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O mais carismático

Todo jogo possui aquela edição marcante, um símbolo de sua era de dominância ou simplesmente de sua existência. Com FIFA, até a reviravolta nos aparelhos next-gen, a versão 98 é uma das mais aplaudidas. Na fase em que Pro Evolution Soccer ainda era conhecido somente por Winning Eleven, o debute da Master League fez com que WE4 entrasse para a história, tal como PES 6, já na geração do PS2. No meio manager, já se falou aqui de Elifoot, com ênfase à versão 98, notoriamente a mais importante.

E quanto a Championship Manager? Para muitos fãs, difícil não assimilar a série, de imediato, com a versão lançada em outubro de 2001: o famoso CM 01/02. Sim, é o mesmo CM que elevou tantos ilustres desconhecidos ao posto de ídolos de muitos jogadores. Quem descobriria as habilidades de Maxim Tsigalko, Anastasios Skalidis e Marajó, Sergey Nikiforenko, dente outros, não fosse este jogo? Basta dizer que, desde o ano passado, o jogo acabou liberado para download gratuito — o único da franquia, diga-se — no site da Eidos.

Inúmeros são os fatores apontados como preponderantes para entender como um game sem grandes maravilhas ou efeitos visuais obteve tal reconhecimento. Primeiramente, a velocidade, que permitia um rápido andamento do jogo mesmo em computadores medianos e se utilizando uma base de dados mais extensa. Em uma plataforma como o PC, onde, mais do que a beleza gráfica, o dinamismo tem substancial importância, tal característica se mostrou — e para muita gente, ainda é — um grande diferencial.

Outro ponto é a facilidade para andar pelos menus e executar ações do jogo. Não há muito segredo. Mexer na equipe, escolher titulares, alterar as táticas, procurar emprego, preparar treinos: todos os procedimentos estão bem claros, sem muita burocracia. Contratar jogadores também era simples, e com pouca prática, já era possível atentar a certos detalhes, como caracterizar adequadamente o atleta pelo qual há interesse (indispensável, rotação, etc.) sem ferir o “balneário” (concorrências às vezes são mal vistas) ou ser obrigado a pagar salários exagerados.

Além de tais “facilidades”, havia, ainda, a boa variedade de ligas, clubes e jogadores. Foram mais de 100 mil perfis adicionados, para 26 países e quase 100 campeonatos (incluídos aí divisões principais e inferiores). Todos podendo ser tranquilamente editados e, ao longo do tempo, se houvesse interesse do usuário, atualizados, conforme seus clubes atuais e até mesmo suas características presentes. Uma gama de opções que, para os fãs de jogos simples, porém completos, fez com que Elifoot virasse, literalmente, uma relíquia.

A simplicidade e a especificidade, por fim, também eram predicados de CM 01/02. Se os atuais managers enfocam bastante os aspectos extracampo, como o controle financeiro, por exemplo, o game desenvolvido pela Eidos em parceria com a Sports Interactive, embora exigisse alguma atenção quanto à realidade dos caixas do clube, permitia que o jogador fosse menos dirigente e mais treinador, com mais tempo para se dedicar ao esquema tático — esse sim, um dos grandes desafios do jogo — e a prováveis reforços (e a investigação destes).

Investigação? Sim. Passou-se a ser essencial a manutenção de bons olheiros, não só para caçar promessas espalhadas nas proximidades como obter informações boas e precisas a respeito de jogadores com atributos escondidos — uma das novidades do game. O que é perfeitamente justo e muito mais realista do que entender que todos conhecem Bobby Zamora da mesma forma que Dennis Berkgamp, por exemplo, como se dava anteriormente.

Tais fatores levaram CM 01/02 a fazer sucesso e se manter até hoje com seguidores fiéis, mas tiveram, ainda, um importante ingrediente: carisma. E game tem carisma? O que se fala aqui é o maior exemplo disso. E uma das grandes razões para tal é a curiosa variedade de craques anônimos existentes. Nomes como Tsigalko e Nikiforenko, ou o “inventado” Tó Madeira tornaram-se verdadeiras lendas virtuais, e acompanhar suas diferentes evoluções em clubes distintos se tornou um dos grandes desafios “não-oficiais” do jogo.

A relativa facilidade para se contratar jogadores também chamava atenção. Ver Patrick Mboma, ex-astro da seleção de Camarões e do Parma, jogar por equipes como Anapolina, Portuguesa Santista ou Rio Branco pode ser estranho e até impossível. Imaginar Paul Gascoigne usando o uniforme amarelo do Pelotas ou o verde do Uberlândia, idem. Pois estes cenários inusitados e dignos de Elifoot acabavam se tornando interessantemente viáveis — de uma maneira menos anormal que no game português.

Mas, como de se esperar, nem tudo são flores em CM 01/02. Tudo bem, há um patch (3.9.68) que corrigiu todos os bugs (ou pelo menos a esmagadora maioria deles) existentes. Ainda assim, há alguns errinhos que não deveriam ter passado pela primeira averiguação. A liga brasileira é uma que sofreu imensamente com isso. Por exemplo: inicialmente, o campeão brasileiro não saía do mata-mata do G4, mas do campeão da primeira fase. Ou seja: de nada adiantava passar em quarto e ganhar a final. O título era registrado para outra equipe…

Outro bug detectado no Brasil dizia respeito à classificação para a Libertadores da América. Em tese, deveriam avançar campeão e vice do País; campeão da Copa do Brasil; e campeão da Copa dos Campeões (torneio extinto, que, no CM, reunia os campeões dos estaduais). Sem o patch, porém, nem sempre os vencedores das Copas eram os reais representantes. Até por isso, ver o Juventus (mesmo com esse rebaixado da Terceirona) ou ASA na principal competição sul-americana era inexplicável.

Como se vê, a proporção de pontos positivos/negativos coloca CM 2001/02 numa posição de vanguarda dentro do hall de games de futebol já lançados. Tanto é verdade que há diversos sites e fóruns espalhados pelo mundo para debater e reunir fãs para contar histórias vividas no jogo, trocar imagens bizarras (goleadas estranhas, bugs, etc). Caso do Champman0102, fórum inglês (mas com diversos membros brasileiros), onde são disponibilizadas atualizações mensais para deixar o CM 01/02 com “cara de novo”. Há updates que atuam diretamente na base de dados “normal”, e outros que modificam até o ano para se iniciar o jogo (2009, 2010, 2011…).

Para os fãs do estilo manager, ter o Football Manager 2010 na prateleira é importante, claro. Mas, já que um dos mais importantes jogos do gênero está disponível oficial e gratuitamente na internet, por que não o ter na prateleira para uma diversão mais rápida, mas não menos realista? O jogo pode ser encontrado aqui. É importante ter algum programa que leia arquivos .ISO (Daemon Tools, por exemplo) instalado, para linká-lo ao programa baixado.

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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