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O nome da bola – Parte II

Dando continuidade a “microsérie” iniciada há um mês – e paralisada apenas para a publicação da entrevista da coluna com Mauro Beting sobre os bastidores de Pro Evolution Soccer 2011 -, é chegada a hora de avançar às lembranças de mais games de futebol que levam consigo a alcunha de ex-jogadores. Algo que, como se viu, era muito mais comum nos anos 80 e no princípio da década de 90, mas que perdeu força pela “bipolarização” dos títulos futebolísticos com a evolução dos consoles, limitados a PES e FIFA – e que só ganha uma terceira via nos meios PC e PSP, quando entra na briga a franquia Football Manager.

Um dos videogames que mais se mostrou “pródigo” em lançar jogos que tinham a “assinatura” de um nome famoso do desporto bretão foi justamente o Amiga. Pródigo, porém, não no sentido do “know-how” em se mandar ao mercado games assim. Até porque não se pode dizer que o console teve muito sucesso. Peter Beardsley International Soccer (Teque), de 1988, está aí para mostrar isso. Há somente OITO times disponíveis: Inglaterra, Alemanha Ocidental, Iugoslávia, Hungria, Áustria, Polônia, Turquia (?) e Grécia (?). O jogo é estranho, mas “When the Saints Go Marching In”, que toca nos menus (em formato 8bit, claro), ajuda a salvar a pátria.

Até mesmo o polêmico Paul Gascoigne não escapou dos games, e emprestou seu nome a Gazza's Super Soccer (foto), em 1989, em jogo produzido também para Commodore 64, ZX Spectrum e Amstrad. Para angariar público, a Empire Interactive lançou o jogo na Alemanha e na Holanda como Bodo Illgner's Super Soccer, em alusão ao goleiro germânico, e Anders Limpar's Proffs Fotboll na Escandinávia, em referência ao meia sueco. O jogo tem uma visão totalmente de cima do campo, e conta como principal diferencial na jogabilidade a possibilidade de se comandar o goleiro. A crítica viu o primeiro game de Gazza com alguma relutância, mas considerou-o mediano à época.

Mas é aquela história: Gazza tem seu público cativo e o sabe cativar. Tanto que o título teve razoável sucesso levou a Empire Interactive a fazer Gazza II, que diferentemente do que se poderia imaginar, acabou não sendo exatamente uma “atualização” de Gazza's Super Soccer, mas um título novo. A câmera, antes vertical, ficou horizontal, e agora havia a possibilidade de o jogador ter mais controle da potência dos chutes. O game também ficou mais dinâmico e para alguns avaliadores, “bebia” um pouco do potencial de Kick Off, um dos primeiros bons jogos de futebol lançados. Curiosamente, apesar de melhor que a versão anterior, Gazza II não teve o mesmo impacto.

Em 1991, por sua vez, veio outro título do aparelho para o segmento: Graeme Souness Vector Soccer (Impulze), em alusão ao meia ex-capitão do Liverpool na década de 80. E apesar de ser um game que buscou inovar pela presença de gráficos próximos ao que poderia se dizer 3D e uma câmera que acompanhava os movimentos dos jogadores mais próximos ao campo, a crítica foi pesada à ocasião, pela fraca qualidade gráfica mesmo para a época e a jogabilidade pífia. Alguns reviews da época revelaram que a participação de Souness foi meramente a de dar nome ao jogo. E indicam: se o ex-jogador estivesse no meio, dificilmente deixaria o jogo ir para as lojas.

Dois anos depois, quem deu as caras no universo gamer foi ninguém menos que Lothar Matthäus, com Lothar Matthäus: The Interactive Football Simulation (foto), que nada mais era do que a versão alemã de European Football, um dos jogos mais famosos lançados para Amiga. Em 1994, o capitão germânico voltou em Lothar Matthäus Super Soccer (Krisalis), este também foi lançado para Super Nintendo. Até pelas melhores condições que propiciava o SNES, o game já era bem melhor que o de Souness, ainda que não proporcionasse lá muitos modos. Havia, porém, uma boa variedade de equipes a serem escolhidas – principalmente, por razões meio óbvias, alemãs.

Nesse meio tempo, em 1992, a Krisalis também quis investir em John Barnes (ele mesmo!), com John Barnes European Football, lançado para Amiga e Atari. Em linhas gerais, o jogo em questão permitia que se disputasse o que, em tese, era a Eurocopa, mas em sua fase final, com oito clubes: Escócia, Inglaterra, Alemanha, Suécia, Iugoslávia, Holanda, França e CIS (Comunidade dos Estados Independentes, formada pelos dissidentes da União Soviética). O game não tem muito segredo e é daqueles para se jogar com quem nunca jogou: típico “aperte os botões até a bola entrar no gol”. Visualmente, porém, o jogo agradava, se comparado a outros de sua época.

(foto), da EA Sports. E se tratava realmente de um game curiosos. Cabe a quem está com o joystick, por exemplo, determinar quem dos jogadores receberia o passe e para onde chutaria, observando a partida na parte de cima da tela e comandando as ações no campinho de baixo, onde era necessário selecionar para quem (ou para onde) o boneco iria passar, antes que o rival chegasse na marcação.

Já em 1993 chegou às lojas, em homenagem ao folclórico goleiro, Tony Meola Sidekicks Soccer (Sculptured Software). Sem contar com seleções, mas com 64 clubes fictícios e uma câmera de jogo próxima ao campo, o título é um dos mais interessantes e lembrados do gênero futebolístico na era 16-bit. A jogabilidade era simples, mas boa para a época, tal qual os gráficos. A repercussão só não foi maior porque o público estadunidense ainda não era dos mais adeptos ao futebol. Tanto que o jogo recebeu diferentes nomes. Por aqui, chegou a ser intitulado “Super Copa”. No Japão, o “personagem” a dar nome ao game foi outro: o brasileiro naturalizado Ruy Ramos.

O último jogo do gênero a ter mais destaque já foi, inclusive, tema de coluna aqui na Trivela. Fala-se de Ronaldo V-Football, lançado já na era Playstation, mas com versão também para Game Boy Color. Com equipes quase todas oficiais (na versão para PS), o jogo, apesar de lento em algumas telas de “loading”, conta com gráficos em 3D muito bons para a ocasião que o game foi desenvolvido, além de uma boa variedade de opções de partida, como o modo Endurance, que lembra bastante o bom e velho arcade da década passada. Pelo conjunto da obra, embora sem o mesmo impacto que outros games do estilo, é o que tem o gameplay mais interessante.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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