mesmas perguntas, geralmente sobre temas brasileiros e latino-americanos. Nesta quarta foi a vez de Xavi, e o meia foi acima da média. Sabia o nome completo de Pelé (Soldado e Fernando Torres não sabiam), descreveu corretamente o que é folha seca (a pergunta foi com o termo em português), acertou as cores do Botafogo, o que foi o Maracanazo, o clube pelo qual atuou Garrincha, quem é o “gato do Maracanã” (apelido de Ramallets, goleiro da Espanha na Copa de 1950) e quem é Emerson Fittipaldi. Mesmo quando errou, tinha alguma noção. Perguntado sobre o time para o qual torcia o pai de Romário, arriscou “Flamengo ou Vasco”. Errou, mas indicou apenas clubes cariocas. Ah, e ele disse nunca ter visto um episódio da novela Dancin’ Days.

DEU UMA ESCORREGADA

The Economist: não é a economia, estúpido

É compreensível que uma revista econômica tente encontrar explicações econômicas para todos os acontecimentos sociais. Faz parte de sua natureza, e é assim em todo o mundo. Mas, às vezes, as coisas não ocorrem apenas por dinheiro. Sério! A Economist caiu nesse equívoco ao falar das manifestações pelas cidades brasileiras. Considera que o fenômeno é uma mistura insatisfação pelo crescimento da inflação (e a passagem de ônibus seria um bode expiatório, pois ela subiu abaixo da inflação) com aumento do nível de exigência da nova classe média brasileira (dando a entender que ela seria a promotora dos protestos). E quem acompanha de perto o que ocorre em cada manifestação sabe que a inflação é um assunto bem menos importante do que a passagem de ônibus ou o modo como a população é tratada pela gestão pública. E sabe também que tem muita classe média tradicional e muita gente que ainda não entrou na “nova classe média” participando com força nos protestos.

Obs.: na seção “O Olhar de Fora”, mostraremos exemplos positivos e negativos de como a mídia estrangeira leva a seu público o que está acontecendo na Copa das Confederações no Brasil. Vamos destacar boas sacadas ou reportagens que mostrem bem o que estamos vendo aqui de perto, e cornetar o que retratar o torneio, o País ou sua cultura de modo superficial, preconceituoso ou equivocado.

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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