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O efeito moral dos protestos na Copa das Confederações

Brasília, 15 de junho de 2013. Gás lacrimogêneo, balas de borracha, cassetete, correria, pânico. Polícia usando a violência. Essa combinação foi vista em todo país nesta semana, em manifestações por todo país, em busca de direitos civis. Só que desta vez, não era um protesto programado, nem uma avenida em uma grande cidade do país. O cenário era o estádio Nacional Mané Garrincha, no dia da abertura da Copa das Confederações. Manifestantes se colocaram contra o gasto de dinheiro público em diversos cartazes.

Foram 25 pessoas presas (15 adultos e 10 menores de idade), além de 27 feridas. Em um protesto completamente pacífico, que foi, como normalmente é, reprimido com a violência e o despreparo da Polícia Militar. No relato do UOL, uma mostra sobre o comportamento despreparado de nossa polícia: “Cerca de 30 protestantes estavam ajoelhados e a Tropa de Choque avançou com escudos e gás de pimenta”. Segundo a reportagem, eram cerca de 600 manifestantes.

Os protestos se tornaram uma constante nos últimos dias e evidenciam como ainda estamos engatinhando em saber lidar com a democracia. O batalhão de Choque da Polícia Militar é usado quase que exclusivamente para controlar a população em grandes manifestações. É uma polícia repressora e violenta, orientada apenas e tão somente a usar a força para dispersar e enfraquecer os movimentos sociais e suas manifestações.

Quem vai aos estádios sabe como funciona a Polícia Militar. Tratam o torcedor como bandidos, como arruaceiros e como descartáveis. Dizem que é uma polícia preparada para lidar com grandes multidões. Parece uma ironia. O que se viu no estádio em Brasília não é algo isolado. É o que acontece em todos os estádios, de norte a sul, de leste a oeste desse país. É o que o torcedor comum de arquibancada sente quando vê os policiais, armados até os dentes com as armas “não-letais” (mas que ferem e machucam MUITO) usarem o poder que os governos lhes dão para reprimir tudo e todos com violência e sem nenhuma racionalidade.

Foram diversas faixas com protestos de diversas naturezas, de corrupção a falta de serviços públicos. Veja algumas das frases escritas nos cartazes:

“Não queremos estádio, queremos hospitais”.

“Não precisamos de estádio, precisamos de educação, saúde e segurança”.

“Saúde, cadê você?”.

“Abaixo as tarifas, põe na conta da Fifa”.

“Enquanto a bola rola, falta saúde e falta escola”.

“Por menos corrupção, diga não à PEC 37”

No blog do jornalista Paulo Vinícius Coelho, da ESPN Brasil e Folha de S. Paulo, uma frase que resume muito bem tudo isso: “Dentro do estádio, está legal. Fora, um retrato do país”. A Copa das Confederações pode ser uma festa, mas muitas pessoas sabem que a vida no Brasil está longe disso.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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