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O olhar de fora: Seleção “sem classe e elegância”

Brasil x Uruguai, semifinal da Copa das Confederações, clássico sul-americano. Não bastasse as expectativas altas pela situação, a partida no Mineirão ainda levou a campo Neymar, principal negócio do mercado de transferências até aqui, e Edinson Cavani, um dos nomes mais especulados pelos grandes clubes europeus. Motivos suficientes para que a imprensa internacional fizesse uma cobertura detalhada sobre o jogo.

Acompanhamos o “ao vivo” de Brasil e Uruguai em sites de sete países diferentes (Alemanha, Argentina, Espanha, França, Inglaterra, Itália e Uruguai). Em comum, certa desconfiança com a atuação da seleção brasileira, o frenesi por Neymar e a insistência do fantasma de 1950. Confira os principais tópicos, com os acertos e também as besteiras ditas por aí.

– A atuação do Brasil

Muitas interrogações sobre o futuro da Seleção, especialmente se terá forças para conquistar a Copa do Mundo. O time de Felipão foi apontado como “sortudo” por ter saído com a vitória no primeiro tempo, embora a melhora na volta do intervalo tenha sido elogiada pela maioria.  Nada que mudasse a impressão de que os brasileiros fizeram a sua pior atuação na Copa das Confederações.

A crítica mais pesada veio da BBC: “Desconexo, muito desconexo. A Espanha não tem nada para se preocupar. Ou a Itália, desse jeito. O Uruguai fechou o cadeado do trabalho de Felipão, o Brasil não está nem perto do que eles mostraram até agora”. Já o analista Alan Hansen foi mais longe: “O Brasil está muito aquém da classe e da elegância, com muitos jogadores superestimados. O único que não é superestimado é Neymar”. Já o ex-jogador Gary Lineker fez piada com os atuais jogadores do elenco: “Hulk! Bernard! Fred! O que aconteceu com os nomes glamourosos do futebol brasileiro?”.

– As manifestações em Belo Horizonte

Cobertura exclusiva dos ingleses sobre o tema, mas nada tão profundo sobre os desdobramentos da ação da polícia. O Guardian pontuou: “Dizem que 100 mil pessoas estão nas ruas ao redor do estádio (redor muito longe, cortesia das forças de segurança) demandando escolas, hospitais, etc. no padrão Fifa”.

– O fantasma de 1950

Tema inevitável entre todas as coberturas. Os prêmios para provação ficaram mesmo com os uruguaios e argentinos. Olé e Ovación clamavam pelo “Minerazo”, a versão atualizada do “Maracanazo”. Ficaram na intenção.

– Neymar

Estrela suprema em todas as coberturas, foi tratado como “ele e mais dez”. Obviamente, nenhum acompanhamento foi mais exagerado que o do Mundo Deportivo, de Barcelona. De cinco em cinco minutos, uma informação nova sobre o camisa 10. “Neymar toca e começa o segundo tempo” e “O Brasil joga apenas nos lampejos de Neymar” foram os mais escancarados. Já o Guardian debochou em sua saída: “Neymar está sendo substituído e a grande questão é: ele pode ir do meio-campo à lateral sem cair? Sim, conseguiu, um herói!”.

– Paulinho

Exaltado pelo France Football pelo lançamento “belíssimo” no gol de Fred, confundido com Luiz Gustavo pelo Marca. Discreto em campo, foi pouco lembrado até o lance do segundo gol. Porém, a falha de Muslera no lance foi mais ressaltada do que o arremate do volante: “O escanteio de Neymar encontrou uma saída em falso de Muslera”, destacou o Ovación.

– Bernard

Incendiou não apenas o jogo, como também a cobertura. “Vibração no estádio porque Scolari vai inserir Bernard, ídolo local”, segundo o Corriere dello Sport. Analista da BBC, Ben Smith aproveitou para elogiar Felipão: “Inteligente a escolha de Scolari. Ao invés de favorecer Lucas, como de costume, mandou a campo Bernard e levantou de uma só vez a torcida e o jogador”.

– Thiago Silva

A atuação fraca do capitão brasileira foi criticada por boa parte da imprensa, especialmente pelos franceses. Para o Guardian, teve um jogo “estranhamente horrível”.

Edinson Cavani

– Diante do primeiro tempo apagado, muitos perguntaram se Cavani valeria mesmo os € 63 milhões pedidos pelo Napoli. Bastou o gol e a entrega defensiva para que começasse a ser exaltado como o melhor uruguaio em campo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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