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O nome da bola – Parte I

Quando foi feita a coluna em homenagem ao aniversário de Pelé, mostrando que, de alguma forma, o Rei do Futebol acabou abrindo as porteiras do mundo dos games para o desporto bretão, falou-se que após o famoso Pele's Soccer, muitos outros jogadores também foram lembrados para emprestarem seus nomes a jogos. Uma prática que, como se perceberá, foi bastante comum nos anos 80, quando a indústria de games ainda era incipiente.

E na falta daqueles títulos que hoje, por si só, arrebatam milhões e mais milhões pelo mundo, eram os craques (ou treinadores) de impacto da época que serviam como “carros-chefes”. E desde já, a coluna recomenda a leitura dos tópicos sobre futebol virtual no Fórum Outerspace, que foram parte das fontes utilizadas por este colunista neste texto. Vale a leitura!

Curiosamente, e muitos aqui vão notar, vários destes jogos sequer chegaram ao Brasil, ou se chegaram, fizeram-no de forma bastante pontual. Afinal, surgiram em plataformas muito pouco divulgadas no Brasil, como os extintos MSX, Commodore 64 e Amiga. Interessante notar também que à medida que a indústria de jogos eletrônicos cresceu e passou a ser, por assim dizer, mais “auto-suficiente”, esses games com “apelidos famosos” tornaram-se mais raros.

Muito disso se dá, diga-se, em virtude do cenário do mercado, que insistiu em se bipolarizar entre FIFA e seu rival da Konami (ora International SuperStar Soccer, ora Winning Eleven-Pro Evolution Soccer), limitando o espaço para novos concorrentes – que são cada vez mais raros e só conquistam mesmo aquele público por demais “indie”. Casos com os quais jogos como Pure Futbol, no passado, This is Football e LiberoGrande se depararam.

Comecemos nesta primeira semana com a década de 80 e, em especial, com os primeiros jogos do gênero a surgir para Commodore 64. Iniciemos mais precisamente em 1987, com Gary Lineker's SuperStar Soccer, criado em homenagem ao histórico jogador do English Team, artilheiro da Copa do Mundo de 1986 e ídolo em clubes como Leicester City, Barcelona e Tottenham Hotspur.

O jogo, da Gremlin, como muitos da época, não poderia ser considerado exatamente uma real simulação futebolística – como indicado pela revista especializada Zzap!64, considerando-o “prazeroso e bem feito, ainda que diferente da realidade”. Não havia muitas opções, exceto jogar uma partida – sim, não havia um modo liga ou taça – com seis jogadores de cada lado e – essa sim, talvez a mais curiosa – jogar, literalmente, os 90 minutos de uma partida oficial.

No ano seguinte, o atacante espanhol Emilio Butragueño, destaque da Fúria na Copa de 1986, foi o homenageado da vez, em jogo da Ocean Software com a Topo Soft: Emilio Butragueño Futbol. O game também não contava com grande modos: somente um amistosinho maroto, entre um time branco (que em uma rápida pensata acerca do personagem que dá nome a esse jogo, conclui-se que se trata do Real Madrid) e um vermelho.

Aliás, segundo o portal especializado MobyGames, na capa do game, Butragueño é colocado justamente com a camisa do time vermelho. O motivo: não criar problemas mercadológicos com torcedores rivais dos merengues. O jogo, que ainda teve uma segunda edição, não é dos mais elogiados, estando para muitos entre alguns dos piores já lançados para Commodore. É mais ou menos como quando a Coca-Cola patrocinou o Grêmio e “tingiu” de azul seu logo, tradicionalmente vermelho.

Outro nome inglês que ganhou destaque da década de 80 no mundo virtual foi ex-capitão da seleção inglesa e do Liverpool: Emlyn Hughes International Soccer. E se os jogos anteriores não tinham empolgado tanto, o baseado no defensor britânico em 1988 deu nova vida à bola digital. Foi desenvolvido para Commodore, mas chegou também a Amstrad, Amiga e ao histórico Atari.

Conhecido como EHIS, o game foi muito elogiado pelas publicações especializadas. E com razão. De fato, apresentava gráficos e possibilidades muito superiores a outros jogos da época, como o famoso KickOff. A supracitada Zzap! deu ao game o equivalente a uma nota 9, elegendo-o o melhor jogo de futebol já feito para Commodore.

E o game fez tanto sucesso que é mantido até hoje um site para fãs antigos se contatarem e jogarem on-line, o http://www.ehis64.net. O mais curioso é que, na página, há uma interessante justificativa para que os fãs de EHIS o considerem o maior game de futebol de todos os tempos. Dentre as razões citadas, está a possibilidade de reproduzir esta cena. Não é que lembraram até do Maradona?

No próximo texto, serão apresentados os jogos que surgiram no extinto computador Amiga e que se seguiram nos consoles seguintes, passando por famosos como Tony Meola's Sidekicks Soccer e Ronaldo V-Football – que já foi tema de coluna aqui na Trivela.

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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